História · 5.ª–12.ª classe
Como analisar um documento histórico?
Resposta curta
Para analisar um documento histórico, faça quatro coisas por ordem: identificar o documento (autor, data, tipo, destinatário), ler e resumir o conteúdo, contextualizar no tempo e no espaço e criticar a fonte (intenção, fiabilidade, limites). Conclua dizendo o que o documento permite saber e o que não permite.
Quando se aplica
Aplica-se sempre que o exame, o professor ou o trabalho pedem para «analisar», «comentar» ou «interpretar» um texto, uma imagem, um mapa, uma lei, uma carta, uma fotografia ou um relato oral. O método é o mesmo; muda apenas o tipo de pormenores a observar.
Fonte primária e secundária
- Fonte primária: produzida na época estudada (uma carta de 1900, um decreto, uma fotografia da época).
- Fonte secundária: produzida depois, por quem estuda o passado (um manual, um artigo de historiador).
Saber isto ajuda a avaliar a proximidade da fonte ao acontecimento.
Método passo a passo
- Identifique o documento. Responda: quem o escreveu ou produziu? Quando? Onde? De que tipo é (lei, carta, discurso, fotografia, jornal)? A quem se destina?
- Leia com atenção e sublinhe. Marque palavras-chave, nomes, datas, números e expressões que mostrem opinião.
- Resuma a ideia principal em uma ou duas frases suas, sem copiar.
- Contextualize. Relacione com o período: que acontecimentos estavam a decorrer? Que conhecimento do programa ajuda a compreender o documento?
- Interprete. O que o autor quer dizer? Que mensagem ou objetivo tem? Há palavras que revelam um ponto de vista?
- Faça a crítica da fonte. O autor é testemunha direta? Tem interesse em defender um lado? O documento mostra todo o quadro ou só uma parte?
- Conclua. Diga que informações o documento fornece, que limites tem e como se liga ao tema estudado.
Exemplos resolvidos
Os textos usados abaixo são ilustrativos, criados para este exercício, e não citações de documentos reais.
Exemplo 1 — Identificar e resumir (básico)
Enunciado: Leia o texto ilustrativo: «Luanda, 12 de março de 1950. Caro irmão, a colheita foi fraca este ano e o imposto foi cobrado na mesma. Muitos aqui pensam em ir trabalhar na cidade.» Identifique o documento e resuma-o.
Resolução:
- Tipo: carta pessoal.
- Data e lugar: 12 de março de 1950, Luanda.
- Autor e destinatário: um remetente não identificado escreve a um «irmão».
- Resumo: a colheita foi fraca, o imposto foi pago na mesma e há quem pense em migrar para a cidade.
Resposta: carta pessoal de 1950 que descreve dificuldades rurais e a migração para a cidade. Verificação: todos os elementos do passo 1 estão no texto.
Exemplo 2 — Contextualizar e interpretar
Enunciado: Com o mesmo texto, explique o que o documento revela sobre o período.
Resolução:
- Sabe-se do programa que em muitas colónias existiam impostos sobre as populações locais.
- O texto mostra o peso do imposto mesmo num ano de má colheita.
- A ideia de ir para a cidade liga-se ao fenómeno da migração do campo para os centros urbanos.
Resposta: revela a pressão fiscal sobre famílias rurais e a migração do campo para a cidade. Verificação: cada conclusão assenta numa frase do texto.
Exemplo 3 — Crítica da fonte (nível de exame)
Enunciado: Um relatório ilustrativo, escrito por um administrador colonial, afirma que «a população aceita bem a nova obra». Avalie a fiabilidade.
Resolução:
- O autor é um administrador, ou seja, representa o poder.
- Tem interesse em mostrar bons resultados à hierarquia.
- Não dá voz à população; a «aceitação» é a opinião dele.
- Convém comparar com outras fontes, como relatos orais ou documentos de outro lado.
Resposta: a fonte é útil para conhecer o ponto de vista da administração, mas não é suficiente para saber o que pensava a população. Verificação: a crítica baseia-se em autoria, interesse e ausência de outras vozes.
Erros frequentes
- Copiar o texto em vez de o resumir. Escreva com palavras suas.
- Saltar a identificação. Sem autor, data e tipo, a análise fica fraca.
- Confundir o que o documento diz com o que aconteceu. Um documento é uma versão dos factos.
- Aceitar tudo como verdadeiro. Todo o documento tem um ponto de vista.
- Esquecer o contexto. Sem relacionar com a época, a análise é só paráfrase.
Exercícios propostos
1Exercício 1
Indique cinco dados que deve identificar numa fonte escrita.
Ver solução
Autor, data, local, tipo de documento e destinatário (ou público a que se dirige).
2Exercício 2
Diga se são fontes primárias ou secundárias: (a) uma carta de 1920; (b) um manual escolar de 2020.
Ver solução
(a) Primária, pois é da época. (b) Secundária, pois foi produzido depois.
3Exercício 3
Um texto ilustrativo diz: «O governador visitou a aldeia e todos estavam felizes.» Que pergunta crítica faria?
Ver dica
Quem escreveu e porquê?
Ver solução
Quem escreveu o texto, se estava presente e se tinha interesse em mostrar felicidade. Deve confirmar com outras fontes.
4Exercício 4
Explique a diferença entre resumir e interpretar.
Ver solução
Resumir é dizer o que o texto diz, de forma curta. Interpretar é explicar o que ele significa, o que revela da época e qual a intenção do autor.
5Exercício 5
Escreva uma conclusão de duas frases para uma análise de um relatório oficial feito por uma autoridade sobre o seu próprio trabalho.
Ver solução
Exemplo: «O relatório informa sobre as ações da administração e o modo como ela se vê a si própria. Como o autor tem interesse em valorizar o seu trabalho, é necessário cruzá-lo com outras fontes.»
Perguntas frequentes
Quando se usa este método?
Sempre que tiver de comentar ou interpretar qualquer fonte em História: testes, exames e trabalhos escolares.
Existe um método mais rápido?
Em exame com pouco tempo, pode fixar a ordem: «Quem? Quando? O quê? Porquê? Fiável?». É uma versão curta dos mesmos passos.
Que erros são mais comuns?
Copiar o texto, ignorar o contexto e não fazer crítica da fonte. Treine com documentos diferentes.
Posso analisar uma imagem com o mesmo método?
Sim. Identifique o tipo (fotografia, gravura), o autor, a data, descreva o que mostra, contextualize e critique a intenção de quem a produziu.
Resumo
- Passos: identificar, ler, resumir, contextualizar, interpretar, criticar, concluir.
- Distinga fonte primária e secundária.
- Todo o documento tem ponto de vista.
- A conclusão diz o que a fonte permite saber e o que não permite.
Onde aprofundar
- O manual de História da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
- Obras de introdução ao método histórico, por exemplo Apologia da História, de Marc Bloch, em tradução portuguesa.
- A História Geral de África (UNESCO), que discute o uso de fontes escritas e orais.
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