História de Angola · 1.º ano (indicativo)

O que são as fronteiras de Angola?

  • 6 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

As fronteiras de Angola são as linhas que separam o país da República Democrática do Congo, da Zâmbia e da Namíbia, além da fronteira de Cabinda com a República do Congo e a RDC, e da costa atlântica. Foram traçadas sobretudo por tratados entre potências coloniais, entre o fim do século XIX e o início do XX, e mantidas após a independência.

Savana ao pôr do sol com um marco de pedra com uma estrela de oito pontas, um teodolito de latão num tripé e uma mesa com mapa antigo, linha vermelha tracejada e bússola.

Definição e características

Uma fronteira é a linha que delimita o território de um Estado. Em Angola, as fronteiras terrestres têm uma origem colonial: resultaram de negociações entre Portugal e outras potências (Alemanha, Grã-Bretanha, Estado Livre do Congo/Bélgica), muitas vezes sem consulta às populações locais.

Vizinhos de Angola

DireçãoVizinho
Norte e nordesteRepública Democrática do Congo
LesteZâmbia
SulNamíbia
OesteOceano Atlântico
Enclave de CabindaRepública do Congo (norte) e RDC (sul e leste)

Como se formaram

  • Conferência de Berlim (1884–1885): estabeleceu o princípio da ocupação efetiva e levou as potências a negociar limites.
  • Norte e nordeste: convenções entre Portugal e o Estado Livre do Congo, em 1891 e nos anos seguintes, definiram os limites com o que viria a ser o Congo belga.
  • Sul: acordos com a Alemanha, que ocupava o Sudoeste Africano (atual Namíbia), fixaram uma linha ligada ao rio Cunene e ao paralelo que corta o território, depois ao rio Cubango/Okavango.
  • Leste: acordos com a Grã-Bretanha, incluindo a questão do reino do Barotze (Lozi), com arbitragem em 1905.
  • Cabinda: protectorado português desde o Tratado de Simulambuco (1885), separado do resto de Angola por uma faixa do Congo.

Nota

As datas e os tratados concretos podem variar de manual para manual. Use as referências do programa em vigor.

Fronteiras naturais e artificiais

  • Naturais: seguem rios, como o Cunene, o Cubango (Okavango) e o rio Congo em partes do norte.
  • Artificiais (geométricas): seguem linhas retas ou paralelos, sem relação com o relevo ou com os povos.

Depois da independência

A independência foi proclamada a 11 de novembro de 1975. A Organização da Unidade Africana, em 1964, tinha adotado o princípio da intangibilidade das fronteiras herdadas da colonização: os novos Estados mantêm as fronteiras coloniais para evitar guerras. Angola seguiu esse princípio.

Exemplos do quotidiano

Exemplo 1 — Fronteira natural e artificial

Enunciado: O Cunene separa em partes Angola e Namíbia; noutras partes a fronteira é uma linha reta. Classifique cada situação.

Resolução:

  1. Onde a fronteira segue o rio, é natural.
  2. Onde segue uma linha reta ou um paralelo, é artificial.

Resposta: rio, natural; linha reta, artificial. Verificação: o critério é a referência ao relevo.

Exemplo 2 — Povos divididos

Enunciado: Há povos que vivem dos dois lados de uma fronteira de Angola. Que consequência histórica isso mostra?

Resolução:

  1. As potências traçaram limites sem considerar a distribuição dos povos.
  2. Grupos como os Kwanyama (Angola e Namíbia) ou os Kongo (Angola, RDC e Congo) ficaram repartidos.

Resposta: as fronteiras coloniais cortaram áreas culturais, o que ainda hoje se vê nas ligações familiares e comerciais entre os dois lados. Verificação: mostra o caráter artificial das linhas.

Exemplo 3 — Nível de exame: Cabinda

Enunciado: Explique por que Cabinda é um enclave.

Resolução:

  1. Cabinda é protectorado português desde 1885.
  2. Entre Cabinda e o resto de Angola ficou uma faixa de território do Congo, junto à foz do rio.
  3. Por isso não há continuidade territorial.

Resposta: é um enclave porque o território angolano está separado do restante pelo território congolês.

Importância e aplicações

  • Explica relações com os vizinhos, comércio e circulação de pessoas.
  • Está na base de questões atuais de segurança e de gestão de recursos fronteiriços.
  • É tema recorrente em História e em Geografia.

Erros e confusões frequentes

  • Pensar que as fronteiras respeitam os povos. Foram traçadas por potências estrangeiras.
  • Dizer que Cabinda faz fronteira com a Namíbia. Faz com a República do Congo e a RDC.
  • Esquecer a Zâmbia. Está a leste.
  • Confundir intangibilidade com imutabilidade absoluta. É um princípio político, não uma regra física.
  • Atribuir todas as fronteiras a um só tratado. Resultam de vários acordos.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Indique os países que fazem fronteira terrestre com Angola.

Ver solução

República Democrática do Congo, Zâmbia e Namíbia; Cabinda confina ainda com a República do Congo.

2Exercício 2

O que significa «intangibilidade das fronteiras»?

Ver solução

Princípio adotado pela OUA (1964): os Estados africanos mantêm as fronteiras herdadas da colonização.

3Exercício 3

Classifique como natural ou artificial: (a) rio Cunene; (b) linha reta de um paralelo.

Ver solução

(a) natural; (b) artificial.

4Exercício 4

Verdadeiro ou falso: «As fronteiras de Angola foram definidas apenas depois da independência.» Corrija.

Ver solução

Falso. Foram definidas sobretudo por tratados coloniais entre o fim do século XIX e o início do XX; após 1975, Angola manteve-as.

5Exercício 5

Explique a ligação entre a Conferência de Berlim e a definição das fronteiras.

Ver dica

Pense em ocupação efetiva.

Ver solução

Berlim fixou o princípio da ocupação efetiva, o que levou as potências a ocupar territórios e a negociar limites por tratados bilaterais. Assim, as fronteiras resultaram desse processo.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre fronteira e limite?

Na linguagem corrente são usadas como sinónimos. Em geografia, a fronteira costuma ser a zona ou linha de contacto entre Estados, e o limite, a linha traçada.

Onde se aplicam as fronteiras na prática?

No controlo de passagem de pessoas e mercadorias, na gestão de rios partilhados e na cooperação com os vizinhos.

Que erros os estudantes cometem?

Confundir os vizinhos de Cabinda com os do resto do país e pensar que as fronteiras respeitam os povos.

Angola tem fronteira marítima?

Tem costa atlântica a oeste. Os limites marítimos são definidos por regras do direito do mar; consulte fontes atualizadas.

Resumo

  • Angola faz fronteira com RDC, Zâmbia e Namíbia; Cabinda com Congo e RDC.
  • As fronteiras foram traçadas por tratados coloniais.
  • Há fronteiras naturais e artificiais.
  • A independência foi proclamada a 11 de novembro de 1975.
  • Vigora o princípio da intangibilidade.

Onde aprofundar

  • O manual de História ou de Geografia e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Wheeler e Pélissier, História de Angola.
  • UNESCO, História Geral de África, volume VII.

Continue a estudar

1.º ano (indicativo)7 min

O que é a elite crioula de Luanda?

A elite crioula de Luanda foi um grupo de angolanos urbanos, africanos e mestiços, nascidos em Angola e com educação de tipo português, que se destacou sobretudo na…

3 exemplos5 exercícios com solução

1.º ano (indicativo)6 min

O que é a Conferência de Berlim e Angola?

A Conferência de Berlim (1884–1885) foi uma reunião de potências europeias, convocada pela Alemanha de Bismarck, que fixou regras para a ocupação de África, como a…

3 exemplos5 exercícios com solução

1.º ano (indicativo)5 min

O que é a ocupação efetiva do território?

A ocupação efetiva do território foi o processo pelo qual Portugal, depois da Conferência de Berlim, passou a exercer autoridade real sobre o interior de Angola…

3 exemplos5 exercícios com solução

1.º ano (indicativo)5 min

Quais são as resistências à ocupação colonial em Angola?

As resistências à ocupação colonial em Angola foram as lutas armadas e políticas dos povos angolanos contra a imposição do domínio português, sobretudo entre o fim do…

4 exemplos5 exercícios com solução

Ver tudo de História de Angola · Capítulo: Ocupação colonial e resistência (séc. XIX – 1930)