Educação Moral e Cívica · 7.ª–12.ª classe

O que é a separação de poderes?

  • 5 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
  • Atualizado em

Resposta curta

A separação de poderes é o princípio segundo o qual o poder do Estado se divide em três funções exercidas por órgãos diferentes: o legislativo (faz as leis), o executivo (governa e aplica as leis) e o judicial (julga). Serve para evitar o abuso de poder.

Origem da ideia

A teoria foi desenvolvida pelo pensador francês Montesquieu, na obra O Espírito das Leis (1748), a partir de ideias anteriores. A sua tese: quando o mesmo órgão faz as leis, as executa e julga, há risco de tirania. Para o evitar, o poder deve travar o poder.

Os três poderes

PoderFunçãoÓrgãos em Angola (em geral)
Legislativofazer e aprovar leis, fiscalizar o governoAssembleia Nacional
Executivogovernar, executar leis, administrar o paísPresidente da República e órgãos do Executivo
Judicialaplicar a lei nos casos concretos, resolver conflitostribunais

A Constituição de 2010 consagra a separação e a interdependência de poderes. Os nomes e as competências exatas dos órgãos devem ser confirmados no texto em vigor ou no manual da sua classe.

Pesos e contrapesos

Separar não significa isolar. Os poderes controlam-se mutuamente, por exemplo:

  • O parlamento fiscaliza a ação do governo.
  • Os tribunais verificam se atos e leis respeitam a lei e a Constituição.
  • O governo propõe leis e executa o orçamento aprovado.

Porque é importante

  1. Evita a concentração de poder.
  2. Protege os direitos dos cidadãos.
  3. Garante julgamentos imparciais.
  4. Reforça a transparência e a responsabilização.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Classificar atos

Enunciado: Classifique cada ato como legislativo, executivo ou judicial: (a) aprovar uma lei do trabalho; (b) construir uma escola pública; (c) condenar ou absolver um réu.

Resolução:

  1. Aprovar leis é função de quem legisla: (a) legislativo.
  2. Construir escolas é administrar e executar políticas: (b) executivo.
  3. Julgar é função dos tribunais: (c) judicial.

Resposta: (a) legislativo; (b) executivo; (c) judicial.

Exemplo 2 — Situação de abuso

Enunciado: Um governante manda prender alguém e declara-o culpado, sem julgamento. Qual princípio foi violado?

Resolução:

  1. Prender e declarar culpado sem julgar mistura as funções executiva e judicial.
  2. Só os tribunais, com processo justo, podem decidir a culpa.

Resposta: a separação de poderes (e também o direito a um julgamento justo).

Exemplo 3 — Nível de exame: freios e contrapesos

Enunciado: Dê dois exemplos de como um poder controla outro.

Resolução:

  1. O parlamento fiscaliza o governo, pedindo contas e analisando o orçamento.
  2. Os tribunais podem decidir que um ato do governo é ilegal.

Resposta: fiscalização do governo pelo parlamento; controlo da legalidade dos atos pelos tribunais.

Erros frequentes

  • Trocar legislativo e executivo. Legislar é fazer leis; executar é aplicá-las.
  • Pensar que o juiz faz as leis. Aplica-as.
  • Pensar que os poderes não se relacionam. Colaboram e controlam-se.
  • Atribuir a teoria a outro autor. A formulação clássica é de Montesquieu.
  • Esquecer que o Presidente é uma figura do poder executivo em Angola e não do judicial.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Quais são os três poderes do Estado?

Ver solução

Legislativo, executivo e judicial.

2Exercício 2

Quem formulou a teoria clássica da separação de poderes e em que obra?

Ver solução

Montesquieu, em O Espírito das Leis (1748).

3Exercício 3

Classifique: (a) julgar um roubo; (b) aprovar o orçamento; (c) nomear um ministro.

Ver dica

Pense em quem faz cada coisa.

Ver solução

(a) judicial; (b) legislativo (aprovação pelo parlamento, que é fiscalizador); (c) executivo.

4Exercício 4

Porque é perigoso que uma só pessoa tenha os três poderes?

Ver solução

Porque pode fazer as leis em seu proveito, aplicá-las como quer e julgar sem controlo: há abuso, sem proteção para os cidadãos.

5Exercício 5

Explique a expressão «o poder trava o poder».

Ver solução

Significa que cada poder limita os outros: o parlamento fiscaliza o governo, os tribunais controlam a legalidade, e o governo executa o que a lei determina. Assim ninguém tem poder ilimitado.

Perguntas frequentes

Quem exerce o poder executivo em Angola?

O Presidente da República é o titular do poder executivo, auxiliado por outros órgãos. Para a lista e as competências, confirme no texto constitucional em vigor.

O poder judicial é independente?

Em princípio sim: os tribunais são independentes e os juízes só devem obediência à lei. Veja a redação da Constituição em vigor.

A separação de poderes é igual em todos os países?

Não. Há regimes presidenciais, parlamentares e mistos, com diferentes formas de relação entre poderes.

Qual a relação com a democracia?

A separação de poderes é uma das bases do Estado de direito democrático, porque limita o abuso e protege as liberdades.

Resumo

  • O poder do Estado divide-se em legislativo, executivo e judicial.
  • A ideia clássica vem de Montesquieu.
  • Os poderes colaboram e controlam-se.
  • Evita abusos e protege os cidadãos.
  • Confirme os órgãos e competências no texto constitucional em vigor.

Onde aprofundar

  • O manual de Educação Moral e Cívica da sua classe e o programa do INIDE / Ministério da Educação, confirme a edição em vigor.
  • A Constituição da República de Angola (2010) e O Espírito das Leis, de Montesquieu, em tradução portuguesa.

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