Filosofia · 10.ª–12.ª classe

O que é a Filosofia moderna?

  • 7 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

A Filosofia moderna é o período do pensamento ocidental que convencionalmente se situa entre o século XVII e o fim do século XVIII, com raízes no Renascimento e na revolução científica. Tem como tema central a origem e os limites do conhecimento, dividindo-se sobretudo em racionalismo, empirismo e na síntese de Kant.

O que é

Depois da filosofia antiga e da medieval, a Europa viveu o Renascimento, a Reforma religiosa e a revolução científica (Copérnico, Galileu, Newton). Estas mudanças abalaram a autoridade da tradição e levaram os filósofos a perguntar: em que podemos confiar para conhecer a verdade?

A resposta já não se procura apenas na autoridade de Aristóteles ou da Igreja, mas na razão e na experiência do indivíduo. Por isso se diz que a Filosofia moderna dá ao sujeito que conhece um lugar central.

Datas e delimitação

Não há consenso total sobre o início e o fim. Muitos manuais fazem começar a filosofia moderna com Descartes (1596–1650) e terminam-na com Kant (1724–1804) ou Hegel. Confirme no manual da sua classe a periodização usada.

Principais correntes

CorrenteIdeia centralAutores
Racionalismoa razão é a principal fonte do conhecimento; há ideias inatasDescartes, Spinoza, Leibniz
Empirismotodo o conhecimento vem da experiência sensívelFrancis Bacon, Locke, Berkeley, Hume
Criticismo (Kant)o conhecimento exige experiência e estruturas da razãoImmanuel Kant

Características gerais

  • Centralidade do sujeito e da consciência.
  • Preocupação com o método para chegar à verdade.
  • Confiança na ciência nascente e no uso da razão.
  • Debate sobre os limites do conhecimento humano.
  • Interesse político: Locke e outros pensaram os direitos e a origem do poder, preparando ideias liberais.

Como estudar o período

  1. Situe cada autor no tempo e no país.
  2. Associe cada autor a uma tese central e à obra principal.
  3. Classifique-o como racionalista, empirista ou crítico.
  4. Compare as respostas à pergunta: de onde vem o conhecimento?

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Classificar autores

Enunciado: Classifique Descartes, Locke e Kant.

Resolução:

  1. Descartes defende que a razão e as ideias claras e distintas fundamentam o saber: é racionalista.
  2. Locke defende que a mente começa como «papel em branco» e que as ideias vêm da experiência: é empirista.
  3. Kant defende que o conhecimento precisa de experiência e de formas da própria razão: criticismo, que procura reunir as duas posições.

Resposta: Descartes, racionalista; Locke, empirista; Kant, criticista. Verificação: cada resposta corresponde à tese sobre a origem do conhecimento.

Exemplo 2 — Conhecer o que é uma mangueira

Enunciado: Um estudante em Benguela quer saber se a manga que vê é real. Que respostas dariam racionalistas e empiristas?

Resolução:

  1. O empirista diz: confio na experiência dos sentidos, repetida e confirmada por outros; a ideia de manga vem do que vejo e provo.
  2. O racionalista lembra que os sentidos podem enganar (ilusões, sonhos) e que a certeza vem de princípios da razão.
  3. Kant acrescentaria: só conhecemos a manga como aparece a um sujeito com espaço e tempo como formas da sua sensibilidade.

Resposta: o empirista parte dos sentidos; o racionalista, da razão; Kant combina as duas. Verificação: são respostas diferentes à mesma pergunta: de onde vem o saber?

Exemplo 3 — Nível de exame: porque o método é tão importante

Enunciado: Explique por que razão a ciência nascente influenciou a Filosofia moderna.

Resolução:

  1. A ciência de Galileu e de Newton mostrou que a observação e a matemática permitem explicar a natureza com sucesso.
  2. Isso levou os filósofos a procurar um método igualmente seguro para a filosofia.
  3. Descartes propôs um método baseado na dúvida e na evidência; Bacon, um método baseado na observação e na experimentação.
  4. Resultou o debate entre razão e experiência.

Resposta: a ciência inspirou a procura de método e fixou a questão do conhecimento no centro da filosofia. Verificação: liga-se a Descartes (Discurso do Método) e a Bacon.

Importância e aplicações

  • Fundamento da ciência e da educação modernas: valorização do método e da evidência.
  • Pensamento político: ideias de direitos individuais e de limites ao poder influenciaram constituições modernas.
  • Atualidade: os debates sobre inteligência artificial, fiabilidade das fontes e verdade ainda retomam a questão moderna de como sabemos o que sabemos.

Erros frequentes

  • Chamar «moderna» à filosofia atual. Em manuais, «moderna» designa um período histórico preciso.
  • Opor racionalismo e empirismo como se um desprezasse o outro. Ambos usam razão e experiência, mas dão prioridade diferente.
  • Colocar Kant num dos campos. É uma síntese crítica.
  • Esquecer o contexto científico. Sem a revolução científica, a época é mal compreendida.
  • Confundir moderna com contemporânea (séculos XIX e XX em diante, segundo muitos manuais).

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Diga qual é a pergunta central da Filosofia moderna.

Ver solução

De onde vem o conhecimento e quais são os seus limites, ou seja, em que podemos confiar para conhecer a verdade.

2Exercício 2

Complete: o racionalismo dá prioridade à ___; o empirismo, à ___.

Ver solução

O racionalismo, à razão; o empirismo, à experiência (sensível).

3Exercício 3

Classifique como racionalista (R) ou empirista (E): Descartes, Hume, Spinoza, Locke.

Ver solução

Descartes (R), Hume (E), Spinoza (R), Locke (E).

4Exercício 4

Indique duas razões pelas quais a revolução científica influenciou a Filosofia moderna.

Ver dica

Pense em método e em autoridade.

Ver solução

(1) Mostrou que a observação e a matemática dão conhecimento seguro, levando os filósofos a procurar um método. (2) Abalou a autoridade da tradição, fazendo a razão e a experiência individuais ganhar peso.

5Exercício 5

Explique por que Kant é considerado uma síntese de racionalismo e empirismo.

Ver solução

Porque defende que o conhecimento começa com a experiência (empirismo) mas depende também de formas e conceitos que a razão do sujeito traz consigo (racionalismo). Sem experiência não há objeto; sem estruturas da razão não há conhecimento organizado.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre Filosofia moderna e filosofia contemporânea?

Em muitos manuais, a moderna vai do século XVII ao fim do XVIII, centrada no conhecimento. A contemporânea abrange sobretudo os séculos XIX e XX e é mais variada (existencialismo, filosofia analítica e outras). Confirme a divisão no seu programa.

Onde se aplica a Filosofia moderna na prática?

No método científico, na educação baseada na evidência e na defesa dos direitos individuais, que têm raízes na ênfase moderna na razão e na experiência.

Que erros os estudantes cometem sobre este tema?

Os mais comuns são considerar «moderna» sinónimo de «atual», pôr Kant dentro de uma só corrente e confundir autores racionalistas com empiristas.

Quem são os autores mais pedidos?

Descartes, Locke, Hume e Kant costumam ser os mais referidos. Confirme no programa quais pedem.

Resumo

  • A Filosofia moderna situa-se, convencionalmente, entre os séculos XVII e XVIII.
  • Nasce da revolução científica e coloca o sujeito e o método no centro.
  • Racionalismo: Descartes, Spinoza, Leibniz; empirismo: Bacon, Locke, Berkeley, Hume.
  • Kant procura reunir razão e experiência.
  • Não confunda «moderna» com «atual».

Onde aprofundar

  • O manual de Filosofia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Discurso do Método, de Descartes, e Ensaio sobre o Entendimento Humano, de Locke, em tradução portuguesa.
  • A Stanford Encyclopedia of Philosophy e a Internet Encyclopedia of Philosophy (em inglês).

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