Geologia · 10.ª–12.ª classe

O que é a expansão dos fundos oceânicos?

  • 8 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

A expansão dos fundos oceânicos é o processo pelo qual nova crosta oceânica se forma nas dorsais, a partir de magma que sobe e solidifica, enquanto a crosta mais antiga se afasta para os dois lados. O fundo do oceano cresce no eixo da dorsal e é destruído nas zonas de subducção, noutro lugar.

Definição e características

A ideia foi proposta nos anos 1960 pelo geólogo norte-americano Harry Hess, e teve confirmação decisiva com o estudo do magnetismo das rochas do fundo do mar. Ela explica como é que os oceanos se alargam ou se estreitam e é uma peça central da tectónica de placas.

Como funciona

  1. Nas dorsais oceânicas, duas placas afastam-se uma da outra (limite divergente).
  2. Entre elas sobe magma vindo do manto, que arrefece e forma basalto, isto é, crosta oceânica nova.
  3. A crosta recém-formada é empurrada para os lados e vai arrefecendo, ficando mais densa e mais baixa.
  4. Longe da dorsal, em zonas de subducção (fossas oceânicas), a crosta mergulha no manto e é reciclada.

Provas da expansão

ObservaçãoO que mostra
Idade do fundoas rochas mais jovens estão junto da dorsal; a idade aumenta simetricamente para os dois lados
Sedimentosquase não existem no eixo da dorsal e tornam-se mais espessos com a distância
Anomalias magnéticaso fundo tem faixas paralelas à dorsal com polaridade alternada, simétricas em relação ao eixo
Caloro fluxo de calor é maior junto da dorsal
Idade máximao fundo oceânico é muito mais novo (cerca de 200 milhões de anos, no máximo) do que as rochas continentais mais antigas

Porque há faixas magnéticas alternadas

Quando o basalto arrefece, os minerais magnéticos registam a orientação do campo magnético da Terra naquele momento. Como a polaridade do campo se inverteu várias vezes ao longo do tempo, o fundo ficou com faixas de polaridade normal e inversa, dispostas simetricamente em torno da dorsal. O padrão é como uma «fita magnética» que se vai gravando.

Velocidade

Em geral, o afastamento é de alguns centímetros por ano, comparável à velocidade a que crescem as unhas. Nas dorsais lentas, como a Mesoatlântica, é da ordem de poucos centímetros por ano; nas rápidas, é maior.

Exemplos do quotidiano

Exemplo 1 — Converter a velocidade

Enunciado: Uma dorsal afasta as placas a 2 cm por ano. Quantos quilómetros se afastam em 1 milhão de anos?

Resolução:

  1. Em 1 milhão de anos: 2 cm × 1 000 000 = 2 000 000 cm.
  2. 100 000 cm = 1 km, logo 2 000 000 cm = 20 km.

Resposta: 20 km. Verificação: 2 cm/ano equivale a 20 km por milhão de anos.

Exemplo 2 — Idade do fundo

Enunciado: A crosta afasta-se do eixo da dorsal a 2,5 cm/ano para cada lado. Qual é a idade de uma rocha do fundo situada a 500 km do eixo?

Resolução:

  1. 2,5 cm/ano = 25 km por milhão de anos.
  2. Tempo = distância ÷ velocidade = 500 ÷ 25 = 20 milhões de anos.

Resposta: 20 milhões de anos. Verificação: 25 km/Ma × 20 Ma = 500 km.

Exemplo 3 — Nível de exame: interpretar faixas magnéticas

Enunciado: Um perfil magnético atravessa uma dorsal e mostra, de cada lado, a sequência: normal, inversa, normal, inversa, com larguras iguais em ambos os lados. O que se conclui?

Resolução:

  1. A simetria entre os dois lados mostra que a crosta se formou no eixo e se afastou para os dois lados.
  2. As inversões de polaridade foram registadas à medida que o basalto arrefecia.
  3. Cada faixa corresponde a um intervalo de tempo, e o conjunto é um registo da história do campo magnético.

Resposta: a crosta oceânica formou-se no eixo e afastou-se simetricamente, registando as inversões do campo. Verificação: se a crosta fosse antiga e estática, não haveria simetria.

Importância e aplicações

  • Explica o alargamento do Atlântico: África e América do Sul separaram-se à medida que o Atlântico Sul se abriu. A margem angolana é uma margem continental passiva, isto é, não coincide com um limite de placas.
  • Datação do fundo oceânico: as faixas magnéticas permitem datar o fundo e calcular velocidades.
  • Riscos geológicos: as dorsais têm sismos e vulcões pouco profundos; as fossas, ao contrário, geram os sismos mais fortes.
  • Recursos: nas dorsais existem fontes hidrotermais com depósitos minerais.

Erros e confusões frequentes

  • Dizer que os continentes «navegam» pelo fundo do mar. Os continentes estão incluídos nas placas que se movem; não se deslocam sozinhos.
  • Pensar que a Terra aumenta de tamanho. A crosta que se cria nas dorsais é compensada por crosta que desaparece nas zonas de subducção.
  • Confundir dorsal com cordilheira continental. A dorsal é um relevo submarino formado por vulcanismo.
  • Achar que o fundo mais antigo é junto da dorsal. É o contrário: o mais jovem está junto do eixo.
  • Esquecer a simetria das faixas magnéticas, que é a prova mais citada nos exames.
  • Confundir expansão dos fundos com deriva dos continentes. A deriva (Wegener) foi a hipótese inicial; a expansão fornece o mecanismo.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Onde se forma a crosta oceânica nova e onde é destruída?

Ver solução

Forma-se nas dorsais oceânicas (limites divergentes) e é destruída nas zonas de subducção (fossas oceânicas).

2Exercício 2

Converta 4 cm/ano em quilómetros por milhão de anos.

Ver solução

4 cm × 1 000 000 = 4 000 000 cm = 40 km por milhão de anos.

3Exercício 3

Se uma rocha basáltica do fundo está a 1 000 km do eixo da dorsal e o afastamento é de 2,5 cm/ano para cada lado, qual é a idade?

Ver dica

Use 2,5 cm/ano = 25 km/Ma.

Ver solução

Idade = 1 000 ÷ 25 = 40 milhões de anos.

4Exercício 4

Indique duas provas a favor da expansão dos fundos oceânicos e explique uma delas.

Ver solução

Por exemplo: idade do fundo crescente com a distância à dorsal e anomalias magnéticas simétricas. Na primeira, as rochas mais jovens estão no eixo, onde o basalto se forma, e as mais antigas ficam mais longe, porque se afastaram durante mais tempo.

5Exercício 5

Porque é que o fundo oceânico não é mais antigo do que cerca de 200 milhões de anos, enquanto há rochas continentais com milhares de milhões de anos?

Ver solução

Porque a crosta oceânica é continuamente reciclada: forma-se nas dorsais e regressa ao manto nas zonas de subducção. A crosta continental é menos densa e não afunda facilmente, por isso conserva rochas muito antigas.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre expansão dos fundos oceânicos e deriva continental?

A deriva continental, proposta por Wegener, dizia que os continentes se afastavam, mas não explicava a força. A expansão dos fundos mostra que o fundo oceânico se cria nas dorsais, e os continentes são transportados com as placas.

Onde se aplica a expansão dos fundos oceânicos na prática?

Na datação de fundos marinhos, na prospeção de recursos submarinos e na compreensão do risco sísmico e vulcânico. Também ajuda a reconstituir posições antigas dos continentes.

Há dorsais perto de Angola?

A Dorsal Mesoatlântica está no meio do oceano Atlântico, longe da costa angolana. A costa de Angola é uma margem passiva, formada quando o Atlântico Sul se abriu.

Que erros os estudantes cometem?

Pensam que a Terra cresce, que os continentes se movem sozinhos e que o fundo mais velho está junto da dorsal. Veja os erros frequentes.

Resumo

  • Crosta oceânica nova forma-se nas dorsais e destrói-se nas fossas de subducção.
  • Provas: idade crescente, sedimentos mais espessos, faixas magnéticas simétricas.
  • Velocidade típica: alguns cm por ano, ou dezenas de km por milhão de anos.
  • A teoria foi proposta por Harry Hess e dá o mecanismo à deriva dos continentes.
  • O fundo oceânico tem idade máxima de cerca de 200 milhões de anos.

Onde aprofundar

  • O manual de Geologia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Understanding Earth, de Grotzinger e Jordan, capítulo sobre tectónica de placas.
  • Physical Geology, de Steven Earle (BCcampus), manual aberto em inglês, secção sobre tectónica de placas.

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