Literatura Africana · 1.º ano (indicativo)

Quais são as fases da literatura africana?

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Resposta curta

Uma periodização muito usada divide a literatura africana em cinco fases: a tradição oral, a literatura do período colonial, a negritude e a consciência cultural, a escrita de combate e de libertação e a literatura pós-independência e contemporânea. Não há classificação única: os autores variam nos limites e nos nomes.

Critério de classificação

As fases agrupam a produção literária segundo a relação com a história política e cultural do continente: como se escreve, para quem e em que contexto (antes, durante e depois da dominação colonial). Por isso as datas são aproximadas e variam de país para país: a independência de Gana foi em 1957 e a de Angola em 1975, e as fases não começam nem acabam ao mesmo tempo.

Atenção

Esta é uma proposta didática. Os manuais e docentes usam divisões diferentes (três, quatro ou cinco fases). No exame, siga a periodização do seu docente ou do seu programa e justifique-a.

Descrição de cada fase

1. Tradição oral

Anterior e paralela à escrita, transmitida de geração em geração por contos, provérbios, mitos, adivinhas, cantos e poemas. É coletiva, ligada à vida da comunidade e continua viva. É a base de muita escrita posterior.

2. Literatura do período colonial

Escrita durante a presença colonial. Inclui a literatura sobre África feita por europeus (muitas vezes com visão exótica ou paternalista) e as primeiras obras de africanos escolarizados, em línguas europeias, em jornais e em revistas.

3. Negritude e consciência cultural

Movimento de afirmação da identidade e dos valores culturais negros, nascido nos anos 1930 entre estudantes africanos e antilhanos em Paris. Associa-se a Léopold Sédar Senghor, Aimé Césaire e Léon-Gontran Damas. Valoriza a herança africana contra o racismo cultural.

4. Escrita de combate e de libertação

Literatura ligada às lutas anticoloniais, sobretudo entre as décadas de 1950 e 1970. Denuncia a opressão, afirma a identidade nacional e a esperança da independência. Nos países de língua portuguesa, destacam-se poetas como Agostinho Neto (Angola) e Amílcar Cabral (Guiné-Bissau e Cabo Verde, mais conhecido como dirigente político, também com textos de reflexão cultural).

5. Pós-independência e contemporânea

Após as independências, os escritores passam a tratar também as desilusões, o poder, a guerra civil, a corrupção, a memória e a diversidade de vozes, incluindo as das mulheres e da diáspora. Entram aqui autores como Chinua Achebe (A Man of the People, 1966), Mia Couto e Paulina Chiziane (Moçambique) e Pepetela (Angola).

Nota

Alguns autores atravessam várias fases: Pepetela, por exemplo, escreveu sobre a luta de libertação (Mayombe) e depois sobre a sociedade pós-independência.

Quadro-resumo

FasePeríodo aproximadoCaracterística principalExemplo
Tradição oralantes e durante todas as outrascoletiva, falada, tradicionalcontos e provérbios
Colonialséc. XIX até meados do séc. XXvisão colonial; primeiras vozes africanas escolarizadasimprensa e primeiras obras em línguas europeias
Negritudea partir dos anos 1930afirmação da identidade negraSenghor, Césaire
Combate / libertaçãosobretudo 1950–1970denúncia e luta anticolonialAgostinho Neto
Pós-independência / contemporâneadesde as independênciasdesilusão, memória, diversidadeAchebe, Mia Couto, Chiziane

Como memorizar

Use a sequência «Oral, Colonial, Negritude, Combate, Pós»: O C N C P. Pode associá-la à frase «Os Contos Nascem Com Palavras». Depois, ligue cada fase a um autor.

Exemplos

Exemplo 1 — Classificar um texto

Enunciado: Um conto contado à noite numa aldeia, transmitido por uma anciã, sem autor conhecido, com um provérbio no fim. A que fase pertence?

Resolução:

  1. Não tem autoria individual e é falado, não escrito.
  2. Tem função coletiva e usa um provérbio.
  3. São traços da tradição oral.

Resposta: tradição oral. Verificação: um texto escrito por um autor identificado não pertenceria a esta fase.

Exemplo 2 — Distinguir combate de pós-independência

Enunciado: Um poema escrito em 1960 que anuncia a esperança de uma nação livre e denuncia o trabalho forçado. Que fase?

Resolução:

  1. Data aproximada: antes das independências da maioria dos países africanos.
  2. Tema: denúncia da opressão e esperança de liberdade.
  3. Isto corresponde à escrita de combate.

Resposta: escrita de combate e de libertação. Verificação: se tratasse da desilusão com o poder instalado depois da independência, seria pós-independência.

Exemplo 3 — Nível de exame

Enunciado: Explique por que A Man of the People (1966), de Chinua Achebe, pertence à fase pós-independência e não à de combate.

Resolução:

  1. Contexto: publicado depois da independência da Nigéria.
  2. Tema: crítica à corrupção e à política dos novos dirigentes.
  3. O inimigo já não é o colonizador, mas a própria elite local.

Resposta: pertence à fase pós-independência por tratar a desilusão com o poder nacional. Verificação: os dois critérios, data e tema, concordam.

Erros frequentes

  • Tratar as fases como compartimentos fechados. Há autores que atravessam várias fases e movimentos que convivem.
  • Aplicar as mesmas datas a todos os países. Cada país tem a sua cronologia.
  • Confundir negritude com literatura de combate. A negritude afirma uma identidade cultural; a escrita de combate está ligada à luta política direta, embora se cruzem.
  • Esquecer a tradição oral. Não é «pré-literatura»: continua a influenciar a escrita atual.
  • Dar a lista como «oficial». A divisão é uma convenção de estudo; indique sempre em que critério se baseia.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Complete a sequência: oral, colonial, ___, combate, ___.

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Negritude e pós-independência (contemporânea).

2Exercício 2

Escolha múltipla: qual destes nomes se associa à negritude? (a) Léopold Senghor; (b) Pepetela; (c) Paulina Chiziane.

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(a) Léopold Sédar Senghor, um dos fundadores do movimento. Pepetela e Paulina Chiziane pertencem a fases posteriores.

3Exercício 3

Resposta curta: porque é que a tradição oral é considerada a base de muita literatura escrita africana?

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Porque fornece formas (contos, provérbios, cantos), temas e ritmos que muitos autores incorporam na escrita, como a voz de um contador de histórias ou o uso de provérbios.

4Exercício 4

Um texto de 1975 critica um colonizador e saúda a independência recente. Em que fase o colocaria e que dúvida teria?

Ver dica

Pense nas datas de transição.

Ver solução

Ficaria entre a escrita de combate e o início da pós-independência. A dúvida vem de ser um momento de transição, por isso deve-se justificar pelo tema dominante: celebração e denúncia do passado colonial aproximam-no da fase de combate.

5Exercício 5

Justifique em 3 linhas por que razão não existe uma única classificação das fases da literatura africana.

Ver solução

Porque os critérios variam (política, língua, movimento literário), as histórias dos países são diferentes e os autores atravessam várias fases. Os docentes e os manuais escolhem divisões diferentes, por isso o que conta é justificar a periodização usada.

Perguntas frequentes

Quantas fases tem a literatura africana?

Depende da classificação. Neste artigo usam-se cinco, mas há quem apresente três ou quatro. O importante é saber o critério e aplicá-lo com coerência.

Qual é a classificação mais usada?

A que acompanha a história política: antes da colonização, período colonial, lutas de libertação e pós-independência. A negritude entra como movimento cultural. Confirme a que o seu programa adota.

A literatura africana só começa com a escrita?

Não. A tradição oral é literatura, com géneros e especialistas próprios, e influencia a escrita moderna.

Como memorizar a lista?

Use a sequência O-C-N-C-P e associe um autor a cada letra, por exemplo Senghor à negritude e Achebe à pós-independência.

Resumo

  • Cinco fases didáticas: oral, colonial, negritude, combate, pós-independência.
  • O critério é a relação com a história política e cultural.
  • As datas são aproximadas e variam por país.
  • Os autores podem atravessar várias fases.
  • Siga a periodização do seu docente e justifique-a.

Onde aprofundar

  • O programa da disciplina e a bibliografia do docente; para o ensino pré-universitário, o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Pires Laranjeira, Literaturas Africanas de Expressão Portuguesa — confirme a edição disponível.
  • Edições de obras de Achebe, Mia Couto, Paulina Chiziane, Pepetela e Ngũgĩ wa Thiong'o.

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