História · 7.ª–12.ª classe

O que foram os Acordos de Alvor?

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  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Os Acordos de Alvor foram o tratado assinado a 15 de janeiro de 1975, em Alvor (Algarve, Portugal), entre o Estado português e os três movimentos de libertação de Angola: MPLA, FNLA e UNITA. Fixaram a independência para 11 de novembro de 1975 e criaram um governo de transição, mas não evitaram o conflito entre os movimentos.

Contexto histórico

A Revolução de 25 de abril de 1974, em Portugal, derrubou o regime do Estado Novo e abriu caminho à descolonização. Em julho de 1974, o novo poder reconheceu por lei o direito das colónias à independência. Seguiram-se cessar-fogos entre as forças portuguesas e os movimentos.

O problema era que Angola tinha três movimentos rivais, cada um com uma base regional, uma liderança e apoios externos diferentes. Em janeiro de 1975, os três líderes reuniram-se em Mombaça (Quénia), onde acordaram uma posição comum, e depois negociaram com Portugal em Alvor.

Quem assinou

ParteRepresentante principal
PortugalDelegação do governo português
MPLAAgostinho Neto
FNLAHolden Roberto
UNITAJonas Savimbi

O que dizia o acordo

  • Independência de Angola a 11 de novembro de 1975.
  • Governo de transição com representantes dos três movimentos e de Portugal, chefiado por um Alto-Comissário português.
  • Eleições para uma assembleia constituinte antes da independência.
  • Exército único: forças armadas angolanas integradas, com tropas dos três movimentos, enquanto as tropas portuguesas se retiravam gradualmente.
  • Cabinda foi reconhecida como parte integrante do território de Angola.
  • Os três movimentos eram reconhecidos como os únicos representantes legítimos do povo angolano.

Os detalhes numéricos (por exemplo, o número de soldados de cada parte) variam nos resumos; confirme no seu manual.

Desenvolvimento e fracasso

O governo de transição tomou posse no final de janeiro de 1975, mas a cooperação entre os movimentos foi curta. Houve desconfiança mútua, disputa pelo controlo de Luanda e dos recursos, e cada movimento reforçou as suas forças. A partir de março de 1975, multiplicaram-se os confrontos, sobretudo em Luanda. Em julho de 1975, o conflito alastrou, e o governo de transição desfez-se. As eleições nunca se realizaram.

Fatores do fracasso

  1. Rivalidade política e regional entre MPLA, FNLA e UNITA.
  2. Desconfiança e ausência de uma força armada realmente comum.
  3. Interferência externa: diversos países apoiaram movimentos diferentes, com dinheiro, armas e, mais tarde, tropas.
  4. Fragilidade da administração e da autoridade portuguesa, que se preparava para sair.

Consequências

  • Fim do governo de transição e entrada numa guerra civil.
  • Independência a 11 de novembro de 1975, proclamada pelo MPLA em Luanda, sem eleições e com a FNLA e a UNITA a anunciarem um governo rival no Huambo.
  • Internacionalização do conflito, que se tornou uma das frentes da Guerra Fria em África.
  • Memória: o acordo é estudado como o último esforço de uma independência negociada entre os três movimentos.

Cronologia

DataAcontecimento
25 de abril de 1974Revolução em Portugal
Janeiro de 1975Reunião dos movimentos em Mombaça
15 de janeiro de 1975Assinatura dos Acordos de Alvor
Março a julho de 1975Confrontos crescentes; colapso do governo de transição
11 de novembro de 1975Independência de Angola

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Calcular o prazo

Enunciado: Quanto tempo o acordo previa entre a sua assinatura (15 de janeiro de 1975) e a independência (11 de novembro de 1975)?

Resolução:

  1. De 15 de janeiro a 15 de outubro: 9 meses.
  2. De 15 de outubro a 11 de novembro: 27 dias (16 dias até 31 de outubro, mais 11 dias de novembro).
  3. Total: 9 meses e 27 dias.

Resposta: cerca de 10 meses (9 meses e 27 dias). Verificação: 15 de janeiro mais 10 meses seria 15 de novembro; faltam 4 dias, o que dá 9 meses e 27 dias.

Exemplo 2 — Identificar partes

Enunciado: Quantas partes assinaram os Acordos de Alvor e quais eram?

Resolução:

  1. Três movimentos de libertação: MPLA, FNLA e UNITA.
  2. Mais o Estado português.
  3. 3 + 1 = 4.

Resposta: quatro partes: Portugal, MPLA, FNLA e UNITA. Verificação: os três líderes (Neto, Roberto, Savimbi) mais a delegação portuguesa.

Exemplo 3 — Nível de exame: causas do fracasso

Enunciado: Explique por que razão os Acordos de Alvor não garantiram uma transição pacífica.

Resolução:

  1. Os três movimentos tinham projetos diferentes para o país e pouca confiança entre si.
  2. O exército conjunto não se formou na prática, e cada movimento manteve as suas forças.
  3. Potências estrangeiras apoiaram lados diferentes, o que aumentou a escalada.
  4. As eleições, que poderiam decidir a disputa, não se realizaram.

Resposta: o acordo falhou porque faltavam confiança e instituições comuns, e porque a interferência externa transformou a rivalidade em guerra. Verificação: a resposta contém causas internas e externas.

Erros frequentes

  • Dizer que Alvor foi em Angola. Foi no Algarve, em Portugal.
  • Confundir Alvor com a independência. Alvor é de janeiro; a independência, de novembro de 1975.
  • Esquecer um dos três movimentos. Foram MPLA, FNLA e UNITA.
  • Dizer que o acordo foi cumprido. O governo de transição colapsou e as eleições não se fizeram.
  • Atribuir a falha apenas a um movimento. A literatura aponta causas internas e externas.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Em que data e local foram assinados os Acordos de Alvor?

Ver solução

A 15 de janeiro de 1975, em Alvor, no Algarve (Portugal).

2Exercício 2

Indique dois pontos do acordo.

Ver solução

Por exemplo: a independência de Angola a 11 de novembro de 1975; um governo de transição com os três movimentos e Portugal; a realização de eleições; a integração das forças armadas; o reconhecimento de Cabinda como parte de Angola.

3Exercício 3

Quantos meses faltavam, aproximadamente, entre a assinatura do acordo e a independência?

Ver dica

Conte de janeiro a novembro.

Ver solução

De janeiro a novembro passam cerca de 10 meses (9 meses e 27 dias, contando de 15 de janeiro a 11 de novembro).

4Exercício 4

Associe: Neto, Roberto, Savimbi aos respetivos movimentos.

Ver solução

Agostinho Neto: MPLA. Holden Roberto: FNLA. Jonas Savimbi: UNITA.

5Exercício 5

Explique em cinco linhas por que razão os Acordos de Alvor são considerados um fracasso e o que se seguiu.

Ver solução

Resposta modelo: o acordo previa um governo de transição, eleições e um exército conjunto, mas os movimentos não confiavam uns nos outros e mantiveram forças próprias. Os confrontos começaram em março de 1975 e agravaram-se em julho, e o governo de transição desfez-se. Países estrangeiros apoiaram diferentes movimentos, o que internacionalizou o conflito. As eleições não se realizaram e, a 11 de novembro de 1975, o MPLA proclamou a independência em Luanda, enquanto a FNLA e a UNITA anunciaram um governo rival no Huambo. Seguiu-se uma longa guerra civil.

Perguntas frequentes

Quando e onde ocorreu o acordo?

A 15 de janeiro de 1975, no Algarve, em Portugal, depois de uma reunião prévia dos três movimentos em Mombaça, no Quénia.

Quem foram os principais protagonistas?

Pelos movimentos, Agostinho Neto (MPLA), Holden Roberto (FNLA) e Jonas Savimbi (UNITA); por Portugal, uma delegação do governo português, cujos nomes variam nos manuais.

Quais foram as consequências a longo prazo?

A independência sem eleições, a guerra civil, a intervenção de potências estrangeiras e uma divisão política que marcou as décadas seguintes.

Qual é a diferença entre os Acordos de Alvor e a independência?

Alvor é o acordo que marcava a data da independência; a independência foi o acontecimento de 11 de novembro de 1975, já sem o acordo em vigor.

Resumo

  • Os Acordos de Alvor foram assinados a 15 de janeiro de 1975, no Algarve.
  • Partes: Portugal, MPLA, FNLA e UNITA.
  • Previam independência a 11 de novembro de 1975, governo de transição, eleições e exército conjunto.
  • Falharam por desconfiança, rivalidade e interferência externa.
  • A independência acabou por ser proclamada sem eleições, e o conflito continuou.

Onde aprofundar

  • O manual de História da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • História Geral de África (UNESCO), volume VIII, sobre a África desde 1935.
  • Odd Arne Westad, The Global Cold War (em inglês), capítulo sobre Angola e a Guerra Fria.

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