Língua Portuguesa · 7.ª–12.ª classe

Como distinguir orações coordenadas de orações subordinadas?

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Resposta curta

Passos: 1) conte os verbos para separar as orações; 2) sublinhe o conector entre elas; 3) se for uma conjunção coordenativa (e, nem, mas, porém, contudo, ou, logo, portanto, pois), as orações são coordenadas; se for outro conector (se, porque, quando, embora, como) ou um pronome relativo, a oração é subordinada; 4) confirme se a oração pode ser trocada por uma palavra (isso, então). Cuidado com que e logo.

Quando se aplica

Aplica-se a qualquer frase com mais de um verbo, ou seja, a qualquer período composto. É o primeiro passo de uma análise sintática completa e um dos exercícios mais frequentes nos testes de Língua Portuguesa.

Em termos simples: duas orações são coordenadas quando estão ao mesmo nível e nenhuma faz parte da outra; uma oração é subordinada quando depende de outra (a principal) e desempenha uma função dentro dela, como complemento, modificador ou modificador de um nome. O quadro completo dos tipos está no artigo do MeuGuia sobre a diferença entre coordenação e subordinação; aqui interessa o método de decisão.

Pré-requisitos

Deve saber reconhecer um verbo e uma locução verbal (foi adiado, vai estudar contam como um só verbo) e saber que cada verbo ou locução corresponde a uma oração.

Método passo a passo

  1. Conte os verbos e separe as orações com barras: «Quando o sinal tocou / os alunos saíram».
  2. Encontre o conector de cada oração. Pode estar no início (Quando...), no meio (..., mas...) ou não existir (só vírgula, ou uma forma reduzida com infinitivo, gerúndio ou particípio).
  3. Aplique a lista curta do quadro abaixo. As conjunções coordenativas são poucas e decoram-se; qualquer outro conector (se, porque, como, quando, enquanto, embora, conforme, para que, de modo que, que, quem, onde, o qual) introduz uma subordinada.
  4. Teste da função. Pergunte: «esta oração desempenha uma função dentro da outra?» Se sim, é subordinada.
  5. Teste da substituição. Troque a oração por uma palavra ou grupo com o mesmo papel (uma oração coordenada não se substitui assim):
    • por isso → completiva («Disseram que viria» → «Disseram isso»);
    • por um adjetivo ou particípio → relativa («o livro que li» → «o livro lido»);
    • por então, assim, ali ou um grupo com preposição → adverbial («Saí quando chegou» → «Saí à sua chegada»).
  6. Teste da posição. A subordinada adverbial pode, em regra, abrir a frase levando o seu conector: «Fico em casa se chover» → «Se chover, fico em casa». A coordenada não passa para a frente da oração a que se liga sem mudar o sentido.
  7. Classifique o tipo (copulativa, adversativa, completiva, relativa, causal...) e indique de que oração depende cada subordinada.

Lista curta das conjunções coordenativas

TipoConjunções coordenativas
copulativase, nem
adversativasmas, porém, contudo, todavia, no entanto
disjuntivasou, ou... ou, ora... ora
conclusivaslogo, portanto, por conseguinte
explicativaspois, que

Casos difíceis

PalavraCoordenaçãoSubordinação
queexplicativo: «Anda, que é tarde» (troca por pois)completivo: «Sei que vens» (troca por isso); relativo: «O candongueiro que partiu»
logoconclusivo: «Estudou, logo passou» (= portanto)em logo que (= assim que): «Logo que chegues, telefona»
esempre coordenativa, entre orações do mesmo nívelpode ligar duas subordinadas: «Disse que vinha e que trazia o pão»
como—causal: «Como chovia, ficámos»; comparativa: «Corre como o vento»
porquealguns manuais tratam o porque que justifica uma afirmação como explicativocausal: «Faltei porque adoeci»

Orações sem conector

Uma oração que começa por infinitivo, gerúndio ou particípio pode ser subordinada mesmo sem conjunção: «Ao sair de casa, esqueceu a mochila» equivale a «Quando saiu de casa». Muitos manuais chamam-lhe oração reduzida; confirme se o seu programa a inclui.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Duas orações coordenadas

Enunciado: Classifique a relação entre as orações: «O motorista parou o candongueiro e os passageiros desceram.»

Resolução:

  1. Verbos: parou, desceram → duas orações: «O motorista parou o candongueiro» / «e os passageiros desceram».
  2. Conector: e, que consta da lista curta das coordenativas.
  3. Teste da função: nenhuma oração é sujeito, complemento ou modificador da outra, e «e os passageiros desceram» não se troca por isso nem por então.
  4. Sentido: o e soma duas ações.

Resposta: duas orações coordenadas; a segunda é coordenada copulativa. Verificação: cada oração tem o seu sujeito e o seu sentido completo: «Os passageiros desceram.»

Exemplo 2 — A mesma palavra, três funções

Enunciado: Classifique a oração introduzida por que: (a) «Despacha-te, que o candongueiro vai partir.» (b) «Disseram que o candongueiro ia partir.» (c) «O candongueiro que partiu estava cheio.»

Resolução:

  1. (a) Troca por pois: «Despacha-te, pois o candongueiro vai partir.» A frase mantém o sentido; a oração explica a ordem e não desempenha função na outra.
  2. (b) Troca por isso: «Disseram isso.» A oração é complemento direto de disseram.
  3. (c) O que substitui o candongueiro e é o sujeito de partiu; a oração modifica o nome candongueiro.

Resposta: (a) coordenada explicativa; (b) subordinada substantiva completiva; (c) subordinada adjetiva relativa. Verificação: a troca por pois só resulta em (a) e a troca por isso só resulta em (b).

Exemplo 3 — Nível de exame: várias orações misturadas

Enunciado: Classifique as orações: «Como o professor adoeceu, o teste foi adiado e a diretora avisou que todos estudariam durante o fim de semana e que a nova data seria divulgada na sexta.»

Resolução:

  1. Verbos (as locuções contam como um): adoeceu, foi adiado, avisou, estudariam, seria divulgada → cinco orações.
  2. Conectores: Como, e, que, e que.
  3. «o teste foi adiado» não tem conector nem depende de outra: é a principal.
  4. «Como o professor adoeceu»: troca-se por porque («O teste foi adiado porque o professor adoeceu») e indica causa: subordinada adverbial causal.
  5. «e a diretora avisou»: e é coordenativa; está ao mesmo nível da principal: coordenada copulativa.
  6. «que todos estudariam durante o fim de semana»: troca-se por isso («avisou isso»): subordinada substantiva completiva de avisou.
  7. «e que a nova data seria divulgada na sexta»: o e liga-a à completiva anterior; é coordenada copulativa e, ao mesmo tempo, completiva de avisou.

Resposta: (1) subordinada adverbial causal; (2) principal; (3) coordenada copulativa; (4) subordinada substantiva completiva; (5) coordenada copulativa à anterior, também completiva. Verificação: se retirar as duas completivas, «a diretora avisou» fica incompleta, o que confirma que são complementos do verbo.

Exemplo 4 — Nível de exame: oração sem conjunção

Enunciado: Classifique a primeira oração: «Ao sair de casa, o Tomás esqueceu a mochila.»

Resolução:

  1. Verbos: sair (infinitivo) e esqueceu → duas orações.
  2. Não há conjunção, mas a primeira começa por ao + infinitivo.
  3. Teste da substituição: «Quando saiu de casa, o Tomás esqueceu a mochila.» O sentido mantém-se: a oração indica o tempo.
  4. Não existe conjunção coordenativa e a oração desempenha uma função (tempo) em relação a «o Tomás esqueceu a mochila».

Resposta: subordinada adverbial temporal, reduzida de infinitivo; a outra oração é a principal. Verificação: «Ao sair de casa» não é uma frase completa sozinha e a reescrita com quando conserva o significado.

Erros frequentes

  • Decidir pela vírgula. Há coordenadas sem vírgula («Estudei e passei») e subordinadas com vírgula («Quando chegares, liga»). O que decide é o conector e a função.
  • Julgar que que é sempre subordinativo. Em «Cala-te, que estou a ouvir», liga coordenadas; troque por pois para testar.
  • Dar nome de coordenada a uma subordinada só pelo sentido. Embora chova exprime oposição, mas embora é conjunção subordinativa: a oração é concessiva, e não adversativa.
  • Pensar que o e só liga orações principais. Também liga subordinadas entre si: «disse que vinha e que trazia o pão».
  • Confundir logo conclusivo com logo que. O primeiro é coordenativo (portanto); o segundo é subordinativo (assim que).
  • Esquecer as subordinadas sem conjunção. Ao sair, Chegando a casa, Terminado o teste têm verbo e função, mas não têm conector.
  • Contar mal as orações. Vai estudar ou foi adiado são um só verbo e uma só oração.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Diga se a oração a negrito é coordenada ou subordinada e justifique pelo conector: (a) A Rita sorriu e abraçou a mãe. (b) A Rita sorriu quando viu a mãe. (c) A Rita sorriu, mas ficou calada. (d) A Rita sorriu porque viu a mãe. (e) A Rita viu a mãe, portanto sorriu.

Ver solução

(a) Coordenada copulativa (e). (b) Subordinada adverbial temporal (quando). (c) Coordenada adversativa (mas). (d) Subordinada adverbial causal (porque). (e) Coordenada conclusiva (portanto). A estrutura é quase igual; o conector é que decide.

2Exercício 2

Classifique a oração introduzida por que: (a) «Penso que vais ganhar.» (b) «Os alunos que chegaram cedo apanharam lugar.» (c) «Cala-te, que estou a ouvir.»

Ver dica

Experimente trocar por isso, por pois e procure o nome a que o que se refere.

Ver solução

(a) Subordinada substantiva completiva («Penso isso»). (b) Subordinada adjetiva relativa: o que substitui os alunos e é sujeito de chegaram. (c) Coordenada explicativa: «Cala-te, pois estou a ouvir».

3Exercício 3

Classifique a oração ligada por logo: (a) «Estudou muito, logo passou no exame.» (b) «Logo que chegou, telefonou à mãe.»

Ver dica

Tente trocar logo por portanto e depois por assim que.

Ver solução

(a) Coordenada conclusiva: logo = portanto («Estudou muito, portanto passou»). (b) Subordinada adverbial temporal: logo que = assim que; depende de «telefonou à mãe».

4Exercício 4

Classifique a primeira oração e reescreva-a com uma conjunção: «Ao ver o professor, os alunos levantaram-se.»

Ver solução

É uma subordinada adverbial temporal reduzida de infinitivo. Com conjunção: «Quando viram o professor, os alunos levantaram-se.» A principal é «os alunos levantaram-se».

5Exercício 5

Separe e classifique as orações: «Quando o sol nasceu, as mulheres foram ao rio, lavaram a roupa e conversaram enquanto as crianças brincavam.»

Ver dica

Conte os verbos: nasceu, foram, lavaram, conversaram, brincavam. Procure primeiro a oração que não depende de nenhuma.

Ver solução

Cinco orações. (1) «Quando o sol nasceu»: subordinada adverbial temporal, dependente de (2). (2) «as mulheres foram ao rio»: principal. (3) «lavaram a roupa»: coordenada copulativa (só vírgula, sem conjunção). (4) «e conversaram»: coordenada copulativa. (5) «enquanto as crianças brincavam»: subordinada adverbial temporal, dependente de (4).

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Sempre que uma frase tiver mais de um verbo e for preciso classificar as orações: na análise sintática, na pontuação (a vírgula depende do tipo de ligação) e na correção de textos. Resulta bem porque começa pelo conector, que é a pista mais visível.

Existe um método mais rápido?

Sim: decore a lista curta das conjunções coordenativas (e, nem, mas, porém, contudo, ou, logo, portanto, pois). Se o conector da oração estiver nela, é coordenada; se não estiver, é subordinada. Só precisa de testar com cuidado os casos de que, logo e pois.

Duas orações subordinadas podem estar ligadas por «e»?

Podem. O e é sempre conjunção coordenativa, e por isso liga as duas subordinadas entre si, como em «Disse que vinha e que trazia o pão». Cada uma depende de disse, mas a segunda está também coordenada à primeira.

Que erros são mais comuns?

Decidir pela vírgula, tomar todos os que por subordinativos, chamar «adversativa» a uma concessiva e esquecer as orações sem conjunção. Revise a secção «Erros frequentes» antes de um teste.

Resumo

  • Cada verbo ou locução verbal marca uma oração; comece por contar e separar.
  • O conector é a pista principal: a lista de coordenativas é curta (e, nem, mas, porém, contudo, ou, logo, portanto, pois); os restantes conectores introduzem subordinadas.
  • A subordinada desempenha uma função e pode ser trocada por isso, por um adjetivo ou por então; a coordenada não.
  • Que e logo exigem teste: que pode ser explicativo, completivo ou relativo; logo pode ser conclusivo ou parte de logo que.
  • O e liga também subordinadas entre si.
  • Há subordinadas sem conjunção (reduzidas de infinitivo, gerúndio ou particípio).

Onde aprofundar

  • O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, capítulos sobre o período composto por coordenação e por subordinação.
  • O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, para a classificação de casos duvidosos como pois e porque.

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