Técnicas de Comunicação e Expressão · 8.ª–12.ª classe

Quais são os erros mais comuns em falar em público?

  • 8 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Os erros mais comuns ao falar em público são: ler em vez de falar, falar depressa e baixo, não olhar para o público, encher o discurso de vícios de linguagem, não estruturar as ideias, ultrapassar o tempo e não ensaiar. Evitam-se com preparação, palavras-chave, pausas e treino em voz alta.

Púlpito escuro com um microfone e um copo de vidro tombado, de onde escorre água até ao chão, onde há folhas de papel espalhadas, sob luz azulada.

Porque se cometem estes erros

Quase todos nascem de duas causas: nervosismo (que acelera a fala e prende o olhar ao papel) e falta de preparação (que leva a improvisar, a repetir-se ou a perder o fio). Por isso a solução é sempre a mesma: preparar bem e treinar em voz alta.

Erro 1 — Ler o texto em vez de falar

Errado: o aluno agarra duas folhas e lê do princípio ao fim, de cabeça baixa, com tom monótono. Corrigido: usa um cartão com palavras-chave («cólera: causas, sintomas, prevenção») e explica cada ponto com as suas palavras, levantando a cabeça. Porquê: quem lê não se liga ao público e a voz torna-se plana.

Erro 2 — Falar depressa e baixo

Errado: «bomdiaoutemaquevouapresentarééaimportânciadaleitura» (sem pausas, quase sussurrado). Corrigido: «Bom dia. (pausa) O tema que vou apresentar é a importância da leitura.» Voz audível, ritmo calmo, pausa depois da saudação. Porquê: o nervosismo acelera a fala; as pausas dão tempo ao público para compreender.

Erro 3 — Não olhar para o público

Errado: olhar para o chão, para o teto ou para o quadro. Corrigido: distribuir o olhar por três zonas da sala (esquerda, centro, direita), demorando uns segundos em cada pessoa. Porquê: o olhar mostra segurança e mantém a atenção dos colegas.

Erro 4 — Vícios de linguagem e registo inadequado

Errado: «Então, tipo, o que eu queria dizer é que, pronto, a poluição, tipo, faz mal, né?» Corrigido: «A poluição prejudica a saúde. Vou apresentar três consequências.» Porquê: as muletas verbais («tipo», «pronto», «hum») e a gíria enfraquecem o discurso formal. Troque-as por uma pausa.

Erro 5 — Discurso sem estrutura

Errado: começar a meio, saltar de uma ideia para outra e terminar com «pronto, é isto». Corrigido: introdução (tema e plano), desenvolvimento (uma ideia de cada vez) e conclusão (síntese e mensagem final). Porquê: sem estrutura, o público não sabe onde está nem o que deve reter.

Erro 6 — Ultrapassar o tempo

Errado: preparar 12 minutos de conteúdo para uma intervenção de 5. Corrigido: selecionar 3 ideias, cronometrar o ensaio e cortar o que sobra. Porquê: quem ultrapassa o tempo é interrompido, muitas vezes antes da conclusão.

Erro 7 — Não ensaiar

Errado: «Já sei o assunto, não preciso de treinar.» Corrigido: ensaiar em voz alta, de pé, pelo menos duas ou três vezes. Porquê: saber o assunto não é o mesmo que saber dizê-lo; só falar em voz alta revela as frases difíceis e o tempo real.

Verificação rápida antes de apresentar

PerguntaSim/Não
Resumi o tema numa só frase?
Tenho no máximo 3 a 4 ideias principais?
Tenho introdução e conclusão?
Os cartões têm só palavras-chave?
Ensaiei em voz alta e cronometrei?
Sei a minha primeira frase de cor?

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Encontrar os erros

Enunciado: Um aluno inicia assim: «Hum... então... tipo... eu vou falar do... pronto... lixo.» Identifique os erros e reescreva.

Resolução:

  1. Vícios de linguagem: «hum», «tipo», «pronto».
  2. Hesitação e falta de plano: não anuncia o que vai dizer.
  3. Registo informal para uma situação escolar formal.
  4. Reescreva com cumprimento, tema e plano.

Resposta: «Bom dia, professora e colegas. Vou falar sobre o lixo nas nossas ruas: as causas, as consequências e o que podemos fazer.» Verificação: sem muletas verbais, com tema claro e plano de três partes.

Exemplo 2 — Corrigir uma conclusão

Enunciado: O aluno termina com «e é isto, pronto, já acabei». Corrija.

Resolução:

  1. Falta uma síntese das ideias principais.
  2. Falta uma mensagem final e o agradecimento.
  3. Reescreva retomando as ideias.

Resposta: «Em resumo, vimos as causas, as consequências e as soluções do lixo nas ruas. Cabe a cada um de nós deitar o lixo no sítio certo. Obrigado pela atenção.» Verificação: a conclusão repete as três partes anunciadas na introdução.

Exemplo 3 — Nível de exame: gerir o tempo

Enunciado: O aluno tem 5 minutos e fala a 130 palavras por minuto. O texto que preparou tem 900 palavras. Qual é o problema e a solução?

Resolução:

  1. Em 5 minutos, ao seu ritmo, fala 5 × 130 = 650 palavras.
  2. O texto tem 900 palavras, ou seja, 900 − 650 = 250 palavras a mais.
  3. Há dois caminhos: cortar cerca de 250 palavras, ou passar a cartões de palavras-chave.

Resposta: o texto é demasiado longo em cerca de 250 palavras; deve ser reduzido para cerca de 650 palavras ou menos, ficando com margem para as pausas. Verificação: 650 ÷ 130 = 5 minutos.

Exercício «encontra o erro»

1Exercício 1

Leia e identifique o erro principal: «Boa tarde. (lendo sem levantar os olhos da folha, em tom baixo) A água é muito importante para a vida e a água serve para beber e a água também serve para lavar...»

Ver solução

Há dois erros principais: leitura sem contacto visual e voz baixa e monótona. Há ainda uma repetição excessiva de «a água». Correção: usar palavras-chave, levantar a cabeça, aumentar o volume e variar a construção: «A água é essencial: serve para beber, para a higiene e para cozinhar.»

2Exercício 2

Um orador diz «tipo» onze vezes em dois minutos. Que estratégia usaria para reduzir este vício?

Ver dica

Pense no que pode ocupar o lugar da muleta.

Ver solução

Gravar-se a falar, contar as ocorrências, e treinar a substituir cada «tipo» por uma pausa silenciosa. Pedir a um colega que o avise também ajuda.

3Exercício 3

Um aluno preparou 700 palavras para 4 minutos e fala a 120 palavras por minuto. Vai cumprir o tempo? Justifique.

Ver solução

Em 4 minutos fala 4 × 120 = 480 palavras. Tem 700 − 480 = 220 palavras a mais, por isso não cumpre o tempo. Deve cortar pelo menos 220 palavras, de preferência mais, para deixar espaço às pausas.

4Exercício 4

Reescreva de forma correta: «Então, bué de coisas, mas pronto, vou falar da escola.»

Ver solução

Exemplo: «Hoje vou falar da nossa escola: do ambiente, dos professores e das condições de estudo.» Eliminam-se a gíria («bué»), as muletas («pronto», «então») e anuncia-se o plano.

5Exercício 5

Indique cinco itens de uma lista de verificação a rever na véspera da apresentação.

Ver solução

Resposta possível: objetivo definido numa frase; 3 a 4 ideias principais; introdução e conclusão escritas; cartões com palavras-chave; ensaio em voz alta cronometrado. Também serviria: material pronto e primeira frase sabida de cor.

Perguntas frequentes

Qual é o erro mais comum nos exames orais?

A leitura do texto sem contacto visual, em geral combinada com ritmo demasiado rápido. Os professores valorizam a fala natural, organizada e audível, mais do que um texto perfeito.

Como me autocorrijo sem ajuda?

Grave a sua voz no telemóvel e ouça-a com atenção, anotando vícios de linguagem, velocidade e momentos de hesitação. Depois repita a apresentação corrigindo um defeito de cada vez.

Que exercícios ajudam a evitar estes erros?

Ler em voz alta com pausas, falar um minuto sobre um tema escolhido ao acaso, ensaiar diante do espelho e apresentar a um familiar. Cada um treina um aspeto diferente: dicção, improviso, postura e controlo do tempo.

Se cometer um erro durante a apresentação, o que faço?

Não pare nem peça desculpa muitas vezes. Respire, corrija com naturalidade («perdão, queria dizer...») e continue. O público lembra-se mais da atitude do que do deslize.

Resumo

  • Os erros típicos são ler, falar depressa e baixo, não olhar, usar muletas verbais, faltar estrutura, falhar o tempo e não ensaiar.
  • A maioria resulta de nervosismo e falta de preparação.
  • Corrigem-se com cartões de palavras-chave, pausas, contacto visual e ensaio cronometrado.
  • Use a lista de verificação na véspera de apresentar.
  • Um deslize corrige-se com naturalidade e continua-se.

Onde aprofundar

  • O manual de Técnicas de Comunicação e Expressão da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Uma gramática de referência da língua portuguesa para o estudo dos registos de língua e dos vícios de linguagem.
  • Guias de comunicação oral e de redação profissional existentes na biblioteca da escola.

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