Sociologia · 10.ª–12.ª classe

O que é o interacionismo simbólico?

  • 7 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

O interacionismo simbólico é uma corrente da Sociologia e da Psicologia Social (George H. Mead, Herbert Blumer) segundo a qual a sociedade e o «eu» se constroem na interação entre as pessoas, através de símbolos (língua, gestos, objetos) cujos significados são criados e interpretados socialmente.

Definição e características

O interacionismo simbólico desenvolveu-se sobretudo na Universidade de Chicago, no início do século XX. As ideias de George Herbert Mead (1863–1931), reunidas após a sua morte no livro Mente, Self e Sociedade (1934), foram sistematizadas por Herbert Blumer (1900–1987), que criou a expressão «interacionismo simbólico» em 1937.

Em vez de partir das grandes estruturas sociais (como Durkheim), esta corrente estuda as interações do dia a dia: como as pessoas se relacionam e dão sentido ao que fazem. É uma abordagem de nível micro.

As três premissas de Blumer

  1. As pessoas agem em relação às coisas com base nos significados que estas têm para elas. (Um mesmo objeto, como uma bandeira, tem significados diferentes para pessoas diferentes.)
  2. Esses significados nascem da interação social com os outros; não são naturais nem fixos.
  3. Os significados são usados e modificados através de um processo de interpretação: cada pessoa interpreta a situação e ajusta a sua ação.

Conceitos principais

ConceitoSignificado
Símboloalgo que representa outra coisa e é compreendido pelo grupo (palavra, gesto, imagem)
Significadosentido atribuído a um símbolo, construído socialmente
Interaçãoação recíproca entre pessoas, com comunicação de significados
Self (o «eu»)a identidade, que se forma ao ver-nos através dos olhos dos outros
Tomar o papel do outrocolocar-se no lugar do outro para antecipar as suas reações (Mead)
Outro generalizadoas expectativas gerais da sociedade, interiorizadas pelo indivíduo
Definição da situaçãoa maneira como as pessoas interpretam o que se passa e agem em consequência

Exemplos do quotidiano

Exemplo 1 — Um gesto, vários significados

Enunciado: O polegar levantado pode significar «tudo bem» num lugar e ser ofensivo noutro. O que mostra isto, segundo o interacionismo simbólico?

Resolução:

  1. O gesto, em si, não tem um sentido natural.
  2. O seu significado é construído pelas interações de cada grupo.
  3. As pessoas agem de acordo com o significado que conhecem.

Resposta: mostra que os significados são socialmente construídos (premissa 2), e que as pessoas agem com base nos significados que lhes atribuem (premissa 1).

Exemplo 2 — Formação do «eu»

Enunciado: Uma criança é muitas vezes elogiada pelos professores como «boa aluna». Como pode isto influenciar a sua identidade?

Resolução:

  1. A criança vê-se através do olhar dos outros.
  2. Interioriza o rótulo «boa aluna» e passa a agir de acordo com ele (esforça-se mais).
  3. A identidade (o self) forma-se na interação.

Resposta: o «eu» desenvolve-se a partir do modo como os outros nos tratam e nos definem; os rótulos podem reforçar ou condicionar comportamentos.

Exemplo 3 — Nível de exame: definição da situação

Enunciado: Dois alunos recebem um aviso do professor: um interpreta-o como uma ameaça, o outro como um incentivo. Como explica o interacionismo simbólico a diferença de reações?

Resolução:

  1. Cada aluno atribui um significado diferente à mesma mensagem.
  2. A sua reação depende desse significado, e não do aviso em si.
  3. As experiências anteriores de cada um, vividas em interação com outros, influenciam essa interpretação.

Resposta: as reações diferem porque as pessoas agem segundo os significados que atribuem à situação (a «definição da situação»).

Importância e aplicações

  • Educação: ajuda a compreender como as expectativas dos professores e dos colegas influenciam o comportamento e a autoimagem dos alunos.
  • Estudos sobre identidade, estigma e desvio: mostra como os rótulos sociais afetam as pessoas.
  • Comunicação e relações humanas: mostra a importância da interpretação, dos gestos e da linguagem.
  • Pesquisa qualitativa: usa observação, entrevistas e estudos de caso para compreender os significados dos próprios atores.

Críticas

Alguns sociólogos consideram que esta corrente se concentra demasiado nas interações do quotidiano e negligencia as estruturas sociais (economia, instituições, poder) que condicionam essas interações. Outros acham que os conceitos são pouco precisos e difíceis de medir.

Erros e confusões frequentes

  • Pensar que «simbólico» quer dizer «imaginário» ou «irreal». Refere-se aos símbolos e aos significados que as pessoas partilham.
  • Dizer que a sociedade não existe fora das interações. A corrente sublinha o papel das interações, mas não nega a existência de estruturas.
  • Confundir com o funcionalismo ou com Durkheim, que partem de estruturas e não das interações.
  • Achar que os significados são individuais e arbitrários. São construídos e partilhados em grupo.
  • Atribuir a Mead o termo «interacionismo simbólico». Foi Blumer quem o criou.
  • Esquecer a dimensão da interpretação: as pessoas não reagem automaticamente, interpretam primeiro.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Enuncie as três premissas do interacionismo simbólico de Blumer.

Ver solução

(1) As pessoas agem com base nos significados que as coisas têm para elas; (2) esses significados nascem da interação social; (3) são usados e modificados por um processo de interpretação.

2Exercício 2

Quem foram Mead e Blumer e qual foi o papel de cada um?

Ver solução

George H. Mead desenvolveu as ideias sobre o self e a interação (obra póstuma Mente, Self e Sociedade, 1934). Herbert Blumer sistematizou-as e criou a expressão «interacionismo simbólico» (1937).

3Exercício 3

Dê um exemplo de símbolo cujo significado varie entre grupos.

Ver solução

Resposta pessoal. Exemplos: o polegar levantado, uma cor de luto (preto num lugar, branco noutro), uma bandeira, um gesto de saudação.

4Exercício 4

Explique a diferença entre a abordagem de Durkheim e a do interacionismo simbólico ao estudar a escola.

Ver dica

Pense em «estruturas» versus «interações».

Ver solução

Durkheim estudaria as normas, as regras e as instituições (factos sociais) que enquadram os alunos. O interacionismo simbólico estudaria como alunos e professores interpretam e dão sentido às situações do dia a dia na sala de aula.

5Exercício 5

O que significa «tomar o papel do outro» em Mead?

Ver solução

Colocar-se no lugar do outro e imaginar como ele vê a situação, para antecipar a sua reação e orientar a própria ação. É essencial para a comunicação e para a formação do self.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre interacionismo simbólico e funcionalismo?

O funcionalismo (Durkheim, entre outros) parte das estruturas e da função de cada instituição para o equilíbrio da sociedade. O interacionismo simbólico parte das interações entre pessoas e dos significados que constroem.

Onde se aplica na prática?

Em estudos de escola, de identidade, de estigma e de comunicação. Por exemplo, ajuda a compreender como os rótulos («bom aluno», «problemático») afetam o comportamento.

Porque se chama «simbólico»?

Porque as interações humanas são mediadas por símbolos (palavras, gestos, imagens), e não apenas por reações automáticas.

Que erros se cometem mais?

Pensar que «simbólico» é «irreal» e confundir esta corrente com o funcionalismo. Veja "Erros e confusões frequentes".

Resumo

  • Interacionismo simbólico: a sociedade e o «eu» constroem-se na interação, através de símbolos.
  • Autores: Mead (ideias) e Blumer (nome e sistematização).
  • Três premissas: ação segundo significados; significados nascidos da interação; interpretação.
  • Conceitos: self, tomar o papel do outro, definição da situação.
  • Crítica: pouca atenção às estruturas sociais.

Onde aprofundar

  • O manual de Sociologia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Mente, Self e Sociedade, de George H. Mead, e Symbolic Interactionism, de Herbert Blumer (em inglês).
  • O manual aberto Introduction to Sociology, da OpenStax (em inglês).

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