Geologia · 10.ª–12.ª classe

Como datar relativamente camadas de rocha?

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  • 3 exemplos resolvidos
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Resposta curta

Aplicam-se princípios: sobreposição (numa sequência não deformada, a camada de baixo é a mais antiga), horizontalidade original, continuidade lateral, relações de corte (o que corta é mais recente do que o que é cortado) e identidade paleontológica (fósseis característicos). A datação relativa dá a ordem dos acontecimentos, e não a idade em anos.

Quando se aplica

A Geologia reconstrói a história da Terra a partir das rochas. A datação relativa estabelece quais camadas, estruturas e fósseis são mais antigos ou mais recentes do que outros, sem indicar quantos anos têm. Usa-se em afloramentos (cortes de estrada, falésias, pedreiras, ravinas), em colunas estratigráficas e em exercícios de «ordenar os acontecimentos». A datação absoluta (por exemplo, com isótopos radioativos) é um método diferente, que dá a idade em anos.

Os princípios fundamentais

PrincípioEnunciadoExemplo
Sobreposiçãonuma sequência de camadas não deformada, a camada de baixo é mais antiga do que a de cimaarenito por cima de calcário: o calcário é mais antigo
Horizontalidade originalas camadas sedimentares formam-se na horizontal (ou quase)camadas inclinadas foram deformadas depois de formadas
Continuidade lateraluma camada estende-se lateralmente até ao limite da bacia de sedimentaçãocamadas separadas por um vale podem ser a mesma
Relações de corte (intersecção)uma estrutura que corta outra é mais recenteum filão de granito que corta camadas é posterior a elas; uma falha que corta rochas é posterior a elas
Inclusõesos fragmentos incluídos numa rocha são mais antigos do que elaseixos num conglomerado são mais antigos do que o conglomerado
Identidade paleontológicacamadas com os mesmos fósseis característicos têm a mesma idadeum fóssil de trilobite indica rochas da era Paleozoica

Fósseis característicos

Os fósseis de idade (ou fósseis característicos) são restos de seres que viveram durante um intervalo de tempo curto, tiveram ampla distribuição geográfica e são abundantes. Permitem datar e correlacionar camadas distantes. Por exemplo, as amonites são fósseis característicos do Mesozoico, e os trilobites do Paleozoico.

Lacunas e discordâncias

Uma discordância é uma superfície que marca uma interrupção na sedimentação ou erosão, ou seja, uma lacuna no registo. Por exemplo, camadas inclinadas cobertas por camadas horizontais (discordância angular) indicam que as inferiores se deformaram e foram erodidas antes de as superiores se depositarem.

Método passo a passo

  1. Observe o esquema ou o afloramento e identifique todas as camadas, filões, falhas e dobras. Dê uma letra a cada.
  2. Verifique se as camadas foram deformadas (dobradas, viradas): se sim, é preciso «desfazer» mentalmente a deformação antes de aplicar a sobreposição.
  3. Aplique a sobreposição às camadas sedimentares: a de baixo é mais antiga.
  4. Aplique as relações de corte: o que corta é mais recente do que o que é cortado (filões, falhas, intrusões).
  5. Verifique as inclusões: o fragmento é mais antigo do que a rocha que o contém.
  6. Procure discordâncias: uma superfície de erosão entre camadas significa que há um tempo não registado.
  7. Use os fósseis para correlacionar camadas de locais diferentes.
  8. Escreva a sequência do mais antigo para o mais recente (ou o inverso, conforme o pedido).
  9. Confira que cada passo é coerente com todos os princípios.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Sobreposição

Enunciado: Num corte vertical observam-se, de baixo para cima, as camadas A (arenito), B (argila), C (calcário) e D (conglomerado), todas horizontais. Qual é a mais antiga e qual a mais recente?

Resolução:

  1. Princípio da sobreposição: a camada de baixo é a mais antiga.
  2. De baixo para cima: A, B, C, D.

Resposta: a mais antiga é A e a mais recente é D. Ordem do mais antigo ao mais recente: A → B → C → D.

Exemplo 2 — Relação de corte

Enunciado: Um filão de basalto (F) atravessa as camadas A, B e C (de baixo para cima), mas não atravessa D, que está por cima. Qual é a sequência?

Resolução:

  1. Pela sobreposição: A é mais antiga, depois B, C e D (a mais recente das camadas).
  2. O filão F corta A, B e C; logo é mais recente do que elas.
  3. O filão não corta D; assim, D deve ter-se depositado depois da formação do filão (D é posterior a F), ou F terminou antes de D se formar.

Resposta: A → B → C → F → D. O filão é mais recente do que as camadas que corta e mais antigo do que a que o cobre.

Exemplo 3 — Nível de exame: discordância e falha

Enunciado: Camadas X, Y, Z (de baixo para cima) estão inclinadas e foram erodidas no topo; por cima delas repousam, na horizontal, as camadas P e Q (P por baixo de Q). Uma falha corta todas as camadas inclinadas, mas não corta P nem Q. Estabeleça a sequência.

Resolução:

  1. Camadas inclinadas: X, Y, Z (sobreposição: X mais antiga).
  2. A falha corta X, Y e Z: é posterior a elas.
  3. A falha não corta P nem Q, que repousam por cima: P e Q são posteriores à falha e à erosão (a superfície de erosão é uma discordância angular).
  4. Entre P e Q, a sobreposição dá P mais antiga do que Q.

Resposta: X → Y → Z → (deformação e falha) → (erosão/discordância) → P → Q.

Erros frequentes

  • Aplicar a sobreposição a camadas viradas ao contrário (em dobras muito deformadas), em que a ordem pode estar invertida.
  • Dizer que o filão é mais antigo porque «está no meio».
  • Confundir datação relativa com absoluta: a relativa dá a ordem, não os anos.
  • Esquecer as lacunas e discordâncias, que significam que falta tempo no registo.
  • Considerar que dois fósseis diferentes têm sempre idades diferentes (podem viver na mesma época, em ambientes diferentes).
  • Usar fósseis que viveram muito tempo (pouco característicos) para datar com precisão.
  • Ordenar do mais recente para o mais antigo quando o enunciado pede o contrário.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Num corte, de baixo para cima: xisto (1), arenito (2), calcário (3). Qual é a mais antiga e qual a mais recente?

Ver solução

Mais antiga: xisto (1). Mais recente: calcário (3). Ordem: 1 → 2 → 3.

2Exercício 2

Uma falha corta as camadas A, B e C, mas não a camada D, que está por cima. O que se conclui sobre a idade relativa da falha e de D?

Ver solução

A falha é mais recente do que A, B e C e mais antiga do que D (D depositou-se depois).

3Exercício 3

Um conglomerado contém seixos de granito. Qual é mais antigo: o granito dos seixos ou o conglomerado?

Ver dica

Princípio das inclusões.

Ver solução

O granito (dos seixos) é mais antigo, porque teve de existir para dar origem aos seixos antes de estes serem incluídos no conglomerado.

4Exercício 4

Explique porque é que os fósseis de amonites ajudam a datar rochas.

Ver solução

Porque as amonites viveram durante um intervalo de tempo limitado, eram abundantes e muito espalhadas. Rochas com a mesma espécie de amonite têm aproximadamente a mesma idade, mesmo em lugares distantes.

5Exercício 5

Qual é a diferença entre datação relativa e datação absoluta?

Ver solução

A relativa estabelece a ordem (mais antigo/mais recente) com base em princípios geológicos e fósseis. A absoluta determina a idade em anos, por exemplo, através de isótopos radioativos.

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Em exercícios de estratigrafia, na interpretação de afloramentos e de cortes geológicos e no estudo da história geológica de uma região.

Existe um método mais rápido?

Faça sempre o mesmo: ordene as camadas de baixo para cima, depois encaixe as estruturas que as cortam (filões, falhas), e por fim as discordâncias.

A camada de baixo é sempre a mais antiga?

Na maioria dos casos, sim, desde que a sequência não tenha sido invertida por dobras ou falhas. Por isso, é importante verificar a deformação.

A datação relativa dá idades em milhões de anos?

Não. Só estabelece a ordem. Para ter idades em anos é necessária a datação absoluta, ou a correlação com a escala do tempo geológico.

Que erros são mais comuns?

Esquecer as relações de corte e confundir relativa com absoluta. Veja "Erros frequentes".

Resumo

  • Sobreposição: em baixo, mais antigo.
  • Relações de corte: o que corta é mais recente.
  • Inclusões: o fragmento é mais antigo do que a rocha que o contém.
  • Fósseis característicos permitem correlacionar camadas.
  • Discordâncias marcam lacunas no tempo.
  • A datação relativa dá a ordem, e não a idade em anos.

Onde aprofundar

  • O manual de Geologia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • O manual aberto Physical Geology (em inglês), capítulos sobre tempo geológico e estratigrafia.
  • Os cortes geológicos e o museu de história natural da sua região.

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