História de Angola · 1.º ano (indicativo)

Quais são as resistências à ocupação colonial em Angola?

  • 5 min de leitura
  • 4 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

As resistências à ocupação colonial em Angola foram as lutas armadas e políticas dos povos angolanos contra a imposição do domínio português, sobretudo entre o fim do século XIX e cerca de 1920. As principais ocorreram entre os Dembos (norte), no Bailundo (planalto central, 1902), no Kongo (1913–1914) e entre os Kwanyama (sul, até 1917).

Colina rochosa com uma fortaleza de pedra ao longe sob um céu nublado, e em primeiro plano uma lança e um escudo oval de madeira com rebites encostados a um grande rochedo.

Critério de classificação

Os manuais não adotam uma lista única. Para estudar, use dois critérios em simultâneo:

  • Região: norte (Dembos, Kongo), planalto central (Bailundo), sul (Cuamato, Kwanyama).
  • Forma: resistência armada (guerras e revoltas) e resistência passiva ou política (fuga das populações, recusa de impostos e de trabalho, preservação da cultura).

Nota

Há outras resistências na lista completa de alguns manuais (por exemplo, no leste e no sudeste). Aprenda primeiro estas, que aparecem em quase todos os programas, e acrescente as que o seu professor indicar.

Descrição de cada resistência

ResistênciaRegiãoIdeias-chave
Dembosnorte, a nordeste de Luandaresistência prolongada na região montanhosa; recusa de impostos e de autoridade colonial
Bailundo (1902)planalto centralrevolta liderada por Mutu ya Kevela contra abusos do comércio e do trabalho forçado
Kongo (1913–1914)norte, antigo reino do Kongorevolta contra impostos e trabalho; ligação à memória do antigo reino
Cuamatosulresistência armada de povos do sul; forte organização militar
Kwanyama (até 1917)sul, junto à fronteira com a Namíbiarei Mandume ya Ndemufayo; derrota e morte em combate em 1917

Causas comuns

  • Perda de soberania de reinos e chefaturas.
  • Impostos pagos pelos africanos.
  • Trabalho forçado e abusos dos comerciantes.
  • Ocupação de terras e controlo do comércio.

Resultados

Quase todas as resistências foram derrotadas, por causa da superioridade do armamento e da logística portuguesa, de divisões entre povos e da ação de aliados locais. Mas deixaram memória que alimentou o nacionalismo do século XX.

Exemplos

Exemplo 1 — Bailundo

Enunciado: Identifique o ano e a causa principal da revolta do Bailundo.

Resolução:

  1. A revolta deu-se em 1902, no planalto central.
  2. As populações sofriam abusos do comércio da borracha e trabalho forçado.

Resposta: 1902; reação a abusos económicos e à perda de autonomia. Verificação: o planalto central corresponde ao Bailundo.

Exemplo 2 — Kwanyama

Enunciado: Explique o fim da resistência kwanyama.

Resolução:

  1. Os Kwanyama resistiram durante anos, vencendo e perdendo batalhas.
  2. Em 1915, foi lançada uma campanha portuguesa de grande dimensão.
  3. Mandume ya Ndemufayo morreu em combate em 1917.

Resposta: a derrota e a morte de Mandume (1917) marcaram o fim da resistência organizada no sul.

Exemplo 3 — Classificar por região

Enunciado: Agrupe Dembos, Bailundo, Kongo e Kwanyama por região.

Resolução:

  1. Norte: Dembos e Kongo.
  2. Planalto central: Bailundo.
  3. Sul: Kwanyama.

Resposta: norte (Dembos, Kongo); centro (Bailundo); sul (Kwanyama).

Exemplo 4 — Nível de exame: forma de resistência

Enunciado: Uma comunidade que se muda para longe dos postos para escapar ao imposto está a fazer resistência armada?

Resolução:

  1. Não há combate.
  2. Há recusa do poder colonial.

Resposta: não, é resistência passiva.

Quadro-resumo

CaracterísticaResumo
Períodofim do séc. XIX a cerca de 1920
Principais casosDembos, Bailundo, Kongo, Cuamato, Kwanyama
Causassoberania, impostos, trabalho forçado
Resultadoderrota militar, memória nacionalista

Como memorizar

Use as direções: Norte (Dembos e Kongo), Centro (Bailundo) e Sul (Cuamato e Kwanyama): N-C-S.

Erros frequentes

  • Dizer que só houve uma resistência. Houve muitas, em regiões diferentes.
  • Atribuir todas ao mesmo líder. Cada uma teve chefes diferentes.
  • Esquecer a resistência passiva. Também conta.
  • Pensar que foram simples «revoltas locais». Foram resposta a um processo geral de ocupação.
  • Confundir Bailundo (1902) com os Kwanyama (1915–1917). Regiões e datas diferentes.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Indique duas resistências do norte de Angola.

Ver solução

Dembos e Kongo.

2Exercício 2

Em que ano se deu a revolta do Bailundo?

Ver solução

1902.

3Exercício 3

Quem foi o rei kwanyama que morreu em combate em 1917?

Ver solução

Mandume ya Ndemufayo.

4Exercício 4

Indique duas causas comuns das resistências.

Ver solução

Perda de soberania, impostos e trabalho forçado, ocupação de terras (duas à escolha).

5Exercício 5

Explique porque é que as resistências, mesmo derrotadas, foram importantes.

Ver dica

Pense no século XX.

Ver solução

Mostraram que o domínio colonial foi contestado desde o início e deixaram memórias e símbolos usados mais tarde pelos movimentos nacionalistas.

Perguntas frequentes

Quantos são ao todo?

Não há número fixo. Aqui estudam-se cinco principais; confirme as do seu programa.

Qual é a classificação mais usada?

Por região e por forma (armada ou passiva).

Como memorizar a lista?

Com a regra N-C-S: Norte, Centro, Sul.

Houve resistências antes de 1885?

Sim, como as de Njinga no século XVII, mas este artigo trata da ocupação do século XIX e início do XX.

Resumo

  • Resistências entre o fim do século XIX e 1920.
  • Principais: Dembos, Bailundo, Kongo, Cuamato, Kwanyama.
  • Causas: soberania, impostos, trabalho.
  • Formas: armada e passiva.
  • Foram derrotadas, mas alimentaram o nacionalismo.

Onde aprofundar

  • O manual de História de Angola e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Wheeler e Pélissier, História de Angola.
  • UNESCO, História Geral de África, volume VII (resistência e adaptação africanas).

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