Química · 7.ª–12.ª classe

Como elaborar um protocolo experimental?

  • 9 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

Para elaborar um protocolo experimental, formule a pergunta e a hipótese, identifique a variável que vai alterar, a que vai medir e as que vai manter constantes, liste o material e escreva os passos numerados, com segurança e uma tabela de registo. Um bom protocolo permite que outra pessoa repita a experiência e obtenha resultados comparáveis.

Quando se aplica

Usa-se um protocolo sempre que a atividade laboratorial é planeada por si ou pelo seu grupo: investigar o efeito da temperatura na solubilidade, comparar a rapidez de uma reação com diferentes concentrações, testar qual de dois antiácidos neutraliza mais ácido. Muitos exames e trabalhos pedem que se «proponha um procedimento» ou se «planeie uma experiência», e é isso que aqui se treina.

Pré-requisitos

  • Distinguir variável independente (a que o experimentador altera), variável dependente (a que se mede como resposta) e variáveis controladas (as que se mantêm constantes).
  • Conhecer o conceito de ensaio de controlo e de repetição das medições.
  • Saber os cuidados básicos de segurança do laboratório e os instrumentos disponíveis (proveta, pipeta, cronómetro, balança, termómetro).

Método passo a passo

  1. Formule a pergunta-problema. Exemplo: «A temperatura da água influencia o tempo que o açúcar demora a dissolver-se?»
  2. Proponha uma hipótese que possa ser testada, justificada pela teoria: «Quanto maior a temperatura, menor o tempo de dissolução.»
  3. Identifique as variáveis. Independente: temperatura da água. Dependente: tempo de dissolução. Controladas: massa de açúcar, volume de água, agitação e tipo de recipiente.
  4. Liste o material e os reagentes, com quantidades e instrumentos adequados à precisão necessária.
  5. Escreva o procedimento em passos numerados, no infinitivo ou no passado impessoal, de forma que outra pessoa o repita. Indique quantas vezes repete cada ensaio.
  6. Preveja o registo dos dados. Desenhe a tabela antes de começar, com as grandezas e as unidades.
  7. Indique as medidas de segurança e o destino dos resíduos (por exemplo, o que se pode deitar no esgoto e o que tem de ficar num recipiente próprio, segundo as regras do laboratório).
  8. Diga como vai analisar os resultados: médias, gráfico, comparação com a hipótese.

Dica

Teste mentalmente o protocolo: se alterar duas coisas ao mesmo tempo (por exemplo, a temperatura e a quantidade de açúcar), não saberá qual provocou o efeito. Altere apenas uma variável de cada vez.

Estrutura de um protocolo

ParteO que contém
Problema e hipótesepergunta testável e previsão
Variáveisindependente, dependente, controladas
Materiallista com quantidades
Procedimentopassos numerados, com repetições
Registo de dadostabela com unidades
Segurança e resíduoscuidados e destino dos resíduos

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Identificar as variáveis (básico)

Enunciado: Um grupo quer saber se a quantidade de bicarbonato de sódio altera o volume de gás produzido ao reagir com vinagre. Identifique as variáveis.

Resolução:

  1. O que o grupo altera: a massa de bicarbonato (por exemplo, 1 g, 2 g e 3 g). É a variável independente.
  2. O que mede como resposta: o volume de gás recolhido. É a variável dependente.
  3. O que mantém igual: o volume e o tipo de vinagre, a temperatura e o recipiente. São as variáveis controladas.

Resposta: independente: massa de bicarbonato; dependente: volume de gás; controladas: volume de vinagre, temperatura, recipiente. Verificação: só uma variável (a massa) é alterada.

Exemplo 2 — Preparar as concentrações do estudo

Enunciado: Para estudar o efeito da concentração, o grupo precisa de 100 mL de soluções de ácido clorídrico de 0,10; 0,25 e 0,50 mol/L, a partir de uma solução-mãe de 1,0 mol/L. Que volume da solução-mãe deve medir para cada uma?

Resolução:

  1. Numa diluição, a quantidade de soluto não muda: c1V1 = c2V2.
  2. V1 = c2V2 ÷ c1.
  3. 0,10 mol/L: V1 = 0,10 × 100 ÷ 1,0 = 10 mL.
  4. 0,25 mol/L: V1 = 0,25 × 100 ÷ 1,0 = 25 mL.
  5. 0,50 mol/L: V1 = 0,50 × 100 ÷ 1,0 = 50 mL.

Resposta: 10 mL, 25 mL e 50 mL da solução-mãe, completando cada uma até 100 mL com água destilada. Verificação: 10 × 1,0 = 100 × 0,10 = 10 mmol. (O ácido deve ser adicionado à água, nunca o contrário, e com a supervisão do professor.)

Exemplo 3 — Nível de exame: criticar um protocolo

Enunciado: Um protocolo diz: «Aqueça açúcar em água em 3 copos, a 20 °C, 40 °C e 60 °C. Use um copo grande, um médio e um pequeno. Veja qual se dissolve primeiro.» Aponte falhas e corrija.

Resolução:

  1. Os copos têm tamanhos diferentes e portanto os volumes e as áreas de contacto variam: há outra variável a mudar além da temperatura.
  2. Não se indica a massa de açúcar nem o volume de água: falta controlar.
  3. «Ver qual se dissolve primeiro» não é uma medição: falta o cronómetro e o critério de «dissolvido».
  4. Não há repetição, logo não se avalia a variabilidade.
  5. Faltam segurança (cuidado com água quente) e tabela de registo.

Resposta: corrigir com copos iguais, 5,0 g de açúcar e 100 mL de água em cada, cronómetro, critério (sem cristais visíveis), três repetições por temperatura, pinça para os copos quentes e tabela de resultados. Verificação: agora só a temperatura varia.

Erros frequentes

  • Alterar mais de uma variável ao mesmo tempo. Fixe tudo menos uma.
  • Hipótese que não se pode testar («a Química é difícil»). A hipótese deve prever um resultado mensurável.
  • Quantidades vagas («um pouco de sal»). Indique massas, volumes e instrumentos.
  • Medir sem critério. Defina o que conta como «dissolvido» ou «terminado» antes de começar.
  • Fazer só uma medição. Repita pelo menos três vezes e use a média.
  • Esquecer a segurança e o destino dos resíduos.
  • Procedimento em texto corrido. Passos numerados e curtos evitam confusões.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Num estudo sobre o efeito da temperatura na rapidez com que uma pastilha efervescente se dissolve em água, indique a variável independente, a dependente e duas controladas.

Ver solução

Independente: temperatura da água; dependente: tempo de dissolução da pastilha; controladas (duas, por exemplo): volume de água e massa/tipo da pastilha (também o recipiente e a agitação).

2Exercício 2

Que volume de solução 2,0 mol/L deve medir para preparar 200 mL de solução 0,50 mol/L?

Ver solução

V1 = c2V2 ÷ c1 = 0,50 × 200 ÷ 2,0 = 100 ÷ 2,0 = 50 mL.

3Exercício 3

Reescreva como hipótese testável: «A temperatura tem a ver com a solubilidade.»

Ver solução

Por exemplo: «Quanto maior a temperatura da água, maior a massa de nitrato de potássio que se dissolve em 100 mL de água.» Prevê uma relação mensurável (massa dissolvida versus temperatura).

4Exercício 4

Um grupo vai testar 4 temperaturas, com 3 repetições cada. Quantos ensaios vai fazer? Se cada ensaio demorar 5 minutos, quanto tempo é necessário, no mínimo?

Ver solução

4 × 3 = 12 ensaios; 12 × 5 = 60 minutos (1 hora), sem contar a preparação e a limpeza.

5Exercício 5

Planeie, em 6 passos, uma experiência para comparar a rapidez de reação de vinagre com bicarbonato de sódio em pó e em pedaços, medindo o tempo até cessar a efervescência.

Ver dica

Controle a massa de bicarbonato e o volume de vinagre e use o mesmo recipiente.

Ver solução
  1. Medir 50 mL de vinagre com a proveta para dois copos iguais. 2. Pesar 2,0 g de bicarbonato em pó e 2,0 g em pedaços. 3. Pôr o cronómetro a zero. 4. Adicionar o bicarbonato em pó ao primeiro copo e iniciar a contagem. 5. Parar ao cessar a efervescência e registar o tempo. 6. Repetir com o bicarbonato em pedaços e fazer três repetições de cada. Variável independente: estado de divisão; dependente: tempo; controladas: massas, volume, temperatura, recipiente.

Perguntas frequentes

Qual é a diferença entre protocolo e relatório?

O protocolo é escrito antes, para planear a experiência, e diz o que se vai fazer. O relatório é escrito depois, e conta o que se fez, o que se obteve e o que se conclui.

Preciso sempre de hipótese?

Em experiências de investigação, sim: é o que orienta o desenho do protocolo. Em atividades de técnica (por exemplo, treinar a medir um volume), pode não haver hipótese; confirme o que o professor pede.

O que é um ensaio em branco ou de controlo?

É uma experiência feita sem o fator em estudo, para servir de comparação. Por exemplo, um copo com água sem açúcar, para confirmar que a leitura do instrumento não muda sozinha.

Quantas repetições são suficientes?

Para trabalhos escolares, três costuma ser o mínimo para calcular uma média e ver se os valores são coerentes. Confirme no programa ou com o professor.

Resumo

  • O protocolo planeia a experiência: pergunta, hipótese, variáveis, material, procedimento, registo e segurança.
  • Altere apenas uma variável (independente) e meça a dependente.
  • Mantenha as variáveis controladas e indique as quantidades.
  • Defina um critério de medição e repita os ensaios.
  • Numa diluição use c1V1 = c2V2.

Onde aprofundar

  • O manual de Química da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor e os protocolos propostos.
  • As regras de segurança do seu laboratório.
  • O manual aberto OpenStax Chemistry (em inglês), nos capítulos de medições e de soluções.

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