Filosofia · 11.ª–12.ª classe

Exercícios resolvidos de Kant e o idealismo alemão

  • 9 min de leitura
  • 4 exemplos resolvidos
  • 6 exercícios com solução
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Resposta curta

Para resolver exercícios sobre Kant e o idealismo alemão, identifique o autor e o problema (conhecimento, moral, o Eu, o Espírito), aplique a definição exata do conceito pedido e justifique com um exemplo ou com uma comparação. Kant limita o saber aos fenómenos e funda a moral no dever; Fichte, Schelling e Hegel procuram superar a coisa em si.

Resumo da teoria necessária

  • Kant (1724–1804): o conhecimento resulta da união de sensibilidade (espaço e tempo) e entendimento (categorias). Conhecemos fenómenos; a coisa em si é pensável, mas incognoscível. É a «revolução copernicana».
  • Moral kantiana: a boa vontade age por dever. O imperativo categórico exige agir por máximas universalizáveis e tratar a humanidade como fim em si.
  • Fichte (1762–1814): elimina a coisa em si; o Eu põe-se a si próprio, e põe o não-Eu como obstáculo à sua atividade moral livre.
  • Schelling (1775–1854): a natureza e o espírito têm uma raiz comum, o Absoluto.
  • Hegel (1770–1831): a realidade é o desenvolvimento do Espírito através de contradições superadas (Aufhebung). Na Fenomenologia do Espírito (1807) descreve as figuras da consciência até ao saber absoluto.

Estratégia de resolução

  1. Sublinhe a palavra de ordem: defina, explique, compare, justifique, classifique.
  2. Identifique autor + obra + conceito.
  3. Escreva primeiro a resposta curta e só depois a justificação.
  4. Confirme se a resposta não mistura autores.

Exercícios resolvidos (nível básico)

Exemplo 1 — Escolha múltipla: o juízo sintético a priori

Enunciado: Para Kant, «7 + 5 = 12» é um juízo: (a) analítico a posteriori (b) sintético a posteriori (c) sintético a priori (d) analítico a priori

Resolução:

  1. Kant sustenta que no conceito de «7 + 5» não está contido o de «12»; é preciso uma síntese (contar ou construir na intuição): o juízo é sintético.
  2. Não depende de experiência particular e é necessário e universal: é a priori.
  3. Escolha a opção que junta as duas características.

Resposta: (c). Verificação: juízo analítico só explicita o que está no sujeito (por exemplo, «todos os corpos são extensos»); aqui há acréscimo de conhecimento.

Exemplo 2 — Resposta curta: fenómeno e coisa em si

Enunciado: Diferencie fenómeno e coisa em si e diga qual pode ser objeto de ciência.

Resolução:

  1. Fenómeno: realidade como aparece ao sujeito, organizada por espaço, tempo e categorias.
  2. Coisa em si: realidade independente das condições do sujeito.
  3. A ciência exige experiência possível; logo, só o fenómeno pode ser seu objeto.

Resposta: o fenómeno é cognoscível e objeto de ciência; a coisa em si pode ser pensada, não conhecida. Verificação: a resposta usa as duas definições e a conclusão.

Exercícios resolvidos (nível intermédio)

Exemplo 3 — Aplicar o teste do imperativo categórico

Enunciado: Uma pessoa pensa em usar dinheiro de uma associação de moradores para um gasto pessoal, prometendo repô-lo, sem tencionar fazê-lo. Aplique o teste da universalização.

Resolução:

  1. Máxima: «Quando preciso de dinheiro, retiro o que não é meu, prometendo repor sem intenção de o fazer.»
  2. Universalizada: todos se apropriariam do dinheiro comum com falsas promessas.
  3. A confiança em que se baseia qualquer fundo comum desapareceria, e a própria máxima deixaria de funcionar.
  4. Fórmula da humanidade: os moradores são usados apenas como meio.

Resposta: a ação é proibida pelas duas fórmulas. Verificação: a máxima só funciona enquanto os outros não a seguem, o que mostra a contradição.

Exemplo 4 — Nível de exame: Kant e Fichte

Enunciado: Explique por que razão Fichte rejeita a coisa em si, e diga o que coloca no seu lugar.

Resolução:

  1. Para Kant, a coisa em si seria a causa das sensações, mas a categoria de causa só vale para fenómenos. Dizer que a coisa em si «causa» algo é contraditório.
  2. Fichte conclui que a coisa em si é desnecessária e inconsistente.
  3. Coloca como princípio o Eu livre e ativo, que se põe a si próprio e, para realizar a sua liberdade moral, põe um não-Eu (o mundo) como obstáculo a superar.
  4. A realidade é assim entendida a partir da atividade do Eu.

Resposta: Fichte rejeita a coisa em si por ser incoerente com a doutrina kantiana da causalidade e substitui-a pelo Eu que põe o não-Eu. Verificação: a resposta liga a rejeição a uma tensão interna do próprio Kant.

Exercícios de exame

Nas provas, esperam-se respostas organizadas: definição, desenvolvimento e relação com outro autor. Em respostas de desenvolvimento, utilize o esquema: tese, argumento, exemplo, objeção possível. Os dois últimos exercícios propostos seguem este modelo.

Erros frequentes

  • Atribuir a Kant o utilitarismo ou, ao contrário, dizer que Mill defende o dever kantiano.
  • Responder «a priori = inato». A priori significa independente da experiência quanto à sua validade.
  • Dizer que a coisa em si é um objeto que se conhece indiretamente. Para Kant, não se conhece.
  • Citar Hegel como se fosse Kant (ou o contrário), por ambos falarem de razão e de liberdade.
  • Não justificar. Uma resposta de uma palavra raramente obtém cotação completa.
  • Dizer que o idealismo alemão nega o mundo. Discute o papel do sujeito e do Espírito na constituição da realidade.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Escolha a opção correta. As formas puras da sensibilidade, em Kant, são: (a) causa e substância (b) espaço e tempo (c) Deus e alma (d) liberdade e imortalidade

Ver solução

(b). Causa e substância são categorias do entendimento; Deus, alma e mundo são ideias da razão.

2Exercício 2

Defina «boa vontade» em Kant.

Ver solução

É a vontade que age por dever, por respeito à lei moral, e não por interesse ou inclinação. É a única coisa boa sem restrição, porque é boa pelo querer e não pelos resultados.

3Exercício 3

Diga se é verdadeira ou falsa: «Segundo Kant, conhecemos a coisa em si pela razão pura.» Corrija se necessário.

Ver dica

Recorde o limite do conhecimento.

Ver solução

Falsa. A razão teórica só conhece fenómenos. A coisa em si pode ser pensada, mas não conhecida.

4Exercício 4

Aplique o imperativo categórico (lei universal) à máxima «faltar às aulas quando me apetece e pedir apontamentos aos colegas».

Ver solução

Universalizada, todos faltariam e ninguém teria apontamentos para emprestar; a prática de partilhar apontamentos, de que a máxima depende, desapareceria. A máxima não é universalizável, logo é proibida. Pela fórmula da humanidade, o estudante usa os colegas apenas como meio.

5Exercício 5

Explique, em cerca de seis linhas, a diferença entre o idealismo transcendental de Kant e o idealismo de Hegel.

Ver solução

Em Kant, o sujeito impõe formas (espaço, tempo, categorias) ao que lhe é dado, e a coisa em si permanece incognoscível; o idealismo é transcendental porque trata das condições do conhecimento. Em Hegel, a realidade é o desenvolvimento do Espírito através de contradições superadas, e não há uma coisa em si inacessível: o real pode ser compreendido racionalmente. O primeiro limita a razão; o segundo procura um sistema que abranja toda a realidade.

6Exercício 6

Comente a frase de Hegel «o que é racional é real, e o que é real é racional» (Princípios da Filosofia do Direito, 1820), evitando a leitura de que tudo o que existe é justo.

Ver solução

Para Hegel, «real» não significa qualquer facto existente, mas o que exprime a necessidade racional e se desenvolve segundo a razão. A frase afirma que a razão não está fora do mundo, que o mundo é inteligível e que o pensamento pode compreender a sua história. Por isso não é uma defesa de todas as injustiças presentes: o que é meramente contingente ou irracional não é «real» neste sentido forte.

Perguntas frequentes

Como estudar este tema com exercícios?

Resolva primeiro as perguntas de definição, depois as de aplicação (imperativo categórico, juízos) e por fim as de comparação (Kant e Fichte, Kant e Hegel). Corrija os erros e reescreva a resposta.

Que tipo de exercícios saem nos exames?

Costumam sair definições, escolha múltipla sobre conceitos (fenómeno, categoria, boa vontade), aplicações do imperativo categórico e comparações entre autores. Confirme o formato no programa em vigor.

Onde posso rever a teoria?

Nos artigos do MeuGuia sobre a revolução copernicana, o criticismo, a ética deontológica e o imperativo categórico, e no manual da sua classe.

Preciso de decorar datas?

Sobretudo a ordem dos autores e as obras principais: Kant (1781, Crítica da Razão Pura), Hegel (1807, Fenomenologia do Espírito). As restantes datas ajudam mas costumam ser menos exigidas.

Resumo

  • Kant: fenómeno, coisa em si, juízos sintéticos a priori.
  • Moral kantiana: dever, boa vontade, imperativo categórico.
  • Fichte: o Eu põe o não-Eu; Schelling: Absoluto; Hegel: Espírito.
  • Responda com definição, justificação e exemplo.
  • Evite misturar autores e confirme obras e datas.

Onde aprofundar

  • O manual de Filosofia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Crítica da Razão Pura e Fundamentação da Metafísica dos Costumes, de Kant; Fenomenologia do Espírito, de Hegel, em tradução portuguesa.
  • A Stanford Encyclopedia of Philosophy e a Internet Encyclopedia of Philosophy, entradas sobre Kant e o idealismo alemão.

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