Geografia · 5.ª–9.ª classe
O que é um sismo (terramoto)?
Resposta curta
Um sismo (ou terramoto) é uma vibração súbita da crosta terrestre, causada pela libertação de energia acumulada nas rochas, geralmente ao longo de falhas e nos limites das placas tectónicas. O ponto onde começa é o foco (ou hipocentro) e o ponto da superfície na vertical dele é o epicentro.
Definição e características
«Sismo» e «terramoto» são palavras para o mesmo fenómeno; em geral, «sismo» é o termo mais científico e «terramoto» é mais usado para sismos que causam grandes destruições. A crosta da Terra está dividida em grandes blocos, as placas tectónicas, que se movem muito devagar. Nas zonas onde se tocam, as rochas ficam sob tensão. Quando a tensão ultrapassa a resistência das rochas, estas rompem e libertam energia em forma de ondas sísmicas.
Foco, epicentro e ondas
- Foco (hipocentro): local, no interior da Terra, onde a rotura começa.
- Epicentro: ponto da superfície na vertical do foco; costuma ser onde os efeitos são maiores.
- Ondas P (primárias): as mais rápidas, chegam primeiro.
- Ondas S (secundárias): mais lentas, chegam depois das P e causam, em geral, mais danos.
- Ondas superficiais: propagam-se à superfície.
O aparelho que regista estas ondas é o sismógrafo, e o registo chama-se sismograma.
Magnitude e intensidade
| Conceito | O que mede |
|---|---|
| Magnitude | a energia libertada no foco; um valor para cada sismo (por exemplo, escala de Richter ou de magnitude de momento) |
| Intensidade | os efeitos num determinado local; varia com a distância (por exemplo, escala de Mercalli) |
Cada aumento de 1 na magnitude corresponde a ondas com cerca de 10 vezes mais amplitude e a cerca de 32 vezes mais energia libertada.
Onde ocorrem
A maior parte dos sismos acontece nos limites das placas, como no Círculo de Fogo do Pacífico. Há também sismos no interior das placas, mas menos frequentes. Em Angola, a atividade sísmica é considerada geralmente baixa, embora possam ocorrer sismos de pequena magnitude; confirme dados atuais em fontes oficiais.
Consequências
Além dos danos nas construções, os sismos podem provocar deslizamentos de terras, incêndios e, quando o foco está no fundo do mar, tsunamis (ondas gigantes). Em 1 de novembro de 1755, um grande sismo atingiu Lisboa e foi seguido de tsunami e de incêndios; é um dos acontecimentos mais conhecidos deste tipo na história de Portugal.
Exemplos do quotidiano
Exemplo 1 — Foco ou epicentro?
Enunciado: Um sismo tem origem a 20 km de profundidade. O ponto da superfície na vertical desse local sofre os maiores danos. Como se chamam os dois pontos?
Resolução:
- O local a 20 km de profundidade, onde começa a rotura, é o foco.
- O ponto da superfície na sua vertical é o epicentro.
Resposta: foco (a 20 km) e epicentro (à superfície). Verificação: o foco está sempre no interior; o epicentro, à superfície.
Exemplo 2 — Quanto mais energia?
Enunciado: Um sismo de magnitude 7 liberta quantas vezes mais energia do que um de magnitude 5, aproximadamente?
Resolução:
- A diferença é de 2 unidades de magnitude.
- Cada unidade corresponde a cerca de 32 vezes mais energia.
- Para duas unidades: 32 × 32 = 1 024, cerca de 1 000 vezes.
Resposta: cerca de 1 000 vezes mais energia. Verificação: a amplitude das ondas é 10 × 10 = 100 vezes maior, mas a energia cresce mais depressa.
Exemplo 3 — Nível de exame: distância ao epicentro
Enunciado: Num modelo simplificado, as ondas P viajam a 8 km/s e as S a 4 km/s (valores ilustrativos, não reais para todos os casos). Uma estação regista a chegada das S 40 s depois das P. A que distância está o epicentro?
Resolução:
- Seja d a distância em km. Tempo das P: d ÷ 8. Tempo das S: d ÷ 4.
- Diferença: d ÷ 4 − d ÷ 8 = d ÷ 8.
- Então d ÷ 8 = 40 e d = 40 × 8 = 320 km.
Resposta: cerca de 320 km. Verificação: P: 320 ÷ 8 = 40 s; S: 320 ÷ 4 = 80 s; 80 − 40 = 40 s.
Importância e aplicações
- Prevenção: conhecer as zonas de risco permite construir edifícios resistentes e planear a evacuação.
- Estudo do interior da Terra: as ondas sísmicas mostram como é o interior do planeta, incluindo as camadas.
- Proteção civil: é preciso saber o que fazer antes, durante e depois de um sismo.
O que fazer durante um sismo
Em geral, as recomendações das autoridades de proteção civil são: abrigar-se debaixo de uma mesa resistente ou junto a uma parede interior, proteger a cabeça, afastar-se de janelas e objetos que possam cair e, depois do abalo, sair com calma por zonas livres. Siga sempre as instruções oficiais do seu país.
Erros e confusões frequentes
- Confundir sismo com vulcão. O sismo é a vibração; o vulcão é a abertura por onde sai material.
- Confundir magnitude com intensidade. A magnitude é uma por sismo; a intensidade varia de local para local.
- Achar que o epicentro é onde o sismo começa. Começa no foco, no interior.
- Pensar que os sismos se podem prever com exatidão. Podem identificar-se zonas de risco, mas não se prevê o momento exato.
- Pensar que só há sismos no Pacífico. Há sismos em vários locais do mundo.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Defina sismo.
Ver solução
Sismo (terramoto) é uma vibração súbita da crosta terrestre, causada pela libertação de energia acumulada nas rochas, em geral junto de falhas e dos limites das placas tectónicas.
2Exercício 2
Escolha múltipla: o ponto da superfície na vertical do foco é (a) o hipocentro; (b) o epicentro; (c) o sismógrafo; (d) a falha.
Ver solução
(b) o epicentro.
3Exercício 3
Que instrumento regista as ondas sísmicas e como se chama o registo?
Ver solução
O sismógrafo; o registo é o sismograma.
4Exercício 4
Um sismo de magnitude 6 compara-se com um de magnitude 5. Quantas vezes é maior a amplitude das ondas e quantas vezes a energia, aproximadamente?
Ver dica
Aumento de 1 na magnitude: 10 vezes na amplitude e cerca de 32 na energia.
Ver solução
A amplitude é cerca de 10 vezes maior e a energia cerca de 32 vezes maior.
5Exercício 5
No modelo do exemplo 3 (P a 8 km/s e S a 4 km/s), uma estação regista as S 25 s depois das P. Calcule a distância ao epicentro.
Ver solução
d ÷ 4 − d ÷ 8 = d ÷ 8 = 25, logo d = 25 × 8 = 200 km. Verificação: P: 200 ÷ 8 = 25 s; S: 200 ÷ 4 = 50 s; diferença 25 s.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre sismo e terramoto?
São sinónimos. Sismo é o termo técnico usado em ciência; terramoto é o termo comum, mais associado a abalos destruidores. Pode usar qualquer um, mas siga o termo do seu manual.
Onde se aplica o estudo dos sismos na prática?
Na engenharia de construção, no planeamento urbano, na proteção civil e no estudo do interior da Terra, através das ondas sísmicas.
Que erros os estudantes cometem sobre sismos?
Confundem foco com epicentro, magnitude com intensidade e sismo com vulcão. Veja a secção de confusões frequentes.
Há sismos em Angola?
A sismicidade em Angola é geralmente considerada baixa, mas podem ocorrer sismos de pequena magnitude. Para dados atuais, consulte fontes oficiais; confirme no manual.
Resumo
- Sismo (terramoto): vibração súbita da crosta, por libertação de energia nas rochas.
- Foco (interior) e epicentro (superfície, na vertical do foco).
- Ondas P (primeiras) e S (depois), registadas pelo sismógrafo.
- Magnitude mede a energia; intensidade mede os efeitos num local.
- Mais 1 de magnitude = cerca de 10 vezes a amplitude e 32 vezes a energia.
- Em caso de sismo, proteja-se e siga as instruções oficiais.
Onde aprofundar
- O manual de Geografia da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Um atlas escolar com o mapa das placas tectónicas e das zonas sísmicas.
- Os materiais educativos do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) sobre sismos.
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