Técnicas de Comunicação e Expressão · 8.ª–12.ª classe
Quais são as línguas faladas em Angola?
Resposta curta
Em Angola fala-se o português, que é a língua oficial, e várias línguas nacionais de origem africana, sobretudo bantu: umbundu, kimbundu, kikongo, tchokwe, oxikwanyama, nhaneca, mbunda e ngangela, entre outras. Existem ainda línguas khoisan, faladas por pequenas comunidades no sul.

Contexto: língua oficial e línguas nacionais
Angola é um país multilingue. Isto significa que, na mesma família, na mesma rua ou até na mesma conversa, uma pessoa pode usar duas ou mais línguas conforme o assunto, o local e o interlocutor.
- A língua oficial é a que o Estado usa nos documentos, nas leis, nos tribunais, nos exames e no ensino. Em Angola é o português.
- As línguas nacionais (ou línguas de origem africana) são as línguas maternas de grande parte da população e fazem parte da identidade cultural. A Constituição reconhece o seu valor e prevê a sua valorização e promoção; confirme o texto em vigor no seu manual.
- Uma língua materna é a primeira que a criança aprende em casa. Uma língua segunda é aprendida depois, por exemplo na escola.
Em Técnicas de Comunicação e Expressão este tema importa porque a escolha da língua (e do registo) faz parte da situação de comunicação: quem fala, com quem, onde e para quê.
As principais línguas e onde se falam
A tabela indica as línguas mais conhecidas e as zonas onde predominam. As fronteiras não são rígidas: as pessoas deslocam-se e as cidades misturam falantes de todas as origens.
| Língua | Zonas onde predomina (aproximadamente) |
|---|---|
| Português | todo o país; língua de uso oficial e de escolarização |
| Umbundu | Planalto Central e litoral centro-sul (Huambo, Bié, Benguela e arredores) |
| Kimbundu | Luanda e zonas vizinhas, Bengo, Kwanza Norte, Malanje |
| Kikongo | Norte do país (Zaire, Uíge); em Cabinda fala-se uma variante, o fiote |
| Tchokwe | Leste e nordeste (Lunda Norte, Lunda Sul, Moxico) |
| Oxikwanyama | Sul, junto à fronteira com a Namíbia (Cunene) |
| Nhaneca | Sudoeste (Huíla) |
| Mbunda e ngangela | Leste e sudeste (Moxico, Cuando Cubango) |
| Línguas khoisan | Pequenas comunidades no sul |
Nota
As zonas são indicativas. Dados exatos sobre o número de falantes de cada língua vêm dos recenseamentos (INE de Angola); consulte a edição mais recente antes de citar percentagens.
O português em Angola
O português é a língua da administração, dos meios de comunicação, da escola e de grande parte da vida urbana. Em Luanda e noutras cidades, muitas crianças têm o português como primeira língua. O português falado em Angola tem características próprias de pronúncia, de vocabulário e de construção de frases, e incorpora palavras de línguas nacionais, como camba (amigo), kota (pessoa mais velha, respeitada) e maka (problema, confusão), de origem kimbundu.
Línguas e contextos de comunicação
Saber quais são as línguas é só metade do tema. A outra metade é saber quando usar cada uma. Observe o quadro.
| Contexto | Língua / registo habitual |
|---|---|
| Documento oficial, requerimento, ata | Português, registo formal |
| Aula, exame, apresentação de trabalho | Português, registo cuidado |
| Conversa com os avós numa aldeia do Huambo | Frequentemente umbundu |
| Conversa entre amigos num bairro de Luanda | Português coloquial, com expressões locais |
| Rádio comunitária numa província | Português e língua(s) nacional(is) da região |
Chama-se alternância de códigos (em inglês, code-switching) à passagem de uma língua para outra durante a mesma conversa. É natural em contextos multilingues e não é sinal de «falar mal». O que se exige é adequação: num trabalho escrito ou numa entrevista de emprego, usa-se o português formal.
Exemplos resolvidos
Exemplo 1 — Associar língua e região
Enunciado: Um estudante do Lubango visita familiares em Malanje e outros em Mbanza Kongo. Que línguas nacionais predominam em cada uma das regiões de destino?
Resolução:
- Malanje fica na zona de influência do kimbundu.
- Mbanza Kongo (província do Zaire) fica na zona de influência do kikongo.
- Em ambas, o português serve de língua comum entre pessoas de origens diferentes.
Resposta: kimbundu em Malanje e kikongo em Mbanza Kongo, com o português como língua de contacto geral. Verificação: confirme no mapa da língua de cada província do seu manual; a regra é aproximada.
Exemplo 2 — Escolher a língua e o registo
Enunciado: A Joana, de Benguela, precisa de (a) pedir uma declaração na secretaria da escola e (b) explicar à avó, que só fala umbundu, o que diz essa declaração. Que língua e registo deve usar em cada caso?
Resolução:
- Em (a) a situação é institucional: interlocutor desconhecido, documento escrito, objetivo formal. Usa-se o português formal («Venho por este meio solicitar…»).
- Em (b) a situação é familiar e a avó só compreende umbundu. Para que a mensagem seja recebida, usa-se umbundu (ou outra língua que a avó domine).
- Em ambos os casos, o critério é o mesmo: a mensagem tem de ser compreendida pelo recetor.
Resposta: (a) português formal; (b) umbundu, em registo familiar. Verificação: em cada caso pergunte «o recetor vai entender?» e «o contexto é formal ou informal?».
Exemplo 3 — Nível de exame: analisar um texto
Enunciado: Leia a frase: «O meu camba, que é um kota lá do bairro, disse que não há maka nenhuma.» (a) Identifique as palavras de origem africana. (b) Classifique o registo. (c) Diga se a frase serve para uma carta ao diretor da escola.
Resolução:
- (a) camba (amigo), kota (pessoa mais velha) e maka (problema) vêm do kimbundu e fazem parte do português falado em Angola.
- (b) O vocabulário e o tom indicam registo coloquial (familiar).
- (c) Uma carta ao diretor exige registo formal; portanto, a frase não é adequada nessa situação.
Resposta: (a) camba, kota, maka; (b) coloquial; (c) inadequada para uma carta formal. Verificação: reescreva em registo formal («O meu amigo, pessoa respeitada no bairro, afirmou que não existe qualquer problema.») e compare.
Erros frequentes
- Dizer que «em Angola só se fala português». O português é a língua oficial, mas há muitas línguas nacionais em uso diário. Lembre sempre as duas realidades.
- Chamar «dialetos» às línguas nacionais. Umbundu, kimbundu e kikongo são línguas com gramática e vocabulário próprios. Evite o termo «dialeto» para as designar.
- Confundir língua oficial com língua materna. A oficial é a do Estado; a materna é a primeira aprendida em casa. Podem coincidir ou não.
- Pensar que uma língua nacional corresponde a uma só província. As zonas de predomínio são aproximadas e há muita mistura, sobretudo nas cidades.
- Usar o registo coloquial em textos formais só porque se fala assim no dia a dia. Adeque sempre ao contexto.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Indique a língua oficial de Angola e dê três exemplos de línguas nacionais de origem africana.
Ver solução
A língua oficial é o português. Exemplos de línguas nacionais: umbundu, kimbundu e kikongo (também serviriam tchokwe, oxikwanyama, nhaneca, mbunda ou ngangela).
2Exercício 2
Verdadeiro ou falso? Corrija se for falso: «As línguas nacionais angolanas são dialetos do português.»
Ver solução
Falso. São línguas de origem africana (maioritariamente bantu), independentes do português, com gramática e vocabulário próprios.
3Exercício 3
Associe cada língua à zona onde predomina: (a) kimbundu; (b) tchokwe; (c) oxikwanyama. Zonas: 1 — Cunene; 2 — Lunda e Moxico; 3 — Luanda e Malanje.
Ver solução
(a) com 3; (b) com 2; (c) com 1. O kimbundu predomina na zona de Luanda e Malanje, o tchokwe no leste e nordeste, e o oxikwanyama no Cunene.
4Exercício 4
Explique a diferença entre língua materna e língua oficial. Pode uma língua ser as duas coisas ao mesmo tempo?
Ver dica
Pense numa criança de Luanda que aprende português em casa.
Ver solução
Língua materna é a primeira língua aprendida em casa; língua oficial é a que o Estado usa nos atos públicos. Pode ser as duas coisas: para muitas crianças urbanas de Angola, o português é língua materna e oficial. Para outras, a língua materna é uma língua nacional e o português é a segunda língua.
5Exercício 5
Um aluno de Huambo vai fazer uma apresentação oral na escola e depois conversar com os pais, falantes de umbundu. Que língua e registo deve usar em cada situação? Justifique com os elementos da situação de comunicação (emissor, recetor, contexto, objetivo).
Ver solução
Na apresentação, usa o português em registo formal/cuidado: o recetor são professores e colegas, o contexto é escolar e o objetivo é informar e ser avaliado. Em casa, pode usar umbundu em registo familiar: o recetor são os pais, o contexto é íntimo e o objetivo é manter a relação e ser compreendido. Em ambos os casos adequa-se a língua ao recetor e ao contexto, o que é um princípio básico da comunicação eficaz.
Perguntas frequentes
Quantas línguas se falam em Angola?
Não há um número único aceite por todos, porque depende de como se contam variantes e dialetos regionais. O que é consensual é que existem várias línguas nacionais de origem africana (umbundu, kimbundu, kikongo, tchokwe e outras) além do português. Para números oficiais, consulte o recenseamento mais recente.
Qual é a língua mais falada em Angola?
O português é a língua mais usada na vida pública e a que mais pessoas dominam no conjunto do país, sobretudo nas cidades. Entre as línguas nacionais, o umbundu costuma ser apontado como a mais falada. Confirme os valores no recenseamento em vigor.
As línguas nacionais são ensinadas na escola?
Existem programas e iniciativas de ensino de línguas nacionais, mas a sua extensão varia consoante a região e o nível. Consulte o programa oficial do INIDE/Ministério da Educação para saber o que está em vigor na sua classe.
Que perguntas saem em exame sobre este tema?
Costumam pedir a língua oficial, exemplos de línguas nacionais, a distinção entre língua materna e oficial, e a adequação da língua e do registo a uma situação concreta, como nos exemplos acima.
Resumo
- O português é a língua oficial de Angola.
- Existem várias línguas nacionais de origem africana: umbundu, kimbundu, kikongo, tchokwe, oxikwanyama, nhaneca, mbunda, ngangela e outras.
- Cada língua tem zonas de predomínio, mas a mistura é grande, sobretudo nas cidades.
- Não se deve chamar «dialetos» às línguas nacionais.
- Escolha a língua e o registo conforme o recetor, o contexto e o objetivo.
- O português de Angola incorpora palavras de línguas nacionais, como camba, kota e maka.
Onde aprofundar
- O manual de Técnicas de Comunicação e Expressão da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Os resultados do recenseamento geral da população, publicados pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola.
- Uma gramática de referência da língua portuguesa e um guia de redação profissional, para treinar o registo formal.
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