Técnicas de Comunicação e Expressão · 8.ª–12.ª classe

Como ouvir de forma ativa?

  • 9 min de leitura
  • 4 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Ouvir de forma ativa é ouvir para compreender, e não apenas para responder. Passos: 1) dar atenção total (sem telemóvel, olhando para a pessoa); 2) não interromper; 3) mostrar interesse (acenar, contacto visual); 4) reformular o que ouviu («se percebi bem…»); 5) fazer perguntas de esclarecimento; 6) responder só no fim.

Corneta metálica antiga com ondas sonoras azuis a entrar nela, ao lado de um caderno aberto com uma caneta, sobre uma mesa de madeira

Quando se aplica

A escuta ativa é útil em todas as situações em que se comunica com outras pessoas: numa aula (ouvir o professor), num trabalho de grupo, numa conversa com um colega que está triste, numa entrevista, numa reunião ou num atendimento ao público. Muitos conflitos e erros em trabalhos de grupo vêm de ouvir mal: cada um percebe uma coisa diferente. Quem ouve bem aprende mais, evita mal-entendidos e ganha a confiança dos outros.

Ouvir, escutar e ouvir de forma ativa

AçãoO que éExemplo
Ouvirperceber sons, sem esforçoouvir o barulho da rua
Escutar (passivo)prestar alguma atenção, mas sem confirmarolhar para o professor, pensando noutra coisa
Escutar de forma ativaatenção total, confirmação e perguntasreformular o que o colega disse e perguntar o que não percebeu

Elementos da escuta ativa

ElementoO que fazerExemplo
Atençãopôr o telemóvel de lado, olhar para quem falavirar o corpo para o colega
Sinais de interesseacenar, contacto visual, expressão atenta«Hum-hum», «Percebo»
Silênciodeixar a pessoa acabar, sem interromperesperar uma pausa
Reformulaçãorepetir por palavras suas a ideia principal«Se percebi bem, queres dizer que…»
Perguntas de esclarecimentopedir pormenores sobre o que não ficou claro«Podes explicar melhor esta parte?»
Empatiareconhecer o que a pessoa sente«Deve ter sido difícil para ti.»
Resposta no fimsó opinar depois de compreender«Agora que percebi, o que acho é…»

Método passo a passo

  1. Prepare-se para ouvir: guarde o telemóvel, escolha um local sem muito ruído e ponha de lado o que estava a fazer.
  2. Olhe para a pessoa e vire o corpo na sua direção. Mantenha uma postura aberta.
  3. Deixe-a falar sem interromper. Se tiver uma dúvida, anote-a (mentalmente ou por escrito) e pergunte no fim.
  4. Mostre que está a acompanhar com gestos e pequenas palavras («sim», «percebo», «continua»).
  5. Perceba as emoções, além das palavras. Repare no tom de voz e na expressão.
  6. Reformule o que ouviu: «Se percebi bem, o problema é… Está certo?». Isto confirma a compreensão e mostra respeito.
  7. Faça perguntas abertas (que começam por «como», «o que», «porquê») para obter mais informação. Evite perguntas que apenas pedem «sim» ou «não» quando quer perceber a fundo.
  8. Evite julgar, aconselhar cedo demais ou mudar de assunto. Pergunte se a pessoa quer um conselho antes de o dar.
  9. Responda no fim, de forma clara e respeitosa.
  10. Se for numa aula, tome notas com palavras-chave, e faça perguntas no fim da explicação.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Reformular (básico)

Enunciado: Um colega diz: «Não aguento mais este grupo, ninguém faz nada e eu faço tudo!». Como reformular o que ele disse?

Resolução:

  1. Identificar o facto (sente que faz o trabalho todo) e a emoção (cansaço, frustração).
  2. Dizer por palavras suas, em forma de pergunta, sem acrescentar opinião.
  3. Esperar a confirmação.

Resposta: «Se percebi bem, sentes que estás a fazer a maior parte do trabalho e isso deixa-te cansado e chateado. É isso?» Esta frase mostra que ouviu o conteúdo e a emoção, e dá-lhe espaço para continuar.

Exemplo 2 — Pergunta de esclarecimento

Enunciado: O professor diz: «O trabalho tem de ser entregue na próxima semana, com as fontes.» Não percebeu em que dia nem que tipo de fontes. O que faz?

Resolução:

  1. Espere que o professor termine a explicação.
  2. Levante a mão e faça perguntas concretas, em vez de «não percebi nada».
  3. Reformule o que já percebeu.

Resposta: «Professor, percebi que a entrega é na próxima semana. Pode dizer-nos o dia exato? E as fontes podem ser só livros ou também sites?» A pergunta mostra atenção e resolve as dúvidas.

Exemplo 3 — Identificar barreiras à escuta

Enunciado: Uma colega diz: «Estou preocupada, tenho um teste difícil amanhã.» Indique o problema nas respostas: (a) «Eu também tenho teste, e o meu é pior!» (b) «Não te preocupes, não é nada.» (c) «Devias ter estudado mais cedo.» (d) (a olhar para o telemóvel) «Hum, sim.»

Resolução:

  1. (a) Desvia a atenção para si: comparar com a própria situação.
  2. (b) Minimiza a emoção da pessoa.
  3. (c) Julga e aconselha sem ser pedido.
  4. (d) Falta de atenção: o telemóvel mostra que não está a ouvir.

Resposta: as respostas mostram barreiras (comparar, minimizar, julgar e distrair-se). Uma resposta ativa seria: «Parece que estás preocupada com o teste de amanhã. Qual é a parte que te preocupa mais?»

Exemplo 4 — Nível de exame: aplicar quatro técnicas

Enunciado: Escreva um pequeno diálogo em que um aluno (A) conta que teve uma discussão com um amigo e outro aluno (B) ouve de forma ativa, usando pelo menos quatro técnicas. Identifique-as.

Resolução (diálogo-modelo):

  • A: Discuti com o Paulo por causa do trabalho. Ele disse que eu não faço nada.
  • B: (olha para A, pousa o telemóvel) Hum, conta-me o que se passou. (atenção e convite)
  • A: Eu estive doente na semana passada e não pude vir à biblioteca. Ele ficou zangado.
  • B: Se percebi bem, estiveste doente, não pudeste ajudar e ele interpretou isso como falta de empenho. É isso? (reformulação)
  • A: Sim, e isso magoou-me.
  • B: Deve ter sido chato ouvir isso quando estavas doente. (empatia) O que gostarias de dizer-lhe? (pergunta aberta)
  • A: Que me sinto injustiçado. Talvez devesse explicar-lhe.
  • B: Se quiseres, posso ajudar-te a pensar como falar com ele. (oferta de ajuda, sem impor)

Resposta: o diálogo usa atenção, reformulação, empatia, pergunta aberta e oferta de ajuda. B não interrompe nem julga.

Erros frequentes

  • Interromper para dar a sua opinião ou terminar a frase do outro.
  • Olhar para o telemóvel enquanto a outra pessoa fala.
  • Pensar na resposta enquanto ouve, em vez de ouvir.
  • Julgar ou criticar logo no início.
  • Dar conselhos sem serem pedidos.
  • Minimizar os sentimentos («não é nada», «isso passa»).
  • Mudar de assunto ou voltar sempre ao que se passou consigo.
  • Fazer perguntas fechadas quando quer perceber mais.
  • Fingir que ouviu: acenar sem estar atento.
  • Reformular errado e não confirmar. Pergunte sempre «é isso?».

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Reformule a frase: «Estou farto de estudar e continuar a ter más notas.»

Ver solução

Resposta-modelo: «Pelo que dizes, estudas bastante mas as notas não melhoram, e isso deixa-te desmotivado. É isso?»

2Exercício 2

Indique três sinais de que alguém está a ouvir de forma ativa.

Ver solução

Por exemplo: olha para quem fala, não interrompe, acena ou diz pequenas palavras de confirmação, reformula o que ouviu e faz perguntas de esclarecimento. Outras respostas corretas são aceites.

3Exercício 3

Escreva duas perguntas abertas que pode fazer a um colega que diz «Não estou bem».

Ver dica

Perguntas abertas começam por «como», «o que», «quando».

Ver solução

Por exemplo: «O que se passou?»; «Como te sentes em relação a isso?». Evite «Estás triste?», que só pede «sim» ou «não».

4Exercício 4

Corrija a resposta: a um amigo que diz «Chumbei num teste», responder «Eu também chumbei, e muito pior!».

Ver solução

A resposta compara e desvia a atenção para si. Melhor: «Lamento. Foi um teste difícil? Como te sentes agora?», que reconhece o sentimento e convida a falar.

5Exercício 5

Quais são os benefícios de ouvir de forma ativa numa aula?

Ver solução

Compreende-se melhor a matéria, evitam-se dúvidas e erros, melhoram-se as notas e a relação com o professor e colegas, e as perguntas feitas são mais precisas.

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Em conversas pessoais, em aulas, em trabalhos de grupo, em entrevistas, reuniões e em qualquer atendimento. É útil sobretudo quando há tensão, dúvidas ou emoções fortes.

Existe um método mais rápido?

Sim: o ciclo OUVIR – REFORMULAR – PERGUNTAR. Ouça sem interromper, reformule por palavras suas, e faça uma pergunta aberta. Só depois responda.

Ouvir de forma ativa é concordar?

Não. Ouvir de forma ativa é compreender o ponto de vista do outro. Pode concordar ou discordar depois, com respeito.

E se a pessoa não parar de falar?

Espere por uma pausa e diga com calma: «Deixa-me ver se percebi: …». Se for necessário, combine outro momento para continuar a conversa.

Que erros são mais comuns?

Interromper e olhar para o telemóvel. Veja "Erros frequentes".

Resumo

  • Escuta ativa: ouvir para compreender.
  • Passos: atenção, silêncio, sinais de interesse, reformular, perguntar, responder no fim.
  • Evite: interromper, julgar, minimizar, aconselhar cedo, mudar de assunto.
  • Reformular confirma que percebeu bem.
  • Ouvir bem melhora as aprendizagens e as relações.

Onde aprofundar

  • O manual de Técnicas de Comunicação e Expressão da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Os guias deste portal sobre linguagem corporal e sobre como causar boa impressão.
  • Exercícios de escuta em pares com o professor ou com colegas: um conta, outro reformula, depois trocam.

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