Língua Portuguesa · 7.ª–12.ª classe
O que é o sujeito de uma oração?
Resposta curta
O sujeito é a função sintática do grupo de palavras com o qual o verbo concorda em pessoa e número. Geralmente indica de quem ou de que se fala, e responde à pergunta «quem?» ou «o quê?» colocada ao verbo. Em «Os alunos estudam», o sujeito é os alunos. Pode ser simples, composto, nulo ou indeterminado, e algumas orações não têm sujeito.
Definição e características
Numa oração, o sujeito e o predicado são as duas partes essenciais. O predicado contém o verbo e tudo o que o completa; o sujeito é o constituinte que o verbo «segue» na concordância.
Características do sujeito:
- Concorda com o verbo. Se muda o número ou a pessoa do sujeito, o verbo muda também: «O aluno estuda» e «Os alunos estudam».
- Pode ser substituído por um pronome pessoal de sujeito: eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas.
- Pode ser formado por um nome, um grupo nominal (os alunos da 10.ª classe), um pronome (ele), um infinitivo (Estudar é importante) ou uma oração inteira (Que todos cheguem a tempo é essencial).
- Não leva preposição (no caso mais comum), ao contrário dos complementos.
- Não depende da posição. Pode vir antes do verbo (a ordem mais comum), depois ou entre palavras: «Chegaram os alunos.»
Nota
A terminologia varia. Alguns manuais falam em «sujeito oculto» ou «sujeito subentendido»; outros em «sujeito nulo». As ideias são as mesmas. Use os nomes do manual da sua classe.
Tipos de sujeito
| Tipo | Como é | Exemplo |
|---|---|---|
| Simples | tem um só núcleo | O pescador voltou ao porto. |
| Composto | tem dois ou mais núcleos | O pescador e o filho voltaram ao porto. |
| Nulo (subentendido) | não aparece, mas deduz-se pela terminação do verbo | Chegámos cedo. (nós) |
| Indeterminado | o sujeito existe, mas não se identifica | Bateram à porta. |
| Oração sem sujeito | verbos impessoais: nenhum sujeito | Choveu muito. Há pão na mesa. |
Orações sem sujeito
São orações cujo verbo é impessoal. Os casos mais comuns:
- Verbos que indicam fenómenos da natureza: chover, trovejar, amanhecer, anoitecer.
- O verbo haver com o sentido de existir ou ocorrer: «Há alunos na biblioteca.»
- Os verbos fazer e haver a indicar tempo decorrido: «Faz dois anos», «Há dois anos».
Nestes casos o verbo fica no singular, na 3.ª pessoa.
Exemplos do quotidiano
Exemplo 1 — Sujeito simples e composto
Enunciado: Identifique o sujeito: (a) «A feira de Benguela abre ao sábado.» (b) «O João e a Teresa venderam peixe na feira.»
Resolução:
- (a) Verbo: abre. Pergunta: «quem abre?» → a feira de Benguela. Teste: no plural, «as feiras abrem», logo o verbo muda; confirma-se.
- (b) Verbo: venderam (3.ª pessoa do plural). Pergunta: «quem vendeu?» → o João e a Teresa. Há dois núcleos (João e Teresa), por isso o sujeito é composto.
Resposta: (a) A feira de Benguela (sujeito simples). (b) O João e a Teresa (sujeito composto). Verificação: substituição por pronome: (a) ela abre; (b) eles venderam.
Exemplo 2 — Sujeito nulo e oração sem sujeito
Enunciado: Diga se as orações têm sujeito e, se tiverem, qual é: (a) «Fomos ao estádio no domingo.» (b) «Choveu em Luanda durante toda a noite.» (c) «Havia muita gente na paragem.»
Resolução:
- (a) O verbo fomos está na 1.ª pessoa do plural. O sujeito não aparece, mas deduz-se: nós. É sujeito nulo subentendido.
- (b) Chover é fenómeno da natureza: não tem sujeito.
- (c) Haver com o sentido de existir é impessoal: muita gente não é sujeito (é o complemento direto), e o verbo fica no singular.
Resposta: (a) sujeito nulo (nós); (b) oração sem sujeito; (c) oração sem sujeito. Verificação: em (b) e (c) não se consegue pôr um pronome sujeito (ele ou eles) antes do verbo sem alterar o sentido da frase.
Exemplo 3 — Nível de exame: sujeito depois do verbo e frase passiva
Enunciado: Identifique o sujeito: (a) «Chegaram ao Lubango três autocarros.» (b) «Vendem-se casas na zona nova.» (c) «A proposta foi aprovada pelos delegados.» (d) «Estudar todos os dias melhora as notas.»
Resolução:
- (a) Verbo chegaram (plural). Pergunta: «quem chegou?» → três autocarros. Está depois do verbo, mas é o sujeito.
- (b) Vendem-se concorda com casas (plural): sujeito casas. O se é apassivante (equivale a «casas são vendidas»).
- (c) A forma passiva foi aprovada concorda com a proposta (singular). O sujeito é a proposta. Pelos delegados é o agente da passiva, não é sujeito.
- (d) A pergunta «o que melhora as notas?» tem como resposta estudar todos os dias. É um sujeito em forma de infinitivo.
Resposta: (a) três autocarros; (b) casas; (c) a proposta; (d) estudar todos os dias. Verificação: (a) «chegou um autocarro» (verbo no singular com sujeito singular); (b) «vende-se uma casa».
Importância e aplicações
Identificar o sujeito é a base da análise sintática e da concordância: só quem sabe qual é o sujeito consegue escolher a forma verbal certa («Faltam dois dias», com dois dias sujeito plural). Também ajuda a perceber a diferença entre frase ativa e passiva, e a distinguir sujeito de complemento: em «A professora elogiou o aluno», o sujeito é a professora, mas em «O aluno foi elogiado pela professora», o sujeito é o aluno.
Erros frequentes
- Pensar que o sujeito é sempre o primeiro grupo da frase. Em «Hoje chegaram os alunos», hoje não é sujeito. Procure o verbo e pergunte «quem?».
- Tomar o agente da passiva como sujeito. Em «O livro foi escrito pelo professor», o sujeito é o livro; pelo professor é o agente.
- Confundir sujeito com a pessoa que «faz» a ação. Na passiva o sujeito sofre a ação (é paciente). Sujeito é uma função gramatical, definida pela concordância.
- Procurar sujeito em orações impessoais. «Choveu» e «Há pão» não têm sujeito; não diga «sujeito: pão».
- Dizer que o sujeito nulo «não existe». Existe, mas está implícito na terminação do verbo («Cantámos» tem sujeito nós).
- Dar como sujeito só o núcleo. O sujeito é o grupo todo: em «Os alunos da turma B saíram», o sujeito é os alunos da turma B.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Identifique o sujeito: «A minha avó cozinha funge todos os domingos.»
Ver solução
A minha avó. Pergunta: «quem cozinha?». Substituição por pronome: ela cozinha. Sujeito simples.
2Exercício 2
Indique o sujeito e o tipo: «O professor e os alunos visitaram o museu.»
Ver solução
Sujeito: o professor e os alunos. Tipo: composto (dois núcleos, professor e alunos). O verbo está no plural: visitaram.
3Exercício 3
Diga se há sujeito e, em caso afirmativo, qual: (a) «Amanheceu cedo.» (b) «Falámos com o diretor.»
Ver dica
Pergunte se o verbo é impessoal e olhe para a terminação de falámos.
Ver solução
(a) Sem sujeito: amanhecer é fenómeno da natureza. (b) Sujeito nulo subentendido (nós), deduzido pela terminação de falámos.
4Exercício 4
Identifique o sujeito: «Foram descobertos novos vestígios históricos na região.»
Ver dica
Mude para o singular: «Foi descoberto...».
Ver solução
Novos vestígios históricos. O verbo da passiva (foram descobertos) concorda com este grupo, que está depois do verbo. Prova: «Foi descoberto um vestígio...».
5Exercício 5
Em «Que todos cheguem a horas é fundamental», identifique o sujeito e diga que tipo de constituinte é.
Ver dica
Pergunte «o que é fundamental?».
Ver solução
O sujeito é «Que todos cheguem a horas», uma oração que funciona como sujeito (sujeito oracional). O verbo é está no singular porque concorda com esta oração, tratada como uma unidade.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre sujeito e agente da passiva?
O sujeito concorda com o verbo; o agente da passiva é o complemento introduzido por por (ou pelo/pela) que indica quem pratica a ação numa frase passiva. Em «A proposta foi aprovada pelos delegados», o sujeito é a proposta e o agente é pelos delegados.
Todas as orações têm sujeito?
Não. As orações com verbos impessoais (chover, haver com o sentido de existir, fazer a indicar tempo) não têm sujeito. Já as que têm sujeito nulo continuam a ter sujeito, mesmo que não apareça escrito.
Como se distingue o sujeito indeterminado do nulo?
No nulo, a terminação do verbo permite identificar o sujeito (cantámos → nós). No indeterminado, não se consegue identificar: «Bateram à porta» (3.ª pessoa do plural, mas sem se saber quem).
Onde se aplica o sujeito na prática?
Na concordância verbal, na análise sintática e na revisão de textos. Antes de escolher a forma de um verbo, identifique o sujeito.
Resumo
- O sujeito é o constituinte com o qual o verbo concorda; responde a «quem?» ou «o quê?».
- Pode ser simples, composto, nulo ou indeterminado; certas orações não têm sujeito.
- Pode vir antes ou depois do verbo e ser um nome, pronome, infinitivo ou oração.
- Na passiva, o sujeito é o paciente; o agente da passiva não é sujeito.
- Teste útil: mudar o número do sujeito e ver se o verbo muda.
Onde aprofundar
- O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Cunha & Cintra, Nova Gramática do Português Contemporâneo, capítulos sobre a estrutura da oração.
- O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa, para casos concretos de concordância e de sujeito.
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