Língua Portuguesa · 7.ª–12.ª classe

Como fazer a análise sintática de uma frase?

  • 8 min de leitura
  • 3 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Passos: 1) sublinhe os verbos para saber quantas orações há; 2) separe cada oração e identifique a sua função (principal, coordenada ou subordinada); 3) em cada oração, encontre o sujeito e o predicado; 4) dentro do predicado, classifique os complementos (direto, indireto, oblíquo), o predicativo do sujeito e os modificadores; 5) verifique com testes de pronome e de concordância.

Quando se aplica

A análise sintática pede-se em exercícios de gramática e em testes e exames de Língua Portuguesa. Serve para perceber como as palavras se organizam numa frase e que função cada grupo desempenha. Faz-se em dois níveis:

  • Análise de frase: divide a frase em orações e diz como se relacionam.
  • Análise de oração: identifica as funções sintáticas dentro de cada oração.

Pré-requisitos

Deve saber identificar verbos, conhecer as classes de palavras e reconhecer grupos de palavras (um grupo nominal, como os meus primos, funciona como bloco). A terminologia varia entre manuais: os nomes aqui usados (complemento oblíquo, modificador) correspondem, nos manuais mais tradicionais, a «complemento circunstancial» e «adjunto adverbial». Siga o manual da sua classe.

Método passo a passo

  1. Leia a frase completa e conte os verbos (incluindo as formas compostas, como tinha comido, que contam como um só). Cada verbo ou locução verbal corresponde a uma oração.
  2. Delimite as orações. Procure as palavras que as ligam: conjunções coordenativas (e, mas, ou, logo), conjunções subordinativas (que, quando, porque, se, embora) e pronomes relativos (que, quem, onde).
  3. Classifique a relação entre as orações: uma oração principal (a que não depende de outra), coordenadas (do mesmo nível) e subordinadas (dependem de outra).
  4. Em cada oração, encontre o sujeito. Pergunte «quem?» ou «o quê?» ao verbo e confirme com a concordância. Se não aparece, é nulo (deduz-se pela terminação do verbo) ou a oração é impessoal.
  5. Tudo o resto é predicado. Dentro dele, o núcleo é o verbo e os complementos completam-no.
  6. Classifique os complementos do verbo:
    • Complemento direto: liga-se sem preposição e pode ser substituído por o, a, os, as («Comprei o livro» → «Comprei-o»).
    • Complemento indireto: introduzido por a (ou para) e indica o destinatário; pode ser substituído por lhe, lhes («Dei o livro à Ana» → «Dei-lhe o livro»).
    • Complemento oblíquo: exigido pelo verbo, com preposição, mas não pronominalizável por lhe («Moro em Luanda»; «Vou a Benguela»).
    • Predicativo do sujeito: com verbos copulativos (ser, estar, ficar, parecer, permanecer), atribui uma característica ao sujeito («A sala está limpa»).
  7. Identifique os modificadores. São grupos facultativos (tempo, lugar, modo, causa): podem ser retirados sem tornar a frase incompleta («Ontem, o Pedro chegou»).
  8. Identifique o vocativo, se existir (nome de quem se chama, geralmente entre vírgulas): «Pedro, vem cá!»
  9. Verifique: as funções que atribuiu cobrem todas as palavras da oração? Cada verbo tem o sujeito e os complementos de que precisa?

Dica

Faça o teste de eliminação: se, ao retirar um grupo, a frase fica incompleta ou muda de sentido, é um complemento; se fica completa, é um modificador.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Oração simples com complementos

Enunciado: Faça a análise sintática de: «O professor explicou a matéria aos alunos.»

Resolução:

  1. Verbos: explicou → uma só oração.
  2. Sujeito: pergunta «quem explicou?» → O professor.
  3. Predicado: explicou a matéria aos alunos.
  4. Complemento direto: «explicou o quê?» → a matéria (teste: «explicou-a»).
  5. Complemento indireto: «a quem?» → aos alunos (teste: «explicou-lhes»).

Resposta: sujeito: O professor; predicado: explicou a matéria aos alunos; CD: a matéria; CI: aos alunos. Verificação: com os pronomes, a frase fica «Ele explicou-lha» sem perder sentido, o que confirma os dois complementos.

Exemplo 2 — Predicativo do sujeito e modificador

Enunciado: Analise: «A Maria ficou muito feliz ontem.»

Resolução:

  1. Verbo: ficou (copulativo). Uma oração.
  2. Sujeito: A Maria («quem ficou?»).
  3. O verbo ficar pede uma característica do sujeito: muito feliz é o predicativo do sujeito.
  4. Ontem pode ser retirado («A Maria ficou muito feliz» continua completa): é modificador (de tempo).

Resposta: sujeito: A Maria; predicativo do sujeito: muito feliz; modificador: ontem. Verificação: se retirar muito feliz, a frase fica incompleta («A Maria ficou ontem»); logo, é uma exigência do verbo.

Exemplo 3 — Nível de exame: frase com três orações

Enunciado: Analise: «Quando a chuva parou, os alunos foram ao recreio e jogaram futebol.»

Resolução:

  1. Verbos: parou, foram, jogaram → três orações.
  2. Delimitação: (1) «Quando a chuva parou»; (2) «os alunos foram ao recreio»; (3) «e jogaram futebol».
  3. Relação: (2) é a principal. (1) é subordinada adverbial temporal (introduzida por quando). (3) é coordenada copulativa (introduzida por e) em relação a (2).
  4. Oração (1): sujeito a chuva; verbo parou.
  5. Oração (2): sujeito os alunos; verbo foram; complemento oblíquo ao recreio (o verbo ir pede lugar, e «foram-lhe» não é possível).
  6. Oração (3): sujeito nulo (os alunos); verbo jogaram; complemento direto futebol («jogaram-no»).

Resposta: a frase tem uma principal, uma subordinada adverbial temporal e uma coordenada copulativa, com as funções acima. Verificação: cada verbo tem o seu sujeito (explícito ou nulo) e todos os grupos da frase têm função atribuída.

Erros frequentes

  • Analisar a frase toda como se fosse uma só oração. Conte primeiro os verbos; cada um indica uma oração.
  • Confundir complemento direto com indireto. O indireto leva a e admite lhe; o direto não leva preposição e admite o/a.
  • Classificar como modificador o que é exigido pelo verbo. Em «Moro em Luanda», se retirar em Luanda, a frase fica incompleta: é complemento oblíquo.
  • Esquecer o sujeito nulo. Na oração «e jogaram futebol», o sujeito não aparece, mas existe.
  • Tomar o predicativo do sujeito por complemento direto. Com ser, estar, ficar, parecer, o que se segue não se pronominaliza por o para ser complemento direto; é predicativo.
  • Incluir a conjunção na função. A conjunção (e, quando, porque) liga as orações; não faz parte do sujeito nem do predicado.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

Analise: «Os pescadores vendem peixe no mercado.»

Ver dica

Pergunte «quem vende?», «vende o quê?» e verifique se «no mercado» é exigido.

Ver solução

Sujeito: Os pescadores. Complemento direto: peixe («vendem-no»). No mercado: modificador (lugar), porque a frase «Os pescadores vendem peixe» está completa sem ele.

2Exercício 2

Analise: «O Paulo deu um livro à irmã.»

Ver solução

Sujeito: O Paulo. Complemento direto: um livro («deu-o»). Complemento indireto: à irmã («deu-lhe»).

3Exercício 3

Analise: «A professora parece cansada.»

Ver solução

Sujeito: A professora. Predicativo do sujeito: cansada, porque parecer é verbo copulativo e a palavra descreve o sujeito (concorda com ele em género e número).

4Exercício 4

Analise: «Meninos, façam silêncio!»

Ver dica

Quem é chamado? E quem faz o que o verbo diz?

Ver solução

Vocativo: Meninos. Sujeito nulo: vocês (deduz-se pela terminação -am de façam). Complemento direto: silêncio.

5Exercício 5

Divida em orações e classifique: «Se estudares, terás boa nota e ficarás contente.»

Ver dica

Conte os verbos e procure a conjunção que introduz cada oração.

Ver solução

Três orações: (1) «Se estudares», subordinada adverbial condicional; (2) «terás boa nota», principal (sujeito nulo tu, complemento direto boa nota); (3) «e ficarás contente», coordenada copulativa (sujeito nulo tu, predicativo do sujeito contente).

Perguntas frequentes

Quando se usa este método?

Sempre que o exercício pede funções sintáticas ou classificação de orações. Também ajuda a revisar textos, porque obriga a identificar o sujeito e a verificar a concordância.

Existe um método mais rápido?

Com treino, sim: comece sempre pelo verbo, depois pelo sujeito, e só então pelos complementos. Os testes de pronominalização (o, lhe) permitem decidir sem hesitação.

Qual é a diferença entre complemento e modificador?

O complemento é exigido pelo verbo; sem ele, a frase fica incompleta ou muda de sentido. O modificador é facultativo e acrescenta informação de tempo, lugar, modo ou causa.

Que erros são mais comuns?

Esquecer o sujeito nulo, confundir complemento direto e indireto, e classificar como modificador o que o verbo exige (complemento oblíquo).

Resumo

  • Cada verbo (ou locução verbal) corresponde a uma oração.
  • Em cada oração, separe o sujeito do predicado.
  • Os complementos do verbo são: direto (o/a), indireto (lhe), oblíquo (preposição) e predicativo do sujeito.
  • Os modificadores são facultativos; os complementos não.
  • Entre orações há coordenação ou subordinação.
  • Verifique com os testes de pronominalização e de concordância.

Onde aprofundar

  • O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, parte sobre a sintaxe.
  • O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, para esclarecer casos concretos.

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