Geografia · 6.ª–12.ª classe
Exercícios resolvidos de riscos naturais
Resposta curta
Para resolver exercícios de riscos naturais, identifique o fenómeno (sismo, cheia, seca, ciclone, deslizamento...), separe perigo e vulnerabilidade, relacione causas, consequências e medidas e responda só ao que a pergunta pede. Abaixo encontra exercícios resolvidos passo a passo, do básico ao de exame, e exercícios propostos com solução.
Resumo da teoria necessária
- Risco natural: possibilidade de um fenómeno natural causar danos a pessoas, bens e ambiente. Resulta da combinação de perigo (o fenómeno e a sua probabilidade e intensidade) com vulnerabilidade (a fragilidade de quem é exposto). Um terramoto num deserto sem pessoas é perigo, mas quase não é risco.
- Catástrofe (desastre): quando o fenómeno causa danos graves que ultrapassam a capacidade de resposta da comunidade.
- Origem: os riscos podem ser geológicos (sismos, vulcões, tsunamis, deslizamentos), climáticos/hidrológicos (cheias, secas, ciclones, ondas de calor) ou mistos (como os incêndios florestais, em que contam fatores naturais e humanos).
- Gestão do risco: prevenção (ordenamento do território, construção resistente), previsão e alerta, proteção (planos de emergência) e recuperação.
- Medidas de um sismo: a magnitude (escala de Richter e outras) mede a energia libertada; a intensidade (escala de Mercalli) mede os efeitos num local. A magnitude é uma escala logarítmica: a subida de 1 unidade corresponde a cerca de 10 vezes mais amplitude das ondas.
Estratégia de resolução
- Leia o enunciado e sublinhe o verbo (defina, classifique, explique, justifique, proponha).
- Identifique o fenómeno e o contexto (região, população).
- Escreva a resposta em frases curtas, com um termo técnico por ideia.
- Confirme se respondeu a todas as alíneas.
Exercícios resolvidos (nível básico)
Exercício 1 — Definir risco
Enunciado: Defina risco natural.
Resolução:
- Conceito: possibilidade de danos causados por um fenómeno natural.
- Elementos: perigo (fenómeno) e vulnerabilidade (população e bens expostos).
Resposta: risco natural é a probabilidade de um fenómeno natural provocar danos em pessoas, bens e ambiente, resultante da combinação entre perigo e vulnerabilidade. Verificação: a resposta contém os dois elementos.
Exercício 2 — Classificar
Enunciado: Classifique como geológico ou climático/hidrológico: (a) sismo; (b) cheia; (c) deslizamento de terras; (d) seca.
Resolução:
- O sismo e o deslizamento de terras têm origem em processos do solo e da crosta: geológicos.
- A cheia e a seca dependem da água e do clima: climático/hidrológicos.
Resposta: (a) geológico; (b) climático/hidrológico; (c) geológico; (d) climático/hidrológico. Verificação: no deslizamento, a chuva é um fator desencadeante, mas o fenómeno é de movimento de terras; o manual pode classificá-lo como misto, confirme.
Exercício 3 — Escolha múltipla
Enunciado: O epicentro de um sismo é: (A) o ponto no interior onde a energia se liberta; (B) o ponto da superfície na vertical do foco; (C) a escala de medição; (D) uma onda do tsunami.
Resolução: o foco (hipocentro) fica no interior; o epicentro está à superfície, na vertical do foco.
Resposta: B. Verificação: A descreve o hipocentro.
Exercício 4 — Perigo e vulnerabilidade
Enunciado: Duas cidades sofrem a mesma chuva forte. Numa, as casas estão em zona alta e há drenagem; noutra, as casas estão em leito de cheia, sem drenagem. Em qual o risco é maior? Justifique.
Resolução:
- O perigo (chuva) é igual nas duas.
- A vulnerabilidade é maior na segunda cidade: habitação exposta e sem drenagem.
- Risco = perigo combinado com vulnerabilidade.
Resposta: o risco é maior na segunda cidade, por maior vulnerabilidade. Verificação: com o mesmo perigo, só a vulnerabilidade explica a diferença.
Exercícios resolvidos (nível intermédio)
Exercício 5 — Magnitude
Enunciado: Um sismo de magnitude 6 e outro de magnitude 4: quantas vezes é maior a amplitude das ondas do primeiro, sabendo que cada unidade corresponde a 10 vezes?
Resolução:
- Diferença de magnitudes: 6 − 4 = 2.
- Fator de amplitude: 10 × 10 = 100.
Resposta: a amplitude é cerca de 100 vezes maior. Verificação: 102 = 100. (A energia libertada cresce ainda mais depressa; confirme a relação no manual.)
Exercício 6 — Causas de cheias urbanas
Enunciado: Indique três causas humanas que agravam as cheias nas cidades.
Resolução:
- Impermeabilização do solo (asfalto e cimento) reduz a infiltração.
- Lixo em valas e sarjetas impede o escoamento.
- Construção em leitos de cheia e em linhas de água.
Resposta: impermeabilização, lixo na drenagem e ocupação de leitos de cheia. Verificação: são fatores humanos, não naturais, como a quantidade de chuva.
Exercício 7 — Seca
Enunciado: Explique porque a seca é um risco de desenvolvimento lento.
Resolução:
- A seca instala-se ao longo de semanas ou meses de falta de precipitação.
- Os efeitos acumulam-se: menos água nos rios e poços, quebra de colheitas, perda de gado.
- Ao contrário de um sismo, não há um momento único de impacto.
Resposta: desenvolve-se de forma gradual e os danos acumulam-se no tempo. Verificação: o critério «velocidade de instalação» distingue-a de riscos súbitos.
Exercício 8 — Medidas
Enunciado: Associe cada medida a um risco: (a) construções resistentes a abalos; (b) barragens e diques; (c) reflorestação das encostas.
Resolução:
- Construções resistentes reduzem os danos dos sismos.
- Diques e barragens controlam o nível das águas: cheias.
- A vegetação segura o solo: deslizamentos de terras e erosão.
Resposta: (a) sismos; (b) cheias; (c) deslizamentos. Verificação: cada medida atua sobre o mecanismo do respetivo fenómeno.
Exercícios de exame
Exercício 9 — Análise de caso
Enunciado: Uma comunidade junto de um rio sofre cheias todos os anos. Há casas em terreno baixo, valas entupidas e nenhum sistema de aviso. Identifique o perigo, os fatores de vulnerabilidade e três medidas.
Resolução:
- Perigo: cheias do rio na época das chuvas.
- Vulnerabilidade: casas no leito de cheia, falta de drenagem, ausência de alerta.
- Medidas: ordenamento (evitar construir em zona baixa), limpeza e manutenção das valas, sistema de alerta e plano de evacuação.
Resposta: perigo (cheia), três fatores de vulnerabilidade e três medidas, de prevenção, proteção e alerta. Verificação: cada medida responde a um fator identificado.
Exercício 10 — Risco misto
Enunciado: Porque se classifica o incêndio florestal como risco misto?
Resolução:
- Fatores naturais: calor, vento, vegetação seca.
- Fatores humanos: negligência, queimadas mal controladas, abandono do terreno.
- A combinação de ambos origina e propaga o fogo.
Resposta: envolve causas naturais e humanas em simultâneo. Verificação: a resposta menciona os dois tipos de fator.
Exercícios propostos com soluções
1Exercício 1
Distinga magnitude de intensidade de um sismo.
Ver solução
A magnitude mede a energia libertada na fonte e tem um único valor por sismo. A intensidade mede os efeitos sentidos e observados em cada local, por isso varia com a distância e com o tipo de construção.
2Exercício 2
Um sismo A tem magnitude 7 e um sismo B tem magnitude 5. Quantas vezes é maior a amplitude das ondas de A, supondo 10 vezes por unidade?
Ver dica
Calcule a diferença e a potência de 10.
Ver solução
Diferença: 7 − 5 = 2. Fator: 102 = 100. A amplitude de A é cerca de 100 vezes maior.
3Exercício 3
Escolha a opção correta. Vulnerabilidade é: (A) a probabilidade de chover; (B) a fragilidade de pessoas e bens expostos a um perigo; (C) uma escala de sismos; (D) um tipo de vento.
Ver solução
B.
4Exercício 4
Indique duas medidas de prevenção para deslizamentos de terras numa encosta habitada.
Ver solução
Exemplos: não construir em encostas muito inclinadas, plantar vegetação que fixe o solo, drenar as águas da chuva para não encharcar a encosta e evitar cortes no terreno sem apoio.
5Exercício 5
Explique a diferença entre risco e catástrofe, com um exemplo.
Ver solução
O risco é a possibilidade de dano; a catástrofe é a sua concretização com consequências graves. Por exemplo, o risco de cheia num bairro baixo torna-se catástrofe quando uma cheia destrói casas e desloca muitas famílias.
Erros frequentes
- Confundir perigo com risco. O perigo é o fenómeno; o risco inclui a população exposta e a sua vulnerabilidade.
- Misturar magnitude e intensidade. Uma é uma medida de energia; a outra, dos efeitos observados.
- Dizer que o homem não influencia os riscos naturais. Pode agravá-los (ocupação de leitos de cheia, desflorestação, impermeabilização).
- Responder sem justificar. Em «justifique», acrescente sempre o porquê.
- Arredondar mal ou esquecer a escala logarítmica nas contas de magnitude: cada unidade multiplica por 10, não soma 10.
Perguntas frequentes
Como estudar este tema com exercícios?
Comece por fixar as definições (risco, perigo, vulnerabilidade, magnitude). Depois resolva os exercícios sem olhar para a solução e compare. Registe os erros numa lista e volte a eles.
Que tipo de exercícios saem nos exames?
Costumam sair definições curtas, classificação de riscos, análise de um caso (texto, notícia, mapa) e propostas de medidas de prevenção. Confirme o formato no programa em vigor.
Onde posso rever a teoria?
No manual de Geografia da sua classe. Pode também rever os artigos do MeuGuia sobre sismos e cheias deste capítulo.
As contas de magnitude aparecem sempre?
Nem sempre, e pode variar com o programa. Convém saber que a escala é logarítmica; os cálculos, quando existem, são simples.
Resumo
- Risco resulta de perigo combinado com vulnerabilidade.
- Os riscos podem ser geológicos, climático/hidrológicos ou mistos.
- Magnitude mede a energia; intensidade mede os efeitos locais.
- Cada unidade de magnitude corresponde a cerca de 10 vezes mais amplitude.
- A gestão do risco inclui prevenção, previsão, proteção e recuperação.
Onde aprofundar
- Manual de Geografia da classe e programa oficial do INIDE / Ministério da Educação de Angola (confirme a edição em vigor).
- Aprendizagens Essenciais de Geografia (DGE, Portugal).
- OpenStax, manuais de ciências da Terra e do ambiente (em inglês), para aprofundamento.
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