Língua Portuguesa · 5.ª–12.ª classe
Como usar o conjuntivo corretamente?
Resposta curta
Passos: 1) veja se a frase exprime desejo, dúvida, hipótese ou ordem indireta, ou se tem uma conjunção que pede o conjuntivo (que, embora, para que, talvez, se, quando com sentido de futuro); 2) escolha o tempo (presente, imperfeito ou futuro); 3) forme o verbo a partir da base certa e acrescente a terminação própria.
Quando se aplica
O conjuntivo é o modo da não certeza: exprime o que se deseja, se teme, se duvida ou se imagina, em vez do que se afirma como facto (esse é o domínio do indicativo). Compare:
- Indicativo (certeza): Sei que ele vem amanhã.
- Conjuntivo (dúvida ou desejo): Duvido que ele venha amanhã. Espero que ele venha amanhã.
Costuma aparecer em orações subordinadas, depois de certas palavras:
| Situação | Palavras e expressões | Exemplo |
|---|---|---|
| Desejo, vontade, pedido | querer que, esperar que, pedir que, oxalá | Quero que estudes. |
| Dúvida, possibilidade | talvez, duvidar que, é possível que | Talvez chova hoje. |
| Finalidade | para que, a fim de que | Explico para que entendam. |
| Concessão | embora, ainda que, mesmo que | Embora esteja cansado, vai trabalhar. |
| Condição | se (hipótese), caso, desde que, a não ser que | Caso falte luz, use a vela. |
| Tempo futuro | quando, logo que, assim que, depois que | Quando chegares, telefona. |
| Emoção ou juízo | é pena que, convém que, é importante que | É importante que leia o enunciado. |
Pré-requisitos
Deve saber conjugar o presente do indicativo e o pretérito perfeito do indicativo, porque é deles que se tiram as bases dos três tempos do conjuntivo.
Método passo a passo
- Decida se precisa mesmo do conjuntivo. Se a frase afirma um facto (Sei que, Vejo que, Acho que), use o indicativo.
- Escolha o tempo.
- Presente: refere-se ao presente ou ao futuro próximo (Espero que venhas).
- Imperfeito: refere-se a uma situação irreal ou ao passado (Se eu tivesse tempo, ajudava-te; Queria que viesses).
- Futuro: aparece depois de se ou quando para uma ação futura possível (Se vieres, avisa; Quando chegares, telefona).
- Forme o verbo.
- Presente: parta da 1.ª pessoa do singular do presente do indicativo, retire o -o e acrescente a vogal contrária. Verbos em -ar recebem -e, -es, -e, -emos, -eis, -em; verbos em -er e -ir recebem -a, -as, -a, -amos, -ais, -am. Exemplo: falo dá fale; vendo dá venda; faço dá faça; tenho dá tenha.
- Imperfeito: parta da 3.ª pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo, retire -ram e acrescente -sse, -sses, -sse, -ssemos, -sseis, -ssem. Exemplo: falaram dá falasse; fizeram dá fizesse; foram dá fosse.
- Futuro: a mesma base do imperfeito (sem -ram), com -r, -res, -r, -rmos, -rdes, -rem. Exemplo: falaram dá falar, falares; tiveram dá tiver, tiveres; fizeram dá fizer.
- Confirme as exceções do presente. Alguns verbos não seguem a regra: ser (seja), estar (esteja), haver (haja), ir (vá), saber (saiba), querer (queira) e dar (dê).
- Releia a frase e confirme a concordância com o sujeito.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Presente do conjuntivo
Enunciado: Complete com o presente do conjuntivo: «O professor quer que tu (estudar), que nós (escrever) o texto e que eles (partir) cedo.»
Resolução:
- A expressão quer que pede o conjuntivo, e o sentido é de presente ou futuro próximo.
- Estudar: eu estudo, retira-se -o, e como é verbo em -ar acrescenta-se -es para tu: estudes.
- Escrever: eu escrevo, retira-se -o, e como é verbo em -er acrescenta-se -amos para nós: escrevamos.
- Partir: eu parto, retira-se -o, e para eles acrescenta-se -am: partam.
Resposta: «O professor quer que tu estudes, que nós escrevamos o texto e que eles partam cedo.» Verificação: em todos os casos a vogal da terminação é a contrária da do infinitivo (-e em estudar, -a nos outros).
Exemplo 2 — Imperfeito e futuro numa hipótese
Enunciado: Complete: (a) «Se eu (ter) mais tempo, visitava o Lubango.» (b) «Se eu (ter) mais tempo no domingo, visito o Lubango.»
Resolução:
- Em (a), a hipótese é irreal ou pouco provável, e o verbo principal está no imperfeito (visitava). Pede-se o imperfeito do conjuntivo.
- Ter: pretérito perfeito tiveram, retira-se -ram, fica tive, acrescenta-se -sse: tivesse.
- Em (b), a condição refere-se a um domingo futuro e possível. Pede-se o futuro do conjuntivo: tiveram, retira-se -ram, acrescenta-se -r: tiver.
Resposta: (a) tivesse; (b) tiver. Verificação: em (a) a frase continua «ajudava, visitava», tempos do passado ou irreais; em (b) o verbo principal está no presente com valor de futuro.
Exemplo 3 — Nível de exame: verbos irregulares
Enunciado: Complete com a forma correta do conjuntivo: (a) «Se tu (ver) o Pedro, diz-lhe que telefone.» (b) «Quando vocês (vir) ao Huambo, avisem-nos.» (c) «Embora ele não (querer), vamos insistir.» (d) «É preciso que eu (saber) a resposta.»
Resolução:
- (a) Se + ação futura possível pede o futuro. Ver: viram, tira-se -ram, soma-se -es: vires.
- (b) Quando com sentido de futuro. Vir: pretérito perfeito vieram, tira-se -ram, soma-se -em: vierem.
- (c) Embora pede o presente. Querer é exceção: queira.
- (d) É preciso que pede o presente. Saber é exceção: saiba.
Resposta: (a) vires; (b) vierem; (c) queira; (d) saiba. Verificação: (a) e (b) são formas diferentes (ver dá vir no futuro; vir dá vier), o que mostra por que não se pode confundir os dois verbos.
Erros frequentes
- Usar o infinitivo em vez do futuro do conjuntivo. Errado: «Se eu ver o resultado». Certo: «Se eu vir o resultado.» Estratégia: troque o sujeito por eles; se o verbo fica «verem», o futuro é virem, logo o singular é vir.
- Confundir o futuro de ver com o de vir. Ver: vir, vires, vir; vir: vier, vieres, vier. Veja o significado: olhar é ver; chegar é vir.
- Pôr o indicativo depois de talvez, embora e para que. Errado: «Embora tem tempo». Certo: «Embora tenha tempo.»
- Usar o conjuntivo depois de verbos de certeza. Errado: «Tenho a certeza que ele venha». Certo: «Tenho a certeza de que ele vem.»
- Usar o futuro do indicativo depois de se ou quando. Errado: «Quando chegarás, telefona». Certo: «Quando chegares, telefona.»
- Usar o imperfeito do indicativo em hipóteses. Errado: «Se eu era rico». Certo: «Se eu fosse rico.»
- Esquecer as exceções. Formas como «que eu sabe», «que ele vai» ou «que nós damos» estão erradas: saiba, vá, dê.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Escreva o presente do conjuntivo, 3.ª pessoa do singular, dos verbos comer, abrir e cantar.
Ver dica
Parta da 1.ª pessoa do presente do indicativo: como, abro, canto.
Ver solução
coma, abra, cante. Retira-se o -o e acrescenta-se a vogal contrária: -a para comer e abrir, -e para cantar.
2Exercício 2
Complete com o tempo correto do conjuntivo: «Espero que vocês (fazer) um bom trabalho.»
Ver dica
Espero que indica desejo e refere-se ao futuro próximo.
Ver solução
façam. Parte-se de faço, retira-se -o e, sendo verbo em -er, acrescenta-se -am (para vocês), mantendo o ç antes de a.
3Exercício 3
Corrija as frases: (a) «Se ele ter dinheiro, compra o livro.» (b) «Talvez ela vai à festa.»
Ver solução
(a) «Se ele tiver dinheiro, compra o livro.» (futuro do conjuntivo; pretérito perfeito tiveram, tira-se -ram, soma-se -r.) (b) «Talvez ela vá à festa.» (talvez pede o presente do conjuntivo, e ir é exceção.)
4Exercício 4
Complete com o imperfeito do conjuntivo e com o condicional: «Se nós (ser) mais atentos, (cometer) menos erros.»
Ver dica
Parta de foram (pretérito perfeito de ser). O verbo principal da hipótese irreal não leva conjuntivo.
Ver solução
«Se nós fôssemos mais atentos, cometeríamos menos erros.» Foram perde -ram e recebe -ssemos, com acento no ô. O verbo principal fica no condicional (ou, na fala corrente, no imperfeito do indicativo: cometíamos).
5Exercício 5
Complete com o futuro do conjuntivo: «Quando eles (trazer) os cadernos e (poder) começar, o exame inicia.» (Pretéritos perfeitos: trouxeram, puderam.)
Ver solução
«Quando eles trouxerem os cadernos e puderem começar, o exame inicia.» De trouxeram e puderam retira-se -ram e acrescenta-se -rem (para eles). Verificação: a ação é futura e depende de quando.
Perguntas frequentes
Porque se diz «se eu vir» e não «se eu ver»?
Ver no futuro do conjuntivo tem forma própria, vir, vires, vir. A forma ver é só o infinitivo. Para evitar o erro, forme sempre o futuro a partir do pretérito perfeito (viram).
O conjuntivo usa-se só em orações subordinadas?
Quase sempre, sim. Surge depois de uma palavra de comando (que, se, quando, embora). Há exceções em frases independentes com talvez ou oxalá («Oxalá chova!») e no imperativo de formas de cortesia («Entre, por favor.»).
Como saber se uso o presente ou o imperfeito?
Olhe para o verbo principal. Se está no presente ou no futuro (quero que), use o presente do conjuntivo. Se está no passado ou no condicional (queria que, gostaria que), use o imperfeito.
Depois de «quando» usa-se sempre o conjuntivo?
Não. Se a ação é habitual ou passada, usa-se o indicativo: «Quando chego a casa, janto.» Só se usa o futuro do conjuntivo quando a ação é futura: «Quando chegar a casa, janto.»
Resumo
- O conjuntivo exprime desejo, dúvida, hipótese, finalidade e não afirma factos.
- O presente forma-se da 1.ª pessoa do presente do indicativo, com a vogal contrária (fale, venda, parta).
- O imperfeito e o futuro formam-se da 3.ª pessoa do plural do pretérito perfeito, sem -ram, mais -sse ou -r.
- Exceções do presente: seja, esteja, haja, vá, saiba, queira, dê.
- Depois de se e quando com sentido de futuro, use o futuro do conjuntivo (se vir, quando fizer).
- Depois de verbos de certeza, volta-se ao indicativo.
Onde aprofundar
- O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, capítulo sobre o verbo e os modos.
- O Dicionário Priberam da Língua Portuguesa e o Conjugador do mesmo portal, para confirmar formas verbais.
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