História · 9.ª–12.ª classe
O que foi a Revolução do 25 de Abril de 1974?
Resposta curta
A Revolução do 25 de Abril de 1974, ou Revolução dos Cravos, foi o movimento militar, apoiado pela população, que derrubou em Portugal o regime autoritário do Estado Novo. Foi iniciada pelo Movimento das Forças Armadas (MFA), abriu caminho à democracia em Portugal e às independências das colónias, incluindo Angola.
Contexto histórico
Portugal vivia desde 1933 sob o Estado Novo, um regime de partido único, com censura, polícia política (a PIDE) e ausência de liberdades. Depois de Salazar, afastado do poder em 1968, o governo foi chefiado por Marcello Caetano, que manteve o essencial do regime.
Desde 1961, Portugal travava guerras coloniais em Angola, na Guiné e em Moçambique contra os movimentos de libertação. A guerra durava mais de uma década, custava muitas vidas e recursos, e o regime recusava negociar a independência das colónias.
Causas
- Falta de liberdades políticas: censura, perseguições, repressão da oposição.
- Guerra colonial prolongada, que desgastou o exército, a economia e a sociedade.
- Descontentamento dos militares, em particular dos oficiais de patente média (capitães), que formaram o MFA.
- Atraso económico e emigração: muitos portugueses emigravam para a França e outros países em busca de melhores condições.
- Isolamento internacional de Portugal devido ao colonialismo.
- Ideias de mudança, como as expressas no livro Portugal e o Futuro (1974) do general António de Spínola, que defendia uma solução política para a guerra.
Desenvolvimento: o dia 25 de abril de 1974
- Na noite de 24 para 25 de abril, a rádio emitiu senhas combinadas para iniciar o golpe: a canção E Depois do Adeus (Paulo de Carvalho), a que se seguiu Grândola, Vila Morena (Zeca Afonso).
- As forças do MFA, com Otelo Saraiva de Carvalho a coordenar as operações, ocuparam pontos-chave em Lisboa, entre eles a rádio e a televisão. Salgueiro Maia liderou a coluna militar que cercou o governo no Largo do Carmo.
- Marcello Caetano rendeu-se ao general Spínola, e o regime caiu praticamente sem derramamento de sangue, embora a PIDE tenha disparado e causado mortes.
- A população saiu à rua e ofereceu cravos vermelhos aos soldados, o que deu nome à revolução.
Os «três D»
O programa do MFA resumia-se em: democratizar, descolonizar e desenvolver.
Consequências
- Fim do Estado Novo, da censura e da polícia política; libertação dos presos políticos.
- Democracia em Portugal: partidos, sindicatos, liberdade de imprensa. Em 25 de abril de 1975, houve as primeiras eleições livres para a Assembleia Constituinte, e a Constituição foi aprovada em 1976.
- Descolonização: o fim da guerra colonial e o reconhecimento das independências da Guiné-Bissau, de Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e de Angola (11 de novembro de 1975).
- Retorno de muitos portugueses das colónias, os chamados «retornados».
- Período revolucionário de grandes transformações políticas e económicas entre 1974 e 1976.
- Para Angola: abriu o caminho para as negociações com os movimentos de libertação, como o Acordo de Alvor, em janeiro de 1975, e para a independência.
Cronologia
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 1933 | Início do Estado Novo |
| 1961 | Início da guerra colonial em Angola |
| 1968 | Marcello Caetano substitui Salazar |
| 25 de abril de 1974 | Revolução dos Cravos |
| janeiro de 1975 | Acordo de Alvor |
| 25 de abril de 1975 | Eleições para a Assembleia Constituinte |
| 11 de novembro de 1975 | Independência de Angola |
| 1976 | Constituição democrática portuguesa |
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Calcular a duração do Estado Novo
Enunciado: O Estado Novo começou em 1933 e caiu em 1974. Quantos anos durou?
Resolução:
- Subtraia: 1974 − 1933 = 41.
Resposta: cerca de 41 anos. Verificação: 1933 + 41 = 1974.
Exemplo 2 — Ligar a guerra colonial à revolução
Enunciado: Explique a relação entre a guerra colonial e o 25 de Abril.
Resolução:
- A guerra durava desde 1961 e exigia muitos soldados e dinheiro.
- O desgaste criou descontentamento entre os oficiais, que formaram o MFA.
- O regime não aceitava negociar, e o impasse levou os militares a derrubá-lo.
- Depois do golpe, o novo poder abriu negociações com os movimentos de libertação.
Resposta: a guerra colonial foi uma das principais causas do golpe e a revolução provocou o fim da guerra e as independências.
Exemplo 3 — Nível de exame: o significado dos três D
Enunciado: Explique os «três D» do programa do MFA.
Resolução:
- Democratizar: acabar com o regime autoritário, restabelecer liberdades e eleições.
- Descolonizar: pôr fim à guerra e reconhecer o direito à independência das colónias.
- Desenvolver: melhorar as condições económicas e sociais do país.
Resposta: o programa visava o fim da ditadura, o fim do império colonial e o progresso económico e social.
Erros frequentes
- Dizer que foi uma revolta popular sem militares. O golpe foi militar, com apoio popular.
- Confundir Estado Novo com a Primeira República. São regimes diferentes.
- Atribuir a revolução a Spínola. O MFA preparou o golpe, e Spínola foi a figura a quem Caetano se rendeu.
- Pensar que as independências foram imediatas. O processo levou mais de um ano.
- Dizer que o 25 de Abril foi só um acontecimento português. Teve efeito direto em Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde e São Tomé.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Qual foi o regime derrubado em 25 de abril de 1974?
Ver solução
O Estado Novo, regime autoritário português, que durava desde 1933.
2Exercício 2
Que música serviu de senha para iniciar o golpe, e quem a cantou?
Ver solução
Grândola, Vila Morena, de Zeca Afonso, transmitida na rádio na madrugada de 25 de abril.
3Exercício 3
Calcule quantos anos passaram entre o início da guerra colonial em Angola (1961) e o 25 de Abril.
Ver solução
1974 − 1961 = 13 anos.
4Exercício 4
Indique duas consequências do 25 de Abril para as colónias portuguesas.
Ver solução
Por exemplo: o fim da guerra colonial; o início de negociações com os movimentos de libertação; as independências de 1974–1975, incluindo a de Angola em 11 de novembro de 1975.
5Exercício 5
Explique porque se chama «Revolução dos Cravos».
Ver dica
Pense no gesto da população.
Ver solução
Porque pessoas ofereceram cravos vermelhos aos soldados que participavam no golpe. O cravo tornou-se símbolo de uma revolução quase sem violência.
Perguntas frequentes
Quando e onde ocorreu a revolução?
A 25 de abril de 1974, sobretudo em Lisboa, com ações militares noutros pontos do país.
Quem foram os principais protagonistas?
O MFA, em especial capitães como Otelo Saraiva de Carvalho e Salgueiro Maia, o general António de Spínola e o chefe do governo Marcello Caetano.
Quais foram as consequências a longo prazo?
A democracia portuguesa, a integração europeia nas décadas seguintes e o fim do império colonial português.
Porque é que o tema é estudado em Angola?
Porque o 25 de Abril abriu caminho ao fim do domínio colonial português e à independência de Angola.
Resumo
- Revolução militar de 25 de abril de 1974, com apoio popular.
- Derrubou o Estado Novo (1933–1974).
- Causas: ditadura, guerra colonial e descontentamento dos militares.
- Programa dos três D: democratizar, descolonizar, desenvolver.
- Abriu caminho às independências, incluindo Angola em 1975.
Onde aprofundar
- O manual de História da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Portugal e o Futuro, de António de Spínola, como fonte do período.
- A coleção História Geral de África, da UNESCO, para o contexto das independências.
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