História de Angola · 1.º ano (indicativo)

O que é a periodização da história de Angola?

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Resposta curta

Periodização é a divisão do passado em períodos, escolhidos segundo um critério (político, económico, social ou cultural) e delimitados por marcos. Na história de Angola, uma divisão muito usada distingue: o período anterior ao contacto com os europeus, o contacto e o tráfico de escravos, a ocupação colonial, a luta de libertação e o período da independência. Não é a única possível.

Cinco blocos coloridos alinhados numa mesa de madeira, cada um com um objeto em cima: uma ponta de pedra, um vaso de barro, uma coroa dourada, um veleiro e uma bandeira vermelha e azul.

Definição e características

Dividir o tempo em períodos é uma ferramenta de estudo. O passado é um processo contínuo; a periodização organiza-o para o podermos analisar. Como é uma construção do historiador, tem sempre três elementos:

  • Critério: a pergunta que orienta a divisão (quem governava? como se produzia? que relações havia com o exterior?).
  • Marcos: acontecimentos que simbolizam a passagem de um período a outro (uma data, um tratado, uma proclamação).
  • Limites: nenhuma divisão é perfeita; as mudanças são lentas e variam de região para região.

Uma periodização muito usada

PeríodoCritério dominanteMarcos habituais
Sociedades anteriores ao contacto com os europeusorganização própria: aldeias, chefaturas, reinosmigrações bantu, formação do Kongo e do Ndongo
Contacto e tráfico atlânticorelação com Portugal e comércio de escravoschegada de navegadores portugueses à costa (década de 1480); fundação de Luanda (1576)
Ocupação e administração colonialcontrolo político e económico portuguêsConferência de Berlim (1884–1885) e campanhas de ocupação
Luta de libertaçãoresistência ao regime colonial1961, início da luta armada
Independência e Estado angolanosoberania e construção do Estado11 de novembro de 1975; paz em 2002

Os manuais podem agrupar ou subdividir estes períodos de maneira diferente. Siga sempre a divisão adotada no programa e no manual da sua instituição.

Conceitos relacionados

  • Cronologia: ordem dos acontecimentos; a periodização usa-a, mas não é o mesmo que ela.
  • Facto, processo e estrutura: um facto é pontual; um processo dura anos; uma estrutura muda muito devagar.
  • Rutura e continuidade: em cada marco há algo que muda, mas também algo que permanece.

Exemplos do quotidiano

Exemplo 1 — Situar um acontecimento

Enunciado: Em que período se situa a proclamação da independência, a 11 de novembro de 1975?

Resolução:

  1. Identifique o marco: proclamação da independência, 11 de novembro de 1975.
  2. Consulte a tabela: esse marco abre o período de independência e construção do Estado angolano.
  3. Verifique o critério: o que muda é a soberania política.

Resposta: no período da independência e do Estado angolano, que começa precisamente com esse marco.

Verificação: nesse dia termina a administração colonial portuguesa e começa o Estado independente.

Exemplo 2 — Aplicar um critério diferente

Enunciado: Se o critério fosse económico, em vez de político, que mudança poderia servir de marco no século XIX?

Resolução:

  1. Pense em transformações económicas: no século XIX diminuiu e acabou o comércio atlântico de escravos e cresceram outros produtos de exportação.
  2. A mudança de um comércio dominado pelo tráfico para outras mercadorias pode marcar um novo período.
  3. Compare com o critério político, em que o marco seria a ocupação efetiva do território, no fim do século.

Resposta: a transição do tráfico de escravos para outras atividades comerciais, que mostra como o critério muda as datas.

Verificação: o mesmo século pode ser dividido de modos diferentes conforme a pergunta que fazemos.

Exemplo 3 — Nível de exame: justificar uma periodização

Enunciado: Justifique porque se considera 1961 um marco importante.

Resolução:

  1. Em 1961 inicia-se a luta armada contra o domínio colonial, em Luanda e no norte do território.
  2. Este facto muda a relação política entre os angolanos e o poder colonial, abrindo um período de conflito que levou à independência.
  3. Por isso, os manuais usam esta data para abrir o período de luta de libertação.
  4. Convém acrescentar que a interpretação dos acontecimentos de 1961 é debatida, e que a luta tem raízes em movimentos e resistências anteriores.

Resposta: 1961 marca o início da luta armada e a passagem a um período de confronto aberto com o poder colonial.

Verificação: a resposta apresenta o facto, o efeito e a nuance sobre as raízes anteriores.

Importância e aplicações

  • Estudo: facilita memorizar e comparar períodos.
  • Exame: muitas perguntas pedem para situar um facto num período ou justificar um marco.
  • Pensamento crítico: mostra que a História é uma construção e que dividir o tempo é uma escolha.

Erros e confusões frequentes

  • Pensar que os marcos são «cortes bruscos». Em 1975, por exemplo, mudou o poder político, mas muitas estruturas sociais e económicas continuaram.
  • Decorar uma tabela sem saber o critério. Sem o critério, não se consegue justificar a divisão.
  • Esquecer o que existia antes do contacto com os europeus. A periodização não deve começar no navegador, mas nas sociedades africanas.
  • Misturar critérios no mesmo período (político num ponto, económico noutro) sem o dizer.
  • Achar que só há uma periodização «certa». Há propostas diferentes; o essencial é conhecer a do programa e saber justificá-la.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Defina periodização e indique os seus três elementos.

Ver solução

É a divisão do passado em períodos segundo um critério. Elementos: critério, marcos e limites.

2Exercício 2

Em que período da tabela se insere o início da luta armada em 1961?

Ver solução

No período da luta de libertação, que esse marco abre.

3Exercício 3

Verdadeiro ou falso: «Uma periodização é uma divisão natural do tempo, igual para todos os historiadores.» Justifique.

Ver solução

Falso. É uma construção do historiador, que depende do critério escolhido; por isso há propostas diferentes.

4Exercício 4

Explique a diferença entre um critério político e um critério económico para dividir a história de Angola, com um exemplo de marco de cada.

Ver solução

Critério político: usa mudanças de poder, como a independência de 1975. Critério económico: usa mudanças na produção e no comércio, por exemplo a passagem do tráfico atlântico de escravos a outros produtos de exportação no século XIX. Os marcos e as datas podem mudar consoante o critério.

5Exercício 5

Um aluno diz que «a história de Angola começa em 1482». Critique, recorrendo à ideia de periodização.

Ver dica

Pense no primeiro período da tabela.

Ver solução

Falha porque ignora o período anterior ao contacto, em que já existiam povos, aldeias, chefaturas e reinos. Uma periodização equilibrada começa nas sociedades africanas e só depois inclui o contacto com os europeus. A data em causa é, quando muito, um marco do período seguinte, e não o início da história.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre periodização e cronologia?

Cronologia é a ordenação dos factos no tempo. Periodização é agrupar esses factos em períodos com sentido, a partir de um critério. A cronologia é a base; a periodização é uma interpretação.

Onde se aplica a periodização na prática?

Em trabalhos académicos, manuais e exames: serve para organizar um texto, estruturar uma resposta e situar acontecimentos. Também se aplica a qualquer outro tema (por exemplo, a história de uma instituição).

Que erros os estudantes cometem?

Decorar datas sem critério, tratar os marcos como cortes totais e esquecer as sociedades anteriores ao contacto. Em exame, convém sempre justificar o marco.

Que períodos devo usar no exame?

Os do programa e do manual indicados pela sua instituição. A tabela deste artigo é uma proposta de estudo; confirme se a sua disciplina agrupa os períodos da mesma forma.

Resumo

  • Periodização: divisão do passado em períodos, segundo um critério.
  • Tem critério, marcos e limites.
  • Uma proposta frequente: sociedades anteriores ao contacto, contacto e tráfico, ocupação colonial, luta de libertação, independência.
  • Os marcos são simbólicos: há continuidades entre períodos.
  • Não existe uma única periodização; justifique sempre a que usa.

Onde aprofundar

  • O programa e o manual da sua instituição (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Wheeler e Pélissier, História de Angola, para uma visão geral por períodos.
  • UNESCO, História Geral de África, para o contexto africano de cada período.

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