Literatura Portuguesa · 10.ª–12.ª classe
O que é o Romantismo?
Resposta curta
O Romantismo é o movimento artístico e literário que dominou a Europa na primeira metade do século XIX. Contra a regra e a razão clássicas, valoriza o sentimento, a liberdade criadora, a imaginação, o indivíduo e a nação. Em Portugal, convenciona-se que começa em 1825 com Camões, de Almeida Garrett.
O que é e de onde vem
O Romantismo não é só uma «literatura de amor». É uma maneira nova de olhar o mundo, que nasce na Europa entre o fim do século XVIII e o século XIX e atinge a literatura, a música, a pintura e a política. Depois de décadas em que a poesia seguia modelos greco-latinos e regras fixas (o Classicismo e o Neoclassicismo), os escritores românticos defendem que a arte deve nascer da experiência pessoal, da emoção e da originalidade do autor.
Contexto histórico
Vários acontecimentos ajudam a explicar o movimento:
- A Revolução Francesa e as ideias de liberdade e de direitos do indivíduo.
- O crescimento da burguesia e dos leitores, que procuram jornais, romances e teatro.
- A afirmação das nações e do interesse pelo passado e pelas tradições populares.
- Em Portugal, as lutas entre liberais e absolutistas: Almeida Garrett e Alexandre Herculano viveram o exílio por razões políticas e estiveram ligados à causa liberal.
Datas convencionais em Portugal
Os manuais costumam marcar o início em 1825, com a publicação de Camões por Garrett, e o fim em 1865, com a Questão Coimbrã (a polémica entre jovens escritores de Coimbra e a geração de Castilho), que abre caminho ao Realismo. Estas datas são convenções: confirme as que o seu manual adota.
Características principais
| Traço | O que significa | Como se vê nos textos |
|---|---|---|
| Subjetivismo | o «eu» e os seus sentimentos estão no centro | poemas e romances em que se confessam dores e paixões |
| Individualismo e génio | valoriza-se o artista original, que não imita modelos | rutura com as regras clássicas |
| Sentimentalismo | a emoção prevalece sobre a razão | amor intenso, saudade, melancolia, desespero |
| Evasão | fuga a uma realidade que desilude | no tempo (Idade Média), no espaço (terras exóticas), no sonho |
| Nacionalismo | interesse pela história, lendas e costumes do povo | romances históricos, romanceiros, lendas |
| Culto da natureza | a paisagem reflete o estado de alma | noite, ruínas, tempestade, mar |
| Liberdade formal | mistura de géneros e fim de regras rígidas | prosa no drama, digressões, finais trágicos |
O «mal do século»
Expressão usada para a tristeza profunda e o desencanto de muitos românticos: sentem-se incompreendidos, desiludidos com a sociedade e atraídos pela morte. É um dos traços que mais aparece nos exames.
Autores e obras de referência
- Almeida Garrett: Camões, Frei Luís de Sousa, Viagens na Minha Terra, Folhas Caídas.
- Alexandre Herculano: Eurico, o Presbítero, O Bobo, Lendas e Narrativas, além da História de Portugal.
- Camilo Castelo Branco: Amor de Perdição.
- Júlio Dinis: As Pupilas do Senhor Reitor.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Identificar traços num pequeno texto
Enunciado: Leia o excerto (escrito para este exercício): «Ao cair da noite, sozinho nas ruínas do velho castelo, ouvi o vento gemer como se chorasse comigo. Ninguém no mundo compreende esta dor que me consome.» Indique três características românticas.
Resolução:
- «Sozinho», «esta dor que me consome»: o «eu» expõe o seu sofrimento. É subjetivismo e sentimentalismo.
- «Ruínas do velho castelo»: cenário medieval e de decadência. É evasão no tempo e gosto pelo passado.
- «O vento gemer como se chorasse comigo»: a natureza acompanha a emoção. É culto da natureza como espelho da alma.
- «Ninguém compreende»: sentimento de incompreensão, ligado ao mal do século.
Resposta: subjetivismo, evasão no tempo e natureza em sintonia com o estado de alma (e ainda o mal do século). Verificação: cada traço tem uma expressão do texto que o justifica.
Exemplo 2 — Classicismo ou Romantismo?
Enunciado: Classifique cada afirmação como mais própria do Classicismo ou do Romantismo: (a) a arte deve imitar os modelos da Antiguidade; (b) o artista deve seguir a inspiração e a emoção; (c) o equilíbrio e a razão são os ideais; (d) o passado nacional é fonte de inspiração.
Resolução:
- (a) imitação de modelos greco-latinos: Classicismo.
- (b) inspiração e emoção: Romantismo.
- (c) equilíbrio e razão: Classicismo.
- (d) passado e tradições nacionais: Romantismo.
Resposta: a – Classicismo; b – Romantismo; c – Classicismo; d – Romantismo. Verificação: o Romantismo reage justamente contra a imitação e a regra, por isso a e c não lhe pertencem.
Exemplo 3 — Um romance de paixão e destino
Enunciado: Amor de Perdição, de Camilo, conta o amor de Simão Botelho e de Teresa de Albuquerque, contrariado pelas famílias. Que traços românticos se reconhecem neste enredo?
Resolução:
- O amor é vivido com intensidade e contra as convenções sociais: sentimentalismo e individualismo.
- A oposição das famílias e das leis conduz a um desfecho infeliz, com sofrimento e mortes: fatalismo e final trágico.
- A paixão pesa mais do que o interesse e a razão: primado do sentimento.
Resposta: primado do sentimento, individualismo perante a sociedade e destino trágico. Verificação: são traços que também aparecem na lista de características gerais.
Exemplo 4 — Nível de exame: resposta curta organizada
Enunciado: «Em que medida Viagens na Minha Terra, de Garrett, é uma obra romântica?» Estruture uma resposta.
Resolução:
- Subjetivismo: o narrador fala de si, dá opiniões e dirige-se ao leitor.
- Liberdade formal: mistura relato de viagem (de Lisboa a Santarém), digressões, crítica social e uma história sentimental.
- Nacionalismo: reflete sobre Portugal, o seu passado e as suas mudanças políticas.
- Conclusão: a obra rompe com as regras e coloca o autor e o país no centro, o que é típico do Romantismo.
Resposta: é romântica pelo subjetivismo, pela liberdade de forma e pelo nacionalismo. Verificação: cada argumento liga-se a uma característica da tabela, com referência à obra.
Erros frequentes
- Confundir «romântico» com «amoroso». No quotidiano, «romântico» é quem é carinhoso; em Literatura, Romantismo é um movimento com características próprias. O amor é um tema, não a definição.
- Trocar as datas. O início convencional é 1825 e o fim 1865. Associe-os a Camões e à Questão Coimbrã.
- Citar uma característica sem a provar no texto. Em análise, indique sempre a expressão que justifica o traço.
- Confundir com o Realismo. O Realismo (a partir de 1865) critica a sociedade com objetividade; o Romantismo parte da emoção e da subjetividade.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Escolha a opção correta. O Romantismo defende, sobretudo: (a) a imitação dos modelos da Antiguidade; (b) a expressão livre do sentimento e da originalidade; (c) a descrição objetiva da sociedade.
Ver dica
Pense no que o movimento rejeita: as regras impostas pelo Classicismo.
Ver solução
A opção correta é (b). A (a) é característica do Classicismo e a (c) aproxima-se do Realismo.
2Exercício 2
Indique, por convenção, o acontecimento que marca o início e o que marca o fim do Romantismo português.
Ver solução
O início é marcado pela publicação de Camões, de Almeida Garrett (1825). O fim é marcado pela Questão Coimbrã (1865), que abre o caminho ao Realismo. São datas convencionais; confirme as do seu manual.
3Exercício 3
Explique o que é o «mal do século» e dê um exemplo de como se pode manifestar num poema.
Ver solução
O «mal do século» é o estado de tristeza, desencanto e incompreensão de muitos românticos perante a sociedade. Num poema pode manifestar-se pelo tom melancólico, pela solidão do «eu», pelo desejo de fuga ou pela atração pela morte, por exemplo em versos em que o poeta diz que ninguém o compreende e que só encontra consolo na noite.
4Exercício 4
Leia: «O poeta fugiu para a floresta, onde a tempestade lhe pareceu a voz da sua própria revolta.» Identifique dois traços românticos e justifique.
Ver solução
Primeiro traço: natureza em sintonia com a alma, pois a tempestade é vista como a voz da revolta do poeta. Segundo traço: evasão (a fuga para a floresta, longe da sociedade) e individualismo/subjetivismo, porque a experiência pessoal do poeta é o centro do texto.
5Exercício 5
Compare, em cinco linhas, Classicismo, Romantismo e Realismo quanto à atitude do escritor perante a realidade.
Ver dica
Use a ideia central de cada movimento: regra e equilíbrio, sentimento e liberdade, observação e crítica.
Ver solução
No Classicismo, o escritor procura o equilíbrio, a razão e a imitação de modelos antigos. No Romantismo, valoriza o sentimento, a imaginação e a originalidade, e muitas vezes foge à realidade que o desilude. No Realismo, observa a sociedade de forma objetiva e critica-a, procurando mostrar os seus defeitos. Assim, o Romantismo está a meio caminho: reage ao Classicismo, mas é por sua vez contestado pelo Realismo.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre Romantismo e romance?
«Romance» é um género literário narrativo, em prosa, e pode ser de qualquer época. «Romantismo» é um movimento cultural com características próprias. Houve muitos romances românticos, mas também realistas e modernos.
Como aparece o Romantismo nos exames?
Costuma pedir-se a identificação de características num excerto, a relação de uma obra com o movimento ou a comparação com o Classicismo e o Realismo. Responda sempre com o traço, a citação que o prova e uma breve explicação.
O Romantismo só fala de amor?
Não. O amor é muito frequente, mas Herculano escreveu história e Garrett escreveu sobre a pátria. Une-os o sentimento, a liberdade e a identidade nacional.
Resumo
- O Romantismo valoriza o sentimento, a imaginação, a liberdade criadora e a identidade nacional.
- Em Portugal, tem como marcos convencionais Camões (1825) e a Questão Coimbrã (1865).
- Traços principais: subjetivismo, individualismo, sentimentalismo, evasão, nacionalismo e culto da natureza.
- O «mal do século» traduz o desencanto e a melancolia de muitos românticos.
- Autores de referência: Garrett, Herculano, Camilo Castelo Branco e, como transição, Júlio Dinis.
- Não confunda «romântico» (amoroso) com Romantismo (movimento literário).
Onde aprofundar
- O manual de Língua Portuguesa/Literatura da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Edições escolares de Frei Luís de Sousa e de Viagens na Minha Terra, de Almeida Garrett, com notas e introdução.
- O Plano Nacional de Leitura (Portugal), que reúne propostas de leitura de autores românticos.
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