Língua Portuguesa · 5.ª–12.ª classe
Como identificar o tipo de texto?
Resposta curta
Para identificar o tipo de texto, pergunte qual é a finalidade (contar, descrever, informar, convencer ou instruir) e confirme com as marcas: ações no tempo (narrativo), características e adjetivos (descritivo), definições e dados (expositivo), tese e argumentos (argumentativo), imperativo e passos (instrucional). Justifique sempre com palavras do texto.
Quando se aplica
Este método serve sempre que o enunciado pede «classifique o texto quanto ao tipo» ou «justifique a sua resposta com elementos do texto». Também ajuda a escrever: quem sabe reconhecer as marcas de cada tipo escolhe melhor os verbos e os conetores quando redige.
Pré-requisitos
- Conhecer os cinco tipos de texto e a finalidade de cada um: narrativo, descritivo, expositivo, argumentativo e instrucional.
- Distinguir os tempos e modos verbais mais frequentes: pretérito perfeito, pretérito imperfeito, presente do indicativo, imperativo e infinitivo.
- Reconhecer alguns conetores (de tempo, de causa, de oposição, de sequência).
Método passo a passo
- Leia o texto até ao fim, incluindo o título, e resuma numa frase para que serve: contar, mostrar como é, explicar, convencer ou orientar?
- Aplique as perguntas-teste do quadro abaixo.
- Observe os verbos: em que tempo e modo estão? Descrevem ações, estados ou ordens?
- Observe os conetores e a organização: há marcas de tempo, de lugar, de causa e oposição, ou de sequência de passos?
- Observe quem fala e para quem: primeira pessoa com opinião, terceira pessoa neutra ou segunda pessoa dirigida ao leitor?
- Decida o tipo dominante. Se o texto misturar tipos, indique o dominante e os secundários.
- Justifique com duas marcas, citando palavras ou frases do texto.
Perguntas-teste
| Pergunta | Se a resposta for «sim» | Marcas a procurar |
|---|---|---|
| O texto conta o que aconteceu, por ordem? | narrativo | verbos de ação no pretérito, personagens, expressões de tempo |
| Mostra como é alguém ou algo, sem a ação avançar? | descritivo | adjetivos, verbos ser, estar, parecer, expressões de lugar |
| Explica ou informa sem tomar partido? | expositivo | definições, dados, presente, terceira pessoa |
| Defende uma ideia e dá razões? | argumentativo | tese, porque, contudo, penso que, modalizadores |
| Diz ao leitor o que fazer? | instrucional | imperativo ou infinitivo, passos, quantidades |
Os verbos como pista
- Pretérito perfeito (chegou, abriu): acontecimentos, logo narração.
- Imperfeito de ser e estar (era, estava): descrição, ou cenário de uma narração.
- Presente do indicativo (é, produz): exposição, descrição ou argumentação; é preciso juntar outras pistas.
- Imperativo ou infinitivo (misture, deitar): instrução.
- Verbos de opinião ou de dever (penso, defendo, deve, deveria): argumentação.
Atenção
Nenhuma marca decide sozinha. «Depois» aparece em receitas e em contos; os adjetivos aparecem em todos os tipos. Combine sempre a finalidade com os verbos e os conetores.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Básico: um texto de acontecimentos
Enunciado: Classifique: «Às seis da manhã, a Teresa acordou, vestiu o uniforme e correu para a paragem. O candongueiro chegou cheio, mas ela conseguiu um lugar na última fila.»
Resolução:
- Finalidade: contar o que aconteceu a uma personagem.
- Verbos de ação no pretérito perfeito (acordou, vestiu, correu, chegou, conseguiu), numa sequência.
- Expressão de tempo (Às seis da manhã) e personagem (a Teresa).
Resposta: texto narrativo. Verificação: se trocássemos a ordem das ações (correu antes de acordou), a história deixava de fazer sentido, sinal de que o tempo é essencial.
Exemplo 2 — Um texto que não conta nada
Enunciado: Classifique: «O mercado do bairro é um espaço amplo e barulhento. As bancas, cobertas de lonas azuis, exibem montanhas de tomate, cebola e peixe seco. O ar é quente e cheira a fruta madura.»
Resolução:
- Finalidade: mostrar como é um lugar.
- Os verbos estão no presente e exprimem estado ou perceção (é, exibem, cheira).
- Há adjetivos (amplo, barulhento, quente, madura) e referências aos sentidos (o que se vê, ouve e cheira).
- Nada acontece em sequência: a ação não avança.
Resposta: texto descritivo. Verificação: as frases podiam trocar de ordem sem alterar o essencial, o que não acontece num texto narrativo.
Exemplo 3 — Um texto com ordens
Enunciado: Classifique: «Como plantar feijão: escolha um lugar com sol. Faça pequenas covas na terra. Coloque duas sementes em cada cova e cubra-as. Regue com regularidade, sem encharcar.»
Resolução:
- Finalidade: orientar o leitor para que execute uma tarefa.
- Os verbos estão no imperativo (escolha, faça, coloque, cubra, regue).
- As frases são curtas e seguem uma ordem de passos; o título começa por «Como».
Resposta: texto instrucional. Verificação: um leitor consegue seguir o texto passo a passo, sem precisar de mais informação.
Exemplo 4 — Nível de exame: dois textos quase iguais
Enunciado: Classifique os textos e explique a diferença. Texto A: «O sono é essencial para a saúde. Durante o sono, o corpo recupera energia e o cérebro organiza a informação recebida ao longo do dia. Dormir pouco prejudica a atenção e a memória.» Texto B: o texto A seguido de «Por isso, as escolas deviam começar as aulas mais tarde: é a melhor forma de proteger a atenção dos alunos.»
Resolução:
- Texto A: informa em terceira pessoa, no presente do indicativo, sem tomar partido nem recomendar nada: é expositivo.
- Texto B: as três primeiras frases funcionam como argumento; a última, introduzida por «Por isso», formula uma tese discutível (as escolas deviam começar as aulas mais tarde), com o condicional deviam, que exprime recomendação.
- A diferença está na existência de uma tese a defender.
Resposta: A é expositivo; B é argumentativo. Verificação: retirando a última frase de B, obtém-se de novo o texto A, o que confirma que foi a tese que mudou o tipo.
Erros frequentes
- Decidir por uma só palavra: «porque» não torna o texto argumentativo (aparece em explicações), nem «depois» o torna narrativo (aparece em receitas).
- Confundir descrição com narração. Se o tempo avança e há ações em sequência, é narração; se o tempo pára e se mostra como algo é, é descrição.
- Confundir exposição com argumentação. Procure a tese: se o autor defende uma posição discutível, o texto é argumentativo.
- Classificar uma receita como narrativa por causa de «primeiro» e «depois», sem reparar que os verbos estão no imperativo ou no infinitivo.
- Esquecer o tipo dominante num texto misto, ou classificar sem indicar o dominante.
- Não justificar com o texto. Uma resposta completa cita pelo menos duas marcas.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Classifique e justifique: «O professor de Educação Física apitou, os alunos formaram duas filas e a corrida começou.»
Ver solução
Texto narrativo. Os verbos de ação estão no pretérito perfeito (apitou, formaram, começou) e sucedem-se no tempo; há personagens (o professor, os alunos).
2Exercício 2
Classifique e justifique: «A sala é ampla e luminosa; as paredes, pintadas de azul-claro, estão cobertas de desenhos.»
Ver solução
Texto descritivo. Usa os verbos de estado ser e estar e adjetivos (ampla, luminosa), e não há ações em sequência.
3Exercício 3
Classifique e justifique: «Abra o caderno na página 20, leia o enunciado e resolva os exercícios a lápis.»
Ver solução
Texto instrucional. Os verbos estão no imperativo (abra, leia, resolva), dirigidos ao leitor, e indicam uma sequência de passos.
4Exercício 4
Classifique e justifique: «O transporte escolar deve ser gratuito, uma vez que muitas famílias não conseguem pagar as viagens diárias.»
Ver dica
Procure a tese e a razão que a sustenta.
Ver solução
Texto argumentativo. A tese é «o transporte escolar deve ser gratuito» (verbo de dever); o argumento vem introduzido por «uma vez que», conetor de causa.
5Exercício 5
Classifique e justifique: «A fotossíntese é o processo pelo qual as plantas produzem açúcares usando a luz do sol.»
Ver solução
Texto expositivo. Apresenta uma definição no presente do indicativo e na terceira pessoa, sem opinião e sem sequência de acontecimentos.
Perguntas frequentes
Quando se usa este método?
Sempre que tiver de classificar um texto quanto ao tipo, em testes e exames de Língua Portuguesa, ou quando quiser escolher o tipo certo antes de escrever. Pergunte primeiro a finalidade e só depois procure as marcas.
Existe um método mais rápido?
Olhe para os verbos: pretérito perfeito em sequência aponta para narrativo; imperativo ou infinitivo, para instrucional; ser e estar com adjetivos, para descritivo; penso que, deve e porque, para argumentativo; definições e dados no presente, para expositivo. É uma pista rápida, que depois deve ser confirmada com a finalidade.
Que erros são mais comuns?
Decidir por uma palavra isolada, confundir descrição com narração e exposição com argumentação, e não justificar com citações do texto. Veja a secção «Erros frequentes».
E se o texto tiver mais de um tipo?
Indique o tipo dominante, que corresponde à finalidade principal, e identifique, se o enunciado pedir, as sequências de outro tipo, por exemplo uma descrição dentro de uma narração.
Resumo
- Comece pela finalidade: contar, descrever, informar, convencer ou instruir.
- Confirme com os verbos, os conetores e a pessoa gramatical.
- A tese distingue o argumentativo do expositivo; a ação em sequência, o narrativo do descritivo.
- O imperativo ou o infinitivo com passos indica um texto instrucional.
- Nenhuma marca decide sozinha: combine duas ou mais.
- Justifique sempre citando o texto e indique o tipo dominante nos textos mistos.
Onde aprofundar
- O manual de Língua Portuguesa da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Marcuschi, Luiz Antônio, Produção textual, análise de gêneros e compreensão, para a distinção entre tipo e género de texto.
- O Ciberdúvidas da Língua Portuguesa e o dicionário Priberam, para dúvidas de terminologia.
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