Química · 7.ª–12.ª classe

Como usar uma pipeta e uma bureta?

  • 10 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

Para usar a pipeta: lave-a, ambiente-a com a solução a medir, aspire com a pompete acima do traço, acerte o menisco no traço e escoe com a ponta encostada à parede. Para usar a bureta: lave, ambiente com o titulante, encha, elimine as bolhas da ponta, leia o volume inicial, titule e leia o volume final. O volume gasto é a diferença das leituras.

Quando se aplica

Pipeta e bureta são instrumentos volumétricos: servem para medir volumes de líquidos com rigor. São usadas sobretudo em titulações (por exemplo, para determinar a concentração de um ácido com uma base) e na preparação de soluções por diluição.

  • Pipeta volumétrica: transfere um volume fixo (por exemplo 25,00 mL), com traço de aferição no tubo.
  • Pipeta graduada: transfere volumes variáveis, com escala.
  • Bureta: tubo graduado com torneira, que liberta volumes variáveis e permite controlar a adição gota a gota.

Atenção

Nunca aspire líquidos com a boca. Use sempre a pompete (pipetador). Use óculos e bata; ácidos e bases concentrados são corrosivos. Estes instrumentos não se aquecem.

Pré-requisitos

  • Material limpo (a água deve escorrer em película uniforme, sem gotas coladas ao vidro).
  • Água destilada, esguicho, gobelé auxiliar, papel absorvente, pompete e funil pequeno.
  • Saber ler o menisco: a superfície curva do líquido. Lê-se a parte inferior da curva (nas soluções transparentes), com o olho à altura do nível, para evitar o erro de paralaxe.

Método passo a passo

Usar a pipeta

  1. Lave a pipeta com água destilada e escorra.
  2. Ambiente (enxágue) a pipeta com uma pequena porção da solução a medir, que deve ter sido vertida antes para um gobelé limpo; descarte essa porção. Isto evita que restos de água diluam a solução.
  3. Aspire a solução com a pompete até um pouco acima do traço de aferição, mantendo a ponta mergulhada.
  4. Retire a pompete e feche rapidamente com o dedo indicador (ou use a válvula do pipetador).
  5. Limpe o exterior da ponta com papel absorvente.
  6. Acerte o menisco: com o olho ao nível do traço, deixe escorrer devagar até a parte inferior do menisco ficar tangente ao traço.
  7. Escoe para o erlenmeyer, com a pipeta na vertical e a ponta encostada à parede interior do recipiente. Espere alguns segundos até escoar. Não sopre a última gota que fica na ponta, salvo se a pipeta tiver essa indicação (confirme na pipeta).

Usar a bureta

  1. Verifique se a torneira está fechada e se funciona bem.
  2. Lave com água destilada e depois ambiente com duas ou três pequenas porções da solução titulante, fazendo-as escorrer pela torneira.
  3. Fixe a bureta na vertical num suporte com garra.
  4. Encha com o funil até um pouco acima do zero e retire o funil (uma gota pendurada no funil falsearia a leitura).
  5. Elimine as bolhas de ar da ponta, abrindo a torneira momentaneamente até a ponta ficar cheia de líquido.
  6. Acerte o nível perto do zero (não é preciso que seja exatamente zero) e registe a leitura inicial.
  7. Titule: agite o erlenmeyer com uma mão e controle a torneira com a outra; adicione o titulante depressa no início e gota a gota perto do ponto final. Lave as paredes do erlenmeyer com o esguicho.
  8. Pare quando o indicador mudar de cor de forma persistente e registe a leitura final.
  9. Calcule o volume gasto: V = leitura final − leitura inicial.

Como ler a bureta

Numa bureta de 50 mL, as marcas costumam estar de 0,1 em 0,1 mL; estima-se o centésimo entre duas marcas. Um valor de 24,80 mL significa que o menisco está na marca 24,8. Uma bureta lê-se de cima para baixo: os valores aumentam à medida que o líquido desce.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Volume gasto na bureta

Enunciado: Numa titulação, a leitura inicial foi 0,30 mL e a final 24,80 mL. Qual foi o volume de titulante gasto?

Resolução:

  1. V = leitura final − leitura inicial.
  2. V = 24,80 − 0,30 = 24,50 mL.

Resposta: 24,50 mL. Verificação: 0,30 + 24,50 = 24,80.

Exemplo 2 — Concentração do ácido

Enunciado: Com uma pipeta, colocaram-se 25,00 mL de HCl num erlenmeyer, com fenolftaleína. Titulou-se com NaOH 0,100 mol/L e gastaram-se 24,50 mL até ao ponto final (a solução ficou rosa pálido). Qual é a concentração do HCl?

Resolução:

  1. Reação: HCl + NaOH → NaCl + H2O (1 : 1).
  2. n(NaOH) = c × V = 0,100 × 0,02450 = 0,002450 mol.
  3. No ponto final, n(HCl) = n(NaOH) = 0,002450 mol.
  4. c(HCl) = n ÷ V = 0,002450 ÷ 0,02500 = 0,0980 mol/L.

Resposta: 0,0980 mol/L. Verificação: 0,0980 × 0,02500 = 0,002450 mol.

Exemplo 3 — Nível de exame: várias titulações e ácido diprótico

Enunciado: Fizeram-se três titulações de 25,00 mL de H2SO4 com NaOH 0,100 mol/L. A primeira, rápida, deu 30,90 mL e serviu só de estimativa. As seguintes deram 30,00 mL e 30,10 mL. Calcule a concentração do H2SO4.

Resolução:

  1. Descarte a primeira (estimativa). Média das concordantes: (30,00 + 30,10) ÷ 2 = 30,05 mL.
  2. n(NaOH) = 0,100 × 0,03005 = 0,003005 mol.
  3. Reação: H2SO4 + 2 NaOH → Na2SO4 + 2 H2O, logo n(H2SO4) = n(NaOH) ÷ 2 = 0,0015025 mol.
  4. c = 0,0015025 ÷ 0,02500 = 0,0601 mol/L.

Resposta: cerca de 0,0601 mol/L. Verificação: 0,0601 × 0,02500 × 2 ≈ 0,003005 mol de NaOH, como na etapa 2.

Erros frequentes

  • Não ambientar a pipeta ou a bureta com a solução: a água que fica nas paredes dilui a solução e falseia o resultado.
  • Deixar bolhas de ar na ponta da bureta: o volume lido não corresponde ao volume realmente gasto.
  • Erro de paralaxe: ler com o olho acima ou abaixo do nível. Coloque o olho ao nível do menisco.
  • Deixar o funil na bureta durante a titulação: pinga e muda o nível.
  • Soprar a última gota da pipeta volumétrica sem indicação para isso, ou aquecer o instrumento.
  • Passar do ponto final de uma só vez: junte o titulante gota a gota perto do fim.
  • Ler a bureta como se fosse uma proveta: a escala da bureta cresce para baixo.
  • Esquecer a razão estequiométrica (1 : 1, 1 : 2…) ao calcular a concentração.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

A bureta marcava 0,00 mL no início e 18,35 mL no fim. Qual é o volume gasto?

Ver solução

18,35 − 0,00 = 18,35 mL.

2Exercício 2

Porque é que se ambiente a pipeta com a solução a medir, e não apenas com água destilada?

Ver solução

Depois de lavada com água, restam gotas de água nas paredes. Se se aspirar a solução diretamente, essas gotas diluem-na e a concentração real fica diferente. Ambientando com a própria solução, a pequena porção que molha as paredes tem a mesma concentração da solução a medir.

3Exercício 3

Uma bureta mostrou leitura inicial de 2,10 mL e final de 27,60 mL. Qual foi o volume gasto, e qual teria sido o erro se a leitura inicial tivesse sido esquecida e se tivesse tomado só 27,60 mL?

Ver solução

Volume = 27,60 − 2,10 = 25,50 mL. Tomando 27,60 mL, o volume ficaria exagerado em 2,10 mL (cerca de 8 %: 2,10 ÷ 25,50 ≈ 0,082), o que alteraria muito a concentração calculada.

4Exercício 4

Em 25,00 mL de NaOH de concentração desconhecida gastaram-se 20,00 mL de HCl 0,0500 mol/L até ao ponto final. Qual é a concentração do NaOH?

Ver dica

A reação é 1 : 1; calcule primeiro n(HCl) = c × V (em litros).

Ver solução

n(HCl) = 0,0500 × 0,02000 = 0,001000 mol = n(NaOH). c(NaOH) = 0,001000 ÷ 0,02500 = 0,0400 mol/L.

5Exercício 5

Uma solução 0,500 mol/L foi diluída: com uma pipeta volumétrica, retiraram-se 10,00 mL e passaram-se para um balão volumétrico de 100,0 mL, que se completou com água até ao traço. Qual é a nova concentração? Que erro cometeria se não ambientasse a pipeta com a solução inicial?

Ver solução

n = 0,500 × 0,01000 = 0,00500 mol; c = 0,00500 ÷ 0,1000 = 0,0500 mol/L (diluição de 10 vezes). Sem ambientar, restos de água na pipeta diluiriam a solução retirada, e a concentração final seria menor do que 0,0500 mol/L.

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Sempre que é preciso medir ou libertar volumes com rigor: titulações ácido-base, preparação de diluições e análises quantitativas em geral. Para volumes aproximados, uma proveta chega.

Existe um método mais rápido?

Para estimar um volume, a proveta é mais rápida, mas menos rigorosa. Numa titulação, faz-se uma primeira titulação rápida para estimar o ponto final e depois repetem-se com mais cuidado, gota a gota perto do fim.

Porque é que não é preciso começar a bureta exatamente no zero?

Porque o volume gasto é a diferença entre duas leituras. Importa registar bem as duas, não o valor inicial.

Que erros são mais comuns?

Esquecer o ambientar, deixar bolhas na ponta da bureta, ler com paralaxe e não registar a leitura inicial. Antes de começar, confira a lista de verificação deste artigo.

Resumo

  • Pipeta e bureta são material volumétrico: medem com rigor e não se aquecem.
  • Sempre lavar e ambientar com a solução que vai ser medida.
  • Pipeta: aspirar com pompete, acertar o menisco no traço, escoar com a ponta encostada à parede.
  • Bureta: eliminar bolhas, registar a leitura inicial, titular gota a gota perto do fim; V = final − inicial.
  • Leitura sempre ao nível do olho, na parte inferior do menisco (soluções transparentes).

Onde aprofundar

  • O manual de Química da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • OpenStax, Chemistry (manual aberto, em inglês), capítulos sobre titulações e estequiometria de soluções.
  • As instruções de segurança e os protocolos do laboratório da sua escola.

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