Língua Portuguesa · 7.ª–12.ª classe
Como fazer a análise sintática de uma frase?
Resposta curta
Passos: 1) sublinhe os verbos para saber quantas orações há; 2) separe cada oração e identifique a sua função (principal, coordenada ou subordinada); 3) em cada oração, encontre o sujeito e o predicado; 4) dentro do predicado, classifique os complementos (direto, indireto, oblíquo), o predicativo do sujeito e os modificadores; 5) verifique com testes de pronome e de concordância.
Quando se aplica
A análise sintática pede-se em exercícios de gramática e em testes e exames de Língua Portuguesa. Serve para perceber como as palavras se organizam numa frase e que função cada grupo desempenha. Faz-se em dois níveis:
- Análise de frase: divide a frase em orações e diz como se relacionam.
- Análise de oração: identifica as funções sintáticas dentro de cada oração.
Pré-requisitos
Deve saber identificar verbos, conhecer as classes de palavras e reconhecer grupos de palavras (um grupo nominal, como os meus primos, funciona como bloco). A terminologia varia entre manuais: os nomes aqui usados (complemento oblíquo, modificador) correspondem, nos manuais mais tradicionais, a «complemento circunstancial» e «adjunto adverbial». Siga o manual da sua classe.
Método passo a passo
- Leia a frase completa e conte os verbos (incluindo as formas compostas, como tinha comido, que contam como um só). Cada verbo ou locução verbal corresponde a uma oração.
- Delimite as orações. Procure as palavras que as ligam: conjunções coordenativas (e, mas, ou, logo), conjunções subordinativas (que, quando, porque, se, embora) e pronomes relativos (que, quem, onde).
- Classifique a relação entre as orações: uma oração principal (a que não depende de outra), coordenadas (do mesmo nível) e subordinadas (dependem de outra).
- Em cada oração, encontre o sujeito. Pergunte «quem?» ou «o quê?» ao verbo e confirme com a concordância. Se não aparece, é nulo (deduz-se pela terminação do verbo) ou a oração é impessoal.
- Tudo o resto é predicado. Dentro dele, o núcleo é o verbo e os complementos completam-no.
- Classifique os complementos do verbo:
- Complemento direto: liga-se sem preposição e pode ser substituído por o, a, os, as («Comprei o livro» → «Comprei-o»).
- Complemento indireto: introduzido por a (ou para) e indica o destinatário; pode ser substituído por lhe, lhes («Dei o livro à Ana» → «Dei-lhe o livro»).
- Complemento oblíquo: exigido pelo verbo, com preposição, mas não pronominalizável por lhe («Moro em Luanda»; «Vou a Benguela»).
- Predicativo do sujeito: com verbos copulativos (ser, estar, ficar, parecer, permanecer), atribui uma característica ao sujeito («A sala está limpa»).
- Identifique os modificadores. São grupos facultativos (tempo, lugar, modo, causa): podem ser retirados sem tornar a frase incompleta («Ontem, o Pedro chegou»).
- Identifique o vocativo, se existir (nome de quem se chama, geralmente entre vírgulas): «Pedro, vem cá!»
- Verifique: as funções que atribuiu cobrem todas as palavras da oração? Cada verbo tem o sujeito e os complementos de que precisa?
Dica
Faça o teste de eliminação: se, ao retirar um grupo, a frase fica incompleta ou muda de sentido, é um complemento; se fica completa, é um modificador.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Oração simples com complementos
Enunciado: Faça a análise sintática de: «O professor explicou a matéria aos alunos.»
Resolução:
- Verbos: explicou → uma só oração.
- Sujeito: pergunta «quem explicou?» → O professor.
- Predicado: explicou a matéria aos alunos.
- Complemento direto: «explicou o quê?» → a matéria (teste: «explicou-a»).
- Complemento indireto: «a quem?» → aos alunos (teste: «explicou-lhes»).
Resposta: sujeito: O professor; predicado: explicou a matéria aos alunos; CD: a matéria; CI: aos alunos. Verificação: com os pronomes, a frase fica «Ele explicou-lha» sem perder sentido, o que confirma os dois complementos.
Exemplo 2 — Predicativo do sujeito e modificador
Enunciado: Analise: «A Maria ficou muito feliz ontem.»
Resolução:
- Verbo: ficou (copulativo). Uma oração.
- Sujeito: A Maria («quem ficou?»).
- O verbo ficar pede uma característica do sujeito: muito feliz é o predicativo do sujeito.
- Ontem pode ser retirado («A Maria ficou muito feliz» continua completa): é modificador (de tempo).
Resposta: sujeito: A Maria; predicativo do sujeito: muito feliz; modificador: ontem. Verificação: se retirar muito feliz, a frase fica incompleta («A Maria ficou ontem»); logo, é uma exigência do verbo.
Exemplo 3 — Nível de exame: frase com três orações
Enunciado: Analise: «Quando a chuva parou, os alunos foram ao recreio e jogaram futebol.»
Resolução:
- Verbos: parou, foram, jogaram → três orações.
- Delimitação: (1) «Quando a chuva parou»; (2) «os alunos foram ao recreio»; (3) «e jogaram futebol».
- Relação: (2) é a principal. (1) é subordinada adverbial temporal (introduzida por quando). (3) é coordenada copulativa (introduzida por e) em relação a (2).
- Oração (1): sujeito a chuva; verbo parou.
- Oração (2): sujeito os alunos; verbo foram; complemento oblíquo ao recreio (o verbo ir pede lugar, e «foram-lhe» não é possível).
- Oração (3): sujeito nulo (os alunos); verbo jogaram; complemento direto futebol («jogaram-no»).
Resposta: a frase tem uma principal, uma subordinada adverbial temporal e uma coordenada copulativa, com as funções acima. Verificação: cada verbo tem o seu sujeito (explícito ou nulo) e todos os grupos da frase têm função atribuída.
Erros frequentes
- Analisar a frase toda como se fosse uma só oração. Conte primeiro os verbos; cada um indica uma oração.
- Confundir complemento direto com indireto. O indireto leva a e admite lhe; o direto não leva preposição e admite o/a.
- Classificar como modificador o que é exigido pelo verbo. Em «Moro em Luanda», se retirar em Luanda, a frase fica incompleta: é complemento oblíquo.
- Esquecer o sujeito nulo. Na oração «e jogaram futebol», o sujeito não aparece, mas existe.
- Tomar o predicativo do sujeito por complemento direto. Com ser, estar, ficar, parecer, o que se segue não se pronominaliza por o para ser complemento direto; é predicativo.
- Incluir a conjunção na função. A conjunção (e, quando, porque) liga as orações; não faz parte do sujeito nem do predicado.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Analise: «Os pescadores vendem peixe no mercado.»
Ver dica
Pergunte «quem vende?», «vende o quê?» e verifique se «no mercado» é exigido.
Ver solução
Sujeito: Os pescadores. Complemento direto: peixe («vendem-no»). No mercado: modificador (lugar), porque a frase «Os pescadores vendem peixe» está completa sem ele.
2Exercício 2
Analise: «O Paulo deu um livro à irmã.»
Ver solução
Sujeito: O Paulo. Complemento direto: um livro («deu-o»). Complemento indireto: à irmã («deu-lhe»).
3Exercício 3
Analise: «A professora parece cansada.»
Ver solução
Sujeito: A professora. Predicativo do sujeito: cansada, porque parecer é verbo copulativo e a palavra descreve o sujeito (concorda com ele em género e número).
4Exercício 4
Analise: «Meninos, façam silêncio!»
Ver dica
Quem é chamado? E quem faz o que o verbo diz?
Ver solução
Vocativo: Meninos. Sujeito nulo: vocês (deduz-se pela terminação -am de façam). Complemento direto: silêncio.
5Exercício 5
Divida em orações e classifique: «Se estudares, terás boa nota e ficarás contente.»
Ver dica
Conte os verbos e procure a conjunção que introduz cada oração.
Ver solução
Três orações: (1) «Se estudares», subordinada adverbial condicional; (2) «terás boa nota», principal (sujeito nulo tu, complemento direto boa nota); (3) «e ficarás contente», coordenada copulativa (sujeito nulo tu, predicativo do sujeito contente).
Perguntas frequentes
Quando se usa este método?
Sempre que o exercício pede funções sintáticas ou classificação de orações. Também ajuda a revisar textos, porque obriga a identificar o sujeito e a verificar a concordância.
Existe um método mais rápido?
Com treino, sim: comece sempre pelo verbo, depois pelo sujeito, e só então pelos complementos. Os testes de pronominalização (o, lhe) permitem decidir sem hesitação.
Qual é a diferença entre complemento e modificador?
O complemento é exigido pelo verbo; sem ele, a frase fica incompleta ou muda de sentido. O modificador é facultativo e acrescenta informação de tempo, lugar, modo ou causa.
Que erros são mais comuns?
Esquecer o sujeito nulo, confundir complemento direto e indireto, e classificar como modificador o que o verbo exige (complemento oblíquo).
Resumo
- Cada verbo (ou locução verbal) corresponde a uma oração.
- Em cada oração, separe o sujeito do predicado.
- Os complementos do verbo são: direto (o/a), indireto (lhe), oblíquo (preposição) e predicativo do sujeito.
- Os modificadores são facultativos; os complementos não.
- Entre orações há coordenação ou subordinação.
- Verifique com os testes de pronominalização e de concordância.
Onde aprofundar
- O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, parte sobre a sintaxe.
- O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, para esclarecer casos concretos.
Continue a estudar
Como identificar o sujeito de uma frase?
Passos: 1) encontre o verbo; 2) pergunte «quem?» ou «o quê?» antes do verbo; 3) confirme com o teste do plural (mude o número do possível sujeito e veja se o verbo…
3 exemplos5 exercícios com solução✓ Estudado
Exercícios resolvidos de análise sintática
Para resolver um exercício de análise sintática, conte primeiro os verbos (cada um indica uma oração), depois encontre o sujeito de cada oração e classifique o resto do…
7 exemplos6 exercícios com solução✓ Estudado
O que é o sujeito de uma oração?
O sujeito é a função sintática do grupo de palavras com o qual o verbo concorda em pessoa e número. Geralmente indica de quem ou de que se fala, e responde à pergunta…
3 exemplos5 exercícios com solução✓ Estudado
Como identificar o complemento direto?
Passos: 1) encontre o verbo e o sujeito; 2) pergunte ao verbo «o quê?» ou «quem?»; 3) confirme que o grupo encontrado não leva preposição; 4) faça o teste do pronome: o…
4 exemplos5 exercícios com solução✓ Estudado
Ver tudo de Língua Portuguesa · Capítulo: Frase, oração e funções sintáticas