História de Angola · 1.º ano (indicativo)
Quais são as fases da história de Angola?
Resposta curta
Uma classificação frequente divide a história de Angola em sete fases: sociedades antigas e reinos; contacto e tráfico atlântico; transição e ocupação do território; colonialismo consolidado; luta de libertação; independência e guerra civil; e paz e reconstrução. Os manuais podem agrupá-las de outra forma, por isso confirme a divisão do seu programa.

Critério de classificação
Esta lista usa um critério misto: quem exerce o poder e que tipo de relação existe com o exterior. Cada fase é aberta por um marco. As datas são de referência e as transições foram graduais.
Descrição de cada fase
Quadro-resumo
| N.º | Fase | Tempo aproximado | Característica central | Exemplo |
|---|---|---|---|---|
| 1 | Sociedades antigas e reinos | da pré-história ao século XV | povoamento, agricultura, ferro; reinos como o Kongo e o Ndongo | Mbanza Kongo, capital do Kongo |
| 2 | Contacto e tráfico atlântico | séculos XV a meados do XIX | relações com Portugal; comércio de escravos | fundação de Luanda (1576) |
| 3 | Transição e ocupação | meados do século XIX a inícios do XX | fim do tráfico legal, novos produtos, ocupação efetiva do interior | Conferência de Berlim (1884–1885) |
| 4 | Colonialismo consolidado | inícios do século XX a 1961 | administração colonial e economia de exportação | culturas de exportação e minas |
| 5 | Luta de libertação | 1961 a 1974/1975 | resistência armada e política ao regime colonial | movimentos de libertação |
| 6 | Independência e guerra civil | 1975 a 2002 | construção do Estado e conflito interno | proclamação em 11 de novembro de 1975 |
| 7 | Paz e reconstrução | de 2002 à atualidade | fim da guerra, reconstrução, diversificação | memorando de entendimento de 4 de abril de 2002 |
Notas sobre cada fase
- Sociedades antigas e reinos. Inclui a pré-história e a expansão das populações bantu. Vários reinos e chefaturas organizavam a produção, o comércio e a justiça muito antes de qualquer contacto com a Europa.
- Contacto e tráfico atlântico. Começa com a chegada dos portugueses à costa no final do século XV. O tráfico de escravos para as Américas condicionou a economia e a sociedade durante séculos.
- Transição e ocupação. O tráfico foi sendo proibido; a pressão internacional e a partilha de África levaram Portugal a ocupar efetivamente o interior, o que provocou resistências locais.
- Colonialismo consolidado. O poder colonial organizou a administração, os impostos, o trabalho e a economia de exportação. A desigualdade entre colonos e africanos era marcante.
- Luta de libertação. Desde 1961, vários movimentos lutaram pela independência. A revolução de 25 de abril de 1974 em Portugal abriu caminho às negociações.
- Independência e guerra civil. Em janeiro de 1975 assinaram-se os Acordos de Alvor; a independência foi proclamada a 11 de novembro de 1975, sendo Agostinho Neto o primeiro presidente. Seguiu-se um longo conflito interno.
- Paz e reconstrução. Em abril de 2002 foi assinado o memorando que levou ao fim do conflito armado, abrindo uma fase de reconstrução de infraestruturas e de instituições.
Exemplos
Exemplo 1 — Situar um facto numa fase
Enunciado: Em que fase se situa a fundação de Luanda, em 1576?
Resolução:
- Identifique o século: XVI.
- Procure na tabela a fase que cobre os séculos XV a meados do XIX.
- A fundação de uma cidade pelos portugueses faz parte do contacto e da presença no litoral.
Resposta: fase 2, contacto e tráfico atlântico.
Verificação: 1576 está entre o século XV e meados do XIX.
Exemplo 2 — Ordenar fases
Enunciado: Ordene: (a) independência, (b) luta de libertação, (c) ocupação do interior, (d) reinos antigos.
Resolução:
- Os reinos antigos precedem todos os outros: (d).
- A ocupação do interior dá-se no fim do século XIX e início do XX: (c).
- A luta de libertação começa em 1961: (b).
- A independência é de 1975: (a).
Resposta: (d), (c), (b), (a).
Verificação: 1.º fase 1; 2.º fase 3; 3.º fase 5; 4.º fase 6.
Exemplo 3 — Nível de exame: explicar uma transição
Enunciado: Explique a passagem da fase 5 para a fase 6.
Resolução:
- Em 25 de abril de 1974, uma revolução em Portugal derrubou o regime, e o novo poder aceitou negociar a descolonização.
- Os Acordos de Alvor, de janeiro de 1975, previram um governo de transição e a independência.
- A transição não se manteve pacífica, e a independência foi proclamada a 11 de novembro de 1975, no meio de tensões entre os movimentos.
Resposta: a luta de libertação deu lugar à independência após a mudança política em Portugal e as negociações de 1975, mas com o início de um conflito interno.
Verificação: a resposta liga causa (revolução em Portugal), processo (Alvor) e consequência (independência e conflito).
Quadro-resumo para memorizar
- Fase 1: antes do contacto: reinos e povos.
- Fase 2: contacto e tráfico: de Portugal ao Atlântico.
- Fase 3: transição e ocupação: novo comércio e conquista do interior.
- Fase 4: colónia consolidada: administração e exportação.
- Fase 5: libertação: da luta armada às negociações.
- Fase 6: independência e guerra: de 1975 a 2002.
- Fase 7: paz: reconstrução.
Como memorizar
Associe cada fase a um verbo: 1 viver, 2 trocar, 3 ocupar, 4 administrar, 5 lutar, 6 construir, 7 reconstruir. Ou crie uma frase com as iniciais S-C-T-C-L-I-P.
Erros frequentes
- Começar a lista na chegada dos portugueses, esquecendo a fase 1.
- Julgar que o tráfico de escravos terminou de repente. Foi diminuindo e sendo proibido de forma gradual.
- Confundir a data da independência (1975) com o fim da guerra (2002).
- Atribuir a mesma data de fim a todas as regiões. A ocupação do interior prolongou-se por várias décadas.
- Misturar fases com reinados ou governos. Fases são períodos longos, com características gerais.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Quantas fases tem a classificação deste artigo e qual é a primeira?
Ver solução
Sete fases; a primeira é a das sociedades antigas e reinos.
2Exercício 2
Em que fase se situa o memorando de abril de 2002?
Ver solução
Na fase 7, paz e reconstrução, que ele abre.
3Exercício 3
Associe cada acontecimento à fase: (a) Conferência de Berlim; (b) início da luta armada; (c) proclamação da independência.
Ver solução
(a) fase 3, transição e ocupação; (b) fase 5, luta de libertação; (c) fase 6, independência e guerra civil.
4Exercício 4
Indique o critério usado para separar as fases 4 e 5.
Ver solução
A relação política com o poder colonial: na fase 4 predomina a administração colonial consolidada; na fase 5, a resistência armada e política que se inicia em 1961.
5Exercício 5
Um manual agrupa as fases 6 e 7 numa só, «Angola independente». Isso é um erro? Justifique.
Ver dica
Lembre-se de que a periodização depende do critério.
Ver solução
Não é necessariamente um erro: a periodização é uma construção. Ao agrupar, o manual escolhe o critério da soberania política. Já a divisão em duas fases dá destaque à diferença entre guerra e paz. Convém conhecer ambas e usar a do programa.
Perguntas frequentes
Quantas fases tem a história de Angola?
Depende da proposta. Este artigo usa sete, mas há manuais com quatro ou cinco, que agrupam algumas delas. O importante é conhecer os marcos e os critérios.
Qual é a classificação mais usada?
Não há uma única. Em geral, os programas distinguem o período anterior ao contacto, o período colonial, a luta de libertação e o período da independência. Confirme no programa da sua instituição.
Como memorizar a lista?
Associe cada fase a um verbo e a um marco (Berlim, 1961, 1975, 2002), e treine a ordenar acontecimentos aleatórios. Faça um friso cronológico à mão.
As fases terminam todas ao mesmo tempo em todo o território?
Não. A ocupação, a administração e até a luta decorreram de forma desigual segundo a região.
Resumo
- Propõem-se sete fases: sociedades antigas, contacto e tráfico, transição e ocupação, colonialismo consolidado, libertação, independência e guerra civil, paz.
- Marcos úteis: 1576, 1884–1885, 1961, 1975, 2002.
- A periodização é uma construção, com critérios que se devem justificar.
- As transições são graduais, não cortes totais.
- Siga a divisão do programa da sua instituição.
Onde aprofundar
- O programa e o manual da sua instituição (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Wheeler e Pélissier, História de Angola.
- UNESCO, História Geral de África, volumes sobre a África central e austral.
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