Geologia · 10.ª–12.ª classe

Como ler uma carta geológica?

  • 8 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

Para ler uma carta geológica: leia o título e a escala, estude a legenda (cores, letras, idades), localize as unidades e os contactos, interprete os símbolos de direção e pendor para saber como as camadas se inclinam, procure falhas e dobras e, por fim, deduza a sucessão e a história geológica da zona.

Quando se aplica

Aplica-se sempre que tem uma folha de carta geológica à frente, seja num exercício de exame, seja numa saída de campo ou num trabalho de prospeção. A leitura segue uma ordem fixa, para não se perder no meio de cores e símbolos.

O que deve saber antes de começar

  • Que cada cor ou letra representa uma unidade (formação, maciço, depósito) e que o significado está na legenda.
  • Que a base topográfica (curvas de nível) influencia o desenho dos contactos.
  • Que, numa sucessão normal, as camadas mais antigas ficam por baixo e as mais recentes por cima.
  • O que é direção (a linha horizontal contida no plano de uma camada) e pendor (o ângulo de inclinação, medido a partir da horizontal, na linha de maior declive).

Método passo a passo

  1. Título, escala e orientação. Veja a escala (1:50 000 → 1 cm = 500 m) e onde fica o norte.
  2. Legenda. Anote as unidades, as suas idades e o tipo de rocha (sedimentar, magmática, metamórfica). Perceba a ordem em que estão listadas.
  3. Distribuição das unidades. Veja quais ocupam maior área, onde estão os contactos e se algum se repete (sinal de dobra ou de falha).
  4. Símbolos de direção e pendor. O traço longo é a direção; o traço curto, perpendicular, indica para onde a camada mergulha; o número é o ângulo. Pendor 0° é camada horizontal; 90° é vertical.
  5. Relação com o relevo. Camadas horizontais seguem as curvas de nível; camadas verticais dão contactos retos, que não são afetados pelo relevo; camadas inclinadas dão contactos sinuosos que cruzam os vales em forma de V.
  6. Ordem das idades. Em camadas inclinadas, caminhando no sentido do mergulho encontram-se, em regra, camadas mais recentes (se a série não estiver invertida).
  7. Estruturas. Procure falhas (linhas, muitas vezes mais grossas, com símbolos) e eixos de dobras. Contactos deslocados indicam falha.
  8. Espessuras. Em terreno plano, espessura = largura do afloramento × sen(pendor). Aplique a escala antes de calcular.
  9. Síntese. Escreva a história: deposição, dobramento, falhamento, erosão, por ordem cronológica.

Mini-tabela de pendores

PendorPosição da camadaEfeito no mapa
0°horizontalcontactos paralelos às curvas de nível
1° a 89°inclinadacontactos sinuosos, V nos vales
90°verticalcontactos retos, independentes do relevo

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Espessura de uma camada

Enunciado: Num terreno plano, uma camada de arenito tem pendor de 30° e o afloramento mede, no mapa, 300 m de largura (já convertida com a escala). Qual é a espessura da camada?

Resolução:

  1. Em terreno plano, espessura = largura × sen(pendor).
  2. sen 30° = 0,5.
  3. 300 m × 0,5 = 150 m.

Resposta: 150 m. Verificação: a espessura é sempre menor que a largura quando o pendor é inferior a 90°, e 150 < 300.

Exemplo 2 — Sucessão e idade

Enunciado: A legenda diz: A = Jurássico, B = Cretácico, C = Paleogénico. Numa carta, a direção das camadas é norte-sul e o símbolo indica pendor de 40° para este. Caminhando de oeste para este, encontram-se as unidades A, B e C, por esta ordem. A sucessão é normal?

Resolução:

  1. As camadas mergulham para este.
  2. Caminhar no sentido do mergulho leva a camadas cada vez mais recentes, numa série normal.
  3. A (Jurássico) → B (Cretácico) → C (Paleogénico) é uma ordem de idade crescente para este, ou seja, do mais antigo ao mais recente.

Resposta: sim, a sucessão é normal, com a unidade A a mais antiga e C a mais recente. Verificação: a ordem Jurássico, Cretácico, Paleogénico é a ordem cronológica.

Exemplo 3 — Nível de exame: escala e espessura

Enunciado: Numa carta à escala 1:25 000, a unidade B tem 4,8 cm de largura medidos perpendicularmente à direção, com pendor de 20° para sul, em terreno plano. Calcule a espessura aproximada (sen 20° ≈ 0,34).

Resolução:

  1. 1 cm representa 250 m. Largura real = 4,8 × 250 = 1 200 m.
  2. Espessura = 1 200 × sen 20° ≈ 1 200 × 0,34 = 408 m.
  3. Arredondando, cerca de 410 m.

Resposta: aproximadamente 410 m. Verificação: 408 m é inferior a 1 200 m, como esperado para um pendor pequeno.

Erros frequentes

  • Ler as cores sem consultar a legenda. Cada carta tem as suas convenções.
  • Medir a largura do afloramento e chamar-lhe espessura. Só coincidem se o pendor for 90°.
  • Esquecer de aplicar a escala antes de calcular espessuras ou distâncias.
  • Confundir direção com mergulho. A direção é horizontal; o mergulho aponta ladeira abaixo, perpendicular a ela.
  • Admitir sempre que a série é normal. Se a legenda ou as dobras indicarem inversão, a ordem das idades muda.
  • Ignorar linhas de falha e tratar dois blocos deslocados como se fossem contínuos.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Numa carta, o símbolo de uma camada tem o número 90. O que significa e como são os contactos dessa camada no mapa?

Ver solução

Significa pendor de 90°, camada vertical. Os contactos aparecem como linhas retas, praticamente independentes do relevo.

2Exercício 2

Calcule a espessura de uma camada com pendor de 30° e afloramento de 500 m de largura em terreno plano.

Ver solução

Espessura = 500 × sen 30° = 500 × 0,5 = 250 m.

3Exercício 3

Um afloramento mede 2 cm numa carta à escala 1:25 000. Com pendor de 30° em terreno plano, qual é a espessura?

Ver dica

Converta primeiro os centímetros em metros reais.

Ver solução

Largura real = 2 × 250 m = 500 m. Espessura = 500 × 0,5 = 250 m.

4Exercício 4

Uma camada tem direção E-O e mergulha 25° para norte. Para que lado estão as camadas mais recentes, numa série normal, e como se descreve a posição da direção?

Ver solução

As mais recentes estão para norte, no sentido do mergulho. A direção é a linha este-oeste, horizontal, e o mergulho é perpendicular a ela, para norte.

5Exercício 5

Num mapa vê-se a mesma unidade em dois lados opostos de uma linha, mas deslocada cerca de 400 m lateralmente. O que sugere? Que informação adicional pediria?

Ver solução

Sugere uma falha que deslocou o contacto. Para classificar o movimento, pediria o tipo de falha (símbolos da legenda), a inclinação do plano e o sentido do deslocamento, além de verificar se o relevo não explica o desenho.

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Sempre que precisa de interpretar uma carta de forma sistemática: em exames, em trabalhos de campo e antes de projetos de engenharia. O método evita saltos para conclusões e obriga a confirmar a legenda primeiro.

Existe um método mais rápido?

Para uma primeira leitura, basta fazer três coisas: legenda, ordem das idades e símbolos de pendor. Mas para espessuras e estruturas é preciso percorrer os passos todos.

Porque é que os contactos fazem V nos vales?

Porque um plano inclinado interseta o relevo em linhas que acompanham a topografia. Quando o plano cruza um vale, o contacto desvia-se em forma de V; num plano vertical, o contacto é reto.

Que erros são mais comuns?

Esquecer a escala, confundir largura com espessura e ler as cores sem a legenda. A secção de erros frequentes explica cada um.

Resumo

  • Comece por título, escala e legenda.
  • Cada símbolo de direção e pendor diz como a camada se inclina.
  • Camada horizontal segue as curvas de nível; vertical dá contacto reto; inclinada dá V.
  • Espessura em terreno plano = largura × sen(pendor), depois de aplicar a escala.
  • Contactos deslocados sugerem falha.

Onde aprofundar

  • O manual de Geologia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • As notícias explicativas que acompanham as cartas do serviço geológico (IGEO em Angola; LNEG em Portugal).
  • Earth: An Introduction to Physical Geology, de Tarbuck e Lutgens, para exercícios de interpretação de mapas.

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