Filosofia · 10.ª–12.ª classe

Quais são os erros mais comuns em racionalismo e empirismo?

  • 6 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Os erros mais comuns em racionalismo e empirismo são trocar os autores de corrente, dizer que os empiristas rejeitam a razão ou que os racionalistas ignoram a experiência, atribuir ideias inatas a Locke, meter Kant num dos lados e confundir «ideias inatas» com «ideias de cada pessoa». Evita-os associando cada corrente à fonte do saber que defende.

Porque se cometem estes erros

As duas correntes são ensinadas lado a lado, com listas de autores e frases curtas. É fácil decorar «racionalismo = razão» e «empirismo = experiência» e esquecer que o importante é a prioridade dada a cada fonte e a questão das ideias inatas.

Quadro de verificação

RacionalismoEmpirismo
Fonte principalrazãoexperiência
Ideias inatassimnão
Método típicodeduçãoindução
AutoresDescartes, Spinoza, LeibnizBacon, Locke, Berkeley, Hume

Erros frequentes, com correção

  1. Erro: «Locke defendia que a mente tem ideias inatas.» Correção: Locke rejeita-as; a mente é «papel em branco».
  2. Erro: «Os empiristas não usam a razão.» Correção: usam-na para organizar e comparar a experiência; o que dizem é que o conteúdo vem dela.
  3. Erro: «Descartes ignorava a experiência e a ciência.» Correção: fez trabalho científico; defendeu que a razão é a base segura do saber.
  4. Erro: «Hume é racionalista porque era muito crítico.» Correção: é empirista; criticou a causalidade com base na experiência.
  5. Erro: «Kant é empirista.» Correção: procura unir razão e experiência (criticismo).
  6. Erro: «Ideias inatas são as ideias que cada pessoa tem na cabeça.» Correção: são ideias que a mente teria independentemente da experiência.
  7. Erro: «O racionalismo e o empirismo existiram na antiguidade com estes nomes.» Correção: os termos designam sobretudo correntes da Filosofia moderna (séculos XVII–XVIII).

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Corrigir uma atribuição

Enunciado: Corrija: «Como empirista, Descartes defende que todo o conhecimento vem dos sentidos».

Resolução:

  1. Descartes é racionalista: desconfia dos sentidos e procura a certeza na razão.
  2. A tese de que todo o conhecimento vem dos sentidos é a de empiristas como Locke e Hume.
  3. Reescrita: «Como racionalista, Descartes defende que a razão é a base mais segura do conhecimento».

Resposta: o erro estava em classificar Descartes como empirista. Verificação: o racionalismo admite ideias inatas, o que Descartes faz.

Exemplo 2 — Corrigir uma generalização

Enunciado: Corrija: «Para os empiristas, a razão é inútil».

Resolução:

  1. Os empiristas dão importância à razão como capacidade de comparar, combinar e generalizar ideias.
  2. O que defendem é que o material do pensamento vem da experiência.
  3. Reescrita: «Para os empiristas, a razão trabalha sobre o que a experiência lhe fornece».

Resposta: a razão não é inútil; é dependente da experiência quanto ao conteúdo. Verificação: a frase correta mantém a diferença de prioridade entre as correntes.

Exemplo 3 — Nível de exame: Hume e a causalidade

Enunciado: Um aluno escreve: «Hume prova que a causalidade é uma verdade absoluta». Corrija.

Resolução:

  1. Hume diz que só observamos sucessão de acontecimentos, não a «ligação necessária».
  2. A ideia de causa explica-se pelo hábito criado pela repetição.
  3. Logo, as inferências causais não têm certeza absoluta, mas probabilidade baseada na experiência.
  4. Reescrita: «Hume sustenta que a causalidade assenta no hábito e na experiência repetida, e não numa necessidade que a razão veja».

Resposta: a frase do aluno contraria Hume. Verificação: este é um dos temas mais pedidos na comparação com o racionalismo.

Como usar esta lista para estudar

Copie os sete erros para uma folha, tape a coluna da correção e tente corrigir cada um de memória. Depois, escreva para cada corrente uma frase própria com um autor e uma obra. Se conseguir dizer em voz alta porque Locke e Descartes discordam sobre as ideias inatas, já domina o essencial do tema.

Verificação rápida antes de entregar

  • Identifiquei a corrente do autor corretamente?
  • Falei de ideias inatas quando falei de racionalismo?
  • Disse «prioridade» e não «exclusividade» da razão ou da experiência?
  • Referi Kant como síntese e não como pertencente a uma só corrente?
  • Dei um exemplo ou uma obra para sustentar a afirmação?

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Encontre o erro: «Locke e Descartes concordam que existem ideias inatas».

Ver solução

Locke rejeita as ideias inatas; Descartes admite-as. Não concordam.

2Exercício 2

Encontre o erro: «O empirismo aprecia a dedução como método principal».

Ver solução

O método típico do empirismo é a indução (a partir de casos observados). A dedução é associada ao racionalismo.

3Exercício 3

Classifique e corrija: «Spinoza é um empirista inglês».

Ver dica

Pense na nacionalidade e na corrente.

Ver solução

Spinoza (1632–1677) é habitualmente classificado como racionalista e era holandês. O erro está na classificação e na nacionalidade.

4Exercício 4

Um aluno diz: «Kant foi o último racionalista». Discuta.

Ver solução

A afirmação é enganadora. Kant parte do reconhecimento de que a razão tem limites, e de que o conhecimento depende também da experiência. Por isso se fala de criticismo, uma síntese que ultrapassa a oposição.

5Exercício 5

Reescreva corretamente: «Todos os filósofos modernos eram empiristas porque a ciência se baseia na experiência».

Ver solução

Erro: generalização. Corrigida: «Na Filosofia moderna, uns autores, como Descartes, deram prioridade à razão (racionalismo) e outros, como Locke e Hume, à experiência (empirismo); Kant tentou unir as duas posições, e todos foram influenciados pela ciência».

Perguntas frequentes

Qual é o erro mais comum nos exames?

Atribuir a um autor a tese da corrente oposta, em particular as ideias inatas. Antes de escrever, pergunte-se: «este autor aceita ideias inatas?».

Como me autocorrijo?

Faça um quadro com autores, corrente, tese e obra, e confira cada frase da sua resposta. Marque as afirmações com «sempre», «nunca» e «todos», que são as mais arriscadas.

Que exercícios ajudam a evitar estes erros?

Os de «encontrar o erro», classificar autores e comparar teses em duas colunas. Treine também resumir cada corrente em duas frases.

Devo decorar frases dos autores?

Mais útil é compreender a ideia e saber a que obra pertence. Se citar, confirme a formulação no manual.

Resumo

  • Racionalismo: razão, ideias inatas, dedução; empirismo: experiência, sem ideias inatas, indução.
  • Locke e Hume são empiristas; Descartes e Spinoza, racionalistas.
  • Os empiristas usam a razão; os racionalistas não ignoram a experiência.
  • Kant é síntese, não pertence a uma só corrente.
  • Cuidado com «sempre», «nunca» e «todos».

Onde aprofundar

  • O manual de Filosofia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Meditações sobre a Filosofia Primeira, de Descartes, e Investigação sobre o Entendimento Humano, de Hume, em tradução portuguesa.
  • A Stanford Encyclopedia of Philosophy, entradas sobre racionalismo e empirismo, em inglês.

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