Cálculo Diferencial · 1.º ano (indicativo)

Como estudar a continuidade de uma função definida por ramos?

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  • 4 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Em cada ramo aberto, a função é contínua se a sua expressão o for. O trabalho está nos pontos de junção: uma função é contínua em a se f(a) existe, os limites laterais em a existem e são iguais entre si, e esse valor comum coincide com f(a).

Quando se aplica

Uma função definida por ramos (ou por troços) tem expressões diferentes em intervalos diferentes, por exemplo:

f(x) = x + 1 se x menor que 2; f(x) = 5 − x se x ≥ 2.

Polinómios, exponenciais, seno e cosseno são contínuos em todo o domínio; funções racionais são contínuas onde o denominador não se anula. Por isso, só nos pontos onde a expressão muda (e onde alguma expressão deixa de estar definida) é que a continuidade pode falhar.

Condição de continuidade em x = a

lim(x→a−) f(x) = lim(x→a+) f(x) = f(a)

Pré-requisitos

Cálculo de limites (incluindo laterais), noção de domínio e resolução de equações simples.

Método passo a passo

  1. Identifique os ramos e os pontos de junção (valores de x onde a expressão muda).
  2. Em cada intervalo aberto, verifique se a expressão é contínua (polinómio, racional com denominador não nulo, etc.).
  3. Em cada ponto de junção a, calcule f(a) usando o ramo que inclui a (≤ ou ≥, ou o valor dado a x = a).
  4. Calcule o limite à esquerda com a expressão do ramo da esquerda e o limite à direita com a do ramo da direita.
  5. Compare os três valores. Se forem iguais, f é contínua em a; caso contrário, indique o tipo de descontinuidade (salto, removível, etc.).
  6. Se o enunciado pedir parâmetros (k, a, b), iguale os três valores e resolva as equações.
  7. Escreva a conclusão: o conjunto onde f é contínua.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Verificar a continuidade num ponto

Enunciado: Estude a continuidade de f(x) = 2x − 1 se x menor que 3; f(x) = x + 2 se x ≥ 3.

Resolução:

  1. Cada ramo é um polinómio: contínuo nos intervalos abertos. O único ponto crítico é x = 3.
  2. f(3) = 3 + 2 = 5.
  3. Limite à esquerda: 2 × 3 − 1 = 5. Limite à direita: 3 + 2 = 5.
  4. Os três valores são iguais a 5.

Resposta: f é contínua em todo o conjunto dos reais. Verificação: os dois ramos têm o mesmo valor (5) em x = 3, logo o gráfico não tem salto.

Exemplo 2 — Descontinuidade removível e valor de k

Enunciado: Determine k para que f seja contínua em x = 1, sendo f(x) = (x2 − 1)/(x − 1) se x ≠ 1 e f(1) = k.

Resolução:

  1. O limite quando x → 1: (x2 − 1)/(x − 1) = (x − 1)(x + 1)/(x − 1) = x + 1, que tende para 2.
  2. Para ser contínua: f(1) = limite, ou seja k = 2.

Resposta: k = 2. Verificação: com k = 2, a função coincide com x + 1 em todos os pontos, que é contínua.

Exemplo 3 — Dois pontos de junção e dois parâmetros

Enunciado: Determine a e b para que f seja contínua em R, sendo f(x) = x + 1 se x menor que 1; f(x) = ax + b se 1 ≤ x ≤ 3; f(x) = 6 se x maior que 3.

Resolução:

  1. Em x = 1: limite à esquerda = 1 + 1 = 2; valor do ramo do meio = a + b. Então a + b = 2.
  2. Em x = 3: valor do ramo do meio = 3a + b; limite à direita = 6. Então 3a + b = 6.
  3. Subtraindo as equações: 2a = 4, logo a = 2.
  4. De a + b = 2: b = 0.

Resposta: a = 2 e b = 0. Verificação: em x = 1: 2 × 1 + 0 = 2 ✓. Em x = 3: 2 × 3 + 0 = 6 ✓.

Exemplo 4 — Nível de exame: descontinuidade de salto

Enunciado: Estude a continuidade em x = 2 de f(x) = (x2 − 4)/(x − 2) se x menor que 2; f(x) = 3x − 3 se x ≥ 2.

Resolução:

  1. Para x menor que 2: (x2 − 4)/(x − 2) = x + 2. Limite à esquerda: 2 + 2 = 4.
  2. f(2) = 3 × 2 − 3 = 3; o limite à direita também é 3.
  3. Os limites laterais são diferentes (4 e 3).

Resposta: f não é contínua em x = 2; tem uma descontinuidade de salto de amplitude 1 (de 4 para 3). É contínua em todos os outros pontos. Verificação: com valores próximos, f(1,99) = 3,99 e f(2,01) = 3,03; os valores não se aproximam do mesmo número.

Erros frequentes

  • Calcular só o valor f(a) e esquecer os limites laterais. A continuidade exige os três valores iguais.
  • Usar o ramo errado num limite lateral. À esquerda de a usa-se o ramo dos valores menores que a; à direita, o dos maiores.
  • Substituir logo na expressão sem fatorizar quando dá 0/0: simplifique primeiro (como no Exemplo 2).
  • Esquecer pontos fora das junções, como os zeros do denominador dentro de um ramo racional.
  • Afirmar continuidade só porque os dois ramos se «encontram» no gráfico, sem confirmar que f(a) também tem esse valor.
  • Resolver mal o sistema de parâmetros: escreva uma equação por ponto de junção e confirme no fim.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Estude a continuidade em x = 2 de f(x) = x2 se x menor que 2; f(x) = 4 se x ≥ 2.

Ver solução

f(2) = 4; limite à esquerda: 22 = 4; limite à direita: 4. São iguais: f é contínua em x = 2 (e em R).

2Exercício 2

Estude a continuidade em x = 1 de f(x) = 3x + 1 se x ≤ 1; f(x) = x + 2 se x maior que 1.

Ver solução

f(1) = 4; limite à esquerda = 4; limite à direita = 1 + 2 = 3. Diferentes: descontínua em x = 1, salto de amplitude 1.

3Exercício 3

Determine k para que f seja contínua em x = 3: f(x) = kx + 2 se x menor que 3; f(x) = x2 − 1 se x ≥ 3.

Ver solução

Limite à direita e f(3) = 9 − 1 = 8. Limite à esquerda = 3k + 2. Igualando: 3k + 2 = 8, logo k = 2.

4Exercício 4

Determine a para que f seja contínua em x = 0: f(x) = x + 1 se x menor que 0; f(0) = a; f(x) = x2 + 1 se x maior que 0.

Ver dica

Calcule os dois limites laterais em x = 0.

Ver solução

Limite à esquerda = 0 + 1 = 1; limite à direita = 0 + 1 = 1. Basta f(0) = 1, logo a = 1.

5Exercício 5

Determine a e b para que f seja contínua em R: f(x) = 1 se x ≤ 0; f(x) = ax + b se 0 menor que x menor que 2; f(x) = 5 se x ≥ 2.

Ver solução

Em x = 0: limite à direita = b e f(0) = 1, logo b = 1. Em x = 2: 2a + b = 5, logo 2a = 4 e a = 2. Resposta: a = 2, b = 1.

Perguntas frequentes

Em que pontos devo verificar a continuidade de uma função por ramos?

Nos pontos de junção, onde a expressão muda, e em qualquer ponto onde um ramo não esteja definido, por exemplo onde um denominador se anula. Nos restantes pontos dos ramos, a continuidade vem da expressão.

Existe um método mais rápido?

Quando os ramos são polinómios, basta substituir o valor da junção em cada expressão e comparar. Se os dois valores forem iguais, a função é contínua nesse ponto.

Qual é a diferença entre descontinuidade removível e de salto?

Na removível, os limites laterais são iguais, mas diferentes de f(a) (ou f(a) não existe), por isso basta redefinir f(a). Na de salto, os limites laterais existem, mas são diferentes.

Que erros são mais comuns?

Esquecer um dos três valores (esquerda, direita, f(a)) e trocar o ramo ao calcular um limite lateral. Veja a secção de erros frequentes.

Resumo

  • Uma função por ramos só pode falhar a continuidade nos pontos de junção.
  • Em a, comparam-se três valores: limite esquerdo, limite direito e f(a).
  • Limites laterais calculam-se com o ramo correspondente a cada lado.
  • Com parâmetros, iguala-se e resolve-se uma equação por cada ponto de junção.
  • Se os limites laterais diferem, há descontinuidade de salto; se são iguais mas f(a) é outro valor, é removível.

Onde aprofundar

  • O manual de Matemática/Cálculo do seu curso e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • James Stewart, Cálculo (capítulo sobre continuidade).
  • OpenStax, Calculus (volume 1), gratuito e em inglês, secção de continuidade.

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