Matemática · 8.ª–12.ª classe

Como ler informação em gráficos de funções?

  • 13 min de leitura
  • 4 exemplos resolvidos
  • 5 exercícios com solução
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Resposta curta

Para ler o gráfico de uma função: confirme os eixos e a escala; leia o domínio na extensão horizontal e o contradomínio na vertical; marque os zeros (cortes com o eixo dos xx) e a ordenada na origem (corte com o eixo dos yy); veja onde o gráfico sobe, desce ou fica plano, e localize o máximo e o mínimo. Para f(a), suba ou desça na vertical a partir de a.

Quando se aplica

Os gráficos aparecem em exames, em enunciados de Física e em notícias e relatórios (preços, temperaturas, deslocações). Saber ler um gráfico é transformar uma imagem em respostas escritas: «a função é positiva em …», «o valor máximo é … e é atingido em …».

Como aqui não há figuras, cada gráfico é descrito por pontos e segmentos que os unem, ou por uma tabela de valores. Faça um esboço no caderno para acompanhar: marcar os pontos e ligá-los é um bom treino.

O que ler e onde procurar

InformaçãoOnde olhar
f(a), a imagem de amarque a no eixo dos xx, suba ou desça até ao gráfico e leia o y
Domínioextensão do gráfico na horizontal (valores de x)
Contradomínioextensão do gráfico na vertical (valores de y)
Zerospontos em que o gráfico corta ou toca o eixo dos xx
Ordenada na origemponto em que o gráfico corta o eixo dos yy, isto é, f(0)
Sinalacima do eixo dos xx, f > 0; abaixo, f < 0
Monotoniada esquerda para a direita: a subir é crescente; a descer é decrescente; plano é constante
Máximo e mínimoponto mais alto e ponto mais baixo (o valor é o y; onde ocorre é o x)
Resolver f(x) = ktrace a horizontal y = k e leia os x onde corta o gráfico
É função?qualquer reta vertical corta o gráfico no máximo uma vez

Método passo a passo

  1. Leia os eixos: que grandeza está em cada um, com que unidades e que escala (quanto vale cada quadrícula).
  2. Domínio e contradomínio: projete o gráfico nos eixos. Uma bolinha cheia inclui o extremo; uma vazia exclui-o.
  3. Zeros e ordenada na origem: veja onde o gráfico encontra os eixos.
  4. Sinal: indique os intervalos de x em que o gráfico está acima e abaixo do eixo dos xx.
  5. Monotonia e extremos: percorra o gráfico da esquerda para a direita e anote os intervalos em que sobe, desce ou é plano; marque o máximo e o mínimo.
  6. Valores pedidos: para f(a) leia na vertical; para f(x) = k leia na horizontal.
  7. Responda com intervalos e unidades, e interprete no contexto quando o houver.

Exemplos resolvidos

Exemplo 1 — Gráfico distância-tempo

Enunciado: A Joana vai de casa para a escola. O gráfico da distância a casa, d (em metros), em função do tempo t (em minutos), é formado por segmentos que unem os pontos (0; 0), (10; 600), (15; 600) e (25; 1 000). Leia o domínio e o contradomínio, diga durante quanto tempo ela esteve parada, calcule a velocidade em cada fase e d(20).

Resolução:

  1. Domínio: t vai de 0 a 25, logo [0, 25]. Contradomínio: d vai de 0 a 1 000, logo [0, 1 000].
  2. Entre t = 10 e t = 15 o gráfico é horizontal: a distância não muda, ou seja, esteve parada 5 minutos a 600 m de casa.
  3. Na primeira fase: 600 m em 10 min, isto é, 600 ÷ 10 = 60 m/min. Na última: (1 000 − 600) ÷ (25 − 15) = 400 ÷ 10 = 40 m/min.
  4. Em t = 20, está no último segmento, 5 min depois de t = 15: d(20) = 600 + 5 × 40 = 800.

Resposta: domínio [0, 25]; contradomínio [0, 1 000]; parada 5 min; 60 m/min e depois 40 m/min; d(20) = 800 m. Verificação: 600 + 10 × 40 = 1 000 m em t = 25, o ponto final do gráfico.

Exemplo 2 — Parábola dada por uma tabela

Enunciado: O gráfico de g é a parábola que passa pelos pontos da tabela e se prolonga dos dois lados.

x−2−101234
g(x)50−3−4−305

Leia o domínio, o contradomínio, os zeros, a ordenada na origem, o sinal, a monotonia, o extremo e as soluções de g(x) = 5.

Resolução:

  1. Domínio: o gráfico prolonga-se para ambos os lados, logo ℝ.
  2. O ponto mais baixo é (1; −4) e a parábola abre para cima: contradomínio [−4, +∞[, com mínimo −4 em x = 1.
  3. Zeros: g(−1) = 0 e g(3) = 0. Ordenada na origem: g(0) = −3.
  4. Sinal: g > 0 em ]−∞, −1[ ∪ ]3, +∞[ e g < 0 em ]−1, 3[.
  5. Monotonia: decrescente em ]−∞, 1] e crescente em [1, +∞[.
  6. g(x) = 5: a horizontal y = 5 corta o gráfico em x = −2 e x = 4.

Resposta: como acima. Verificação: a tabela corresponde a g(x) = x2 − 2x − 3: g(−2) = 4 + 4 − 3 = 5, g(1) = 1 − 2 − 3 = −4 e g(4) = 16 − 8 − 3 = 5.

Exemplo 3 — É o gráfico de uma função?

Enunciado: Decida, pelo teste da reta vertical, se são gráficos de funções: (a) a circunferência de centro na origem e raio 5, x2 + y2 = 25; (b) a parábola do Exemplo 2; (c) a reta vertical x = 2.

Resolução:

  1. (a) A reta vertical x = 3 corta a circunferência em (3; 4) e (3; −4), porque 9 + 16 = 25 nos dois casos. Logo x = 3 tem duas imagens.
  2. (b) Cada valor de x tem um só valor de g(x), logo qualquer vertical corta a parábola uma só vez.
  3. (c) A reta x = 2 é ela própria uma vertical: contém todos os pontos (2; y), e o valor x = 2 teria infinitas imagens.

Resposta: (a) não é função; (b) é função; (c) não é função. Verificação: em (a), o mesmo x = 3 dá y = 4 e y = −4, o que contradiz a definição de função (cada x tem uma só imagem).

Exemplo 4 — Nível de exame: gráfico formado por segmentos

Enunciado: O gráfico de h é formado por segmentos que unem os pontos (−3; 3), (−1; −1), (2; −1) e (4; 3). Determine o domínio, o contradomínio, os zeros, h(0), o sinal, a monotonia, os extremos e as soluções de h(x) = 1.

Resolução:

  1. Domínio [−3, 4]; contradomínio [−1, 3].
  2. O primeiro segmento tem declive (−1 − 3) ÷ (−1 + 3) = −2, logo h(x) = 3 − 2(x + 3) = −2x − 3. O terceiro tem declive (3 + 1) ÷ (4 − 2) = 2, logo h(x) = −1 + 2(x − 2) = 2x − 5.
  3. Zeros: −2x − 3 = 0 dá x = −1,5; 2x − 5 = 0 dá x = 2,5. O segmento do meio está em y = −1, sem zeros.
  4. Como 0 está no segmento horizontal, h(0) = −1.
  5. Sinal: h > 0 em [−3; −1,5[ e em ]2,5; 4]; h < 0 em ]−1,5; 2,5[.
  6. Monotonia: decrescente em [−3, −1], constante em [−1, 2], crescente em [2, 4].
  7. Mínimo −1 (atingido em todo o [−1, 2]); máximo 3 (em x = −3 e em x = 4).
  8. h(x) = 1: −2x − 3 = 1 dá x = −2; 2x − 5 = 1 dá x = 3.

Resposta: como acima. Verificação: h(−1,5) = 3 − 3 = 0, h(2,5) = 5 − 5 = 0, h(−2) = 4 − 3 = 1 e h(3) = 6 − 5 = 1.

Erros frequentes

  • Trocar x e y. Ler «f(2) = 3» como «f(3) = 2». O argumento está no eixo horizontal; a imagem, no vertical.
  • Ignorar a escala. Se cada quadrícula vale 2, não conte 1 por quadrícula; veja os números marcados nos eixos.
  • Confundir zero com ordenada na origem. O zero é um x (corte com Ox); a ordenada é um y (corte com Oy).
  • Ler a monotonia da direita para a esquerda. A convenção é sempre da esquerda para a direita.
  • Responder com o x quando se pede o máximo. O máximo é um valor de y; o x é o ponto onde é atingido.
  • Tomar um segmento horizontal por «sem função». Um segmento horizontal é uma função constante: neste exemplo, a Joana está parada.
  • Esquecer unidades e contexto (metros, minutos, kwanzas).
  • Ignorar bolinhas cheias e vazias nos extremos, o que muda os intervalos de fechados para abertos.

Exercícios propostos

Tente resolver primeiro no caderno; depois confira.

1Exercício 1

O gráfico de f é formado por segmentos que unem (0; 2), (2; 6) e (4; 2). Leia o domínio, o contradomínio, f(1), o máximo e as soluções de f(x) = 4.

Ver dica

Calcule o declive de cada segmento para obter f(1) e f(3).

Ver solução

Domínio [0, 4]; contradomínio [2, 6]. O primeiro segmento tem declive (6 − 2) ÷ 2 = 2, logo f(x) = 2 + 2x e f(1) = 4. Máximo 6, atingido em x = 2. O segundo segmento tem declive (2 − 6) ÷ 2 = −2, logo f(x) = 6 − 2(x − 2). Resolvendo f(x) = 4: no 1.º segmento, 2 + 2x = 4, x = 1; no 2.º, 6 − 2(x − 2) = 4, x = 3. Soluções: x = 1 e x = 3.

2Exercício 2

O gráfico de f é uma parábola virada para baixo, com vértice em (2; 4), que passa pela origem. Determine o outro zero, o contradomínio, o sinal, a monotonia e as soluções de f(x) = 3.

Ver dica

A parábola é simétrica em relação à reta vertical que passa no vértice; a expressão é f(x) = −x2 + 4x.

Ver solução

Por simetria, o outro zero é 4 (a distância de 0 a 2 é a mesma de 2 a 4). Contradomínio ]−∞, 4]. Sinal: f > 0 em ]0, 4[, f < 0 em ]−∞, 0[ ∪ ]4, +∞[. Monotonia: crescente em ]−∞, 2], decrescente em [2, +∞[. Para f(x) = 3: −x2 + 4x = 3 dá x2 − 4x + 3 = 0, isto é, x = 1 ou x = 3. Verificação: f(1) = −1 + 4 = 3 e f(3) = −9 + 12 = 3.

3Exercício 3

Uma curva passa pelos pontos (0; 0), (1; 1), (1; −1), (4; 2) e (4; −2) (pertencem a x = y2). Será o gráfico de uma função?

Ver solução

Não. A reta vertical x = 1 corta a curva em (1; 1) e (1; −1), isto é, o mesmo x tem duas imagens. O mesmo acontece com x = 4. Verificação: 1 = 12 = (−1)2 e 4 = 22 = (−2)2.

4Exercício 4

Num laboratório, a temperatura T (em °C) de um líquido, em função do tempo t (em min), é formada por segmentos que unem (0; 20), (10; 60), (15; 60) e (30; 30). Qual é a temperatura máxima? Durante quanto tempo se mantém constante? A que ritmo aquece e arrefece? Quando T = 45?

Ver solução

Máximo 60 °C, entre t = 10 e t = 15, logo constante durante 5 min. Aquece (60 − 20) ÷ 10 = 4 °C/min. Arrefece (30 − 60) ÷ (30 − 15) = −30 ÷ 15 = −2 °C/min. T = 45: a aquecer, 20 + 4t = 45 dá t = 6,25 min; a arrefecer, 60 − 2(t − 15) = 45 dá t − 15 = 7,5, isto é, t = 22,5 min. Verificação: 20 + 4 × 6,25 = 45 e 60 − 2 × 7,5 = 45.

5Exercício 5

O gráfico de h é uma parábola que passa por (−2; 0), (0; −4), (1; −3) e (2; 0). Escreva a expressão de h e leia o contradomínio e o sinal.

Ver dica

Se os zeros são −2 e 2, então h(x) = a(x + 2)(x − 2). Use h(0) para achar a.

Ver solução

h(x) = a(x + 2)(x − 2). Com h(0) = −4: a × 2 × (−2) = −4a = −4, logo a = 1 e h(x) = x2 − 4. O vértice é (0; −4), o contradomínio é [−4, +∞[, h > 0 em ]−∞, −2[ ∪ ]2, +∞[ e h < 0 em ]−2, 2[. Verificação: h(1) = 1 − 4 = −3.

Perguntas frequentes

Como leio um valor quando o ponto cai entre as quadrículas?

Estime e diga que é um valor aproximado (por exemplo, «cerca de 3,5»). Se o enunciado dá a expressão ou uma tabela, use-a para obter o valor exato.

Qual é a diferença entre ler f(a) e resolver f(x) = k?

Em f(a) conhece o x e procura o y (vertical, de a até ao gráfico). Em f(x) = k conhece o y e procura os x (horizontal, de k até aos pontos do gráfico), e pode haver zero, uma ou várias respostas.

Como sei se um gráfico representa uma função?

Use o teste da reta vertical: se alguma vertical cortar o gráfico em mais de um ponto, não é função. Uma circunferência completa falha o teste; uma parábola que abre para cima ou para baixo passa.

Que erros são mais comuns?

Trocar x e y, ignorar a escala e confundir zeros com ordenada na origem. Veja a secção «Erros frequentes».

Resumo

  • Comece sempre pelos eixos, unidades e escala.
  • Domínio lê-se na horizontal; contradomínio, na vertical.
  • Zeros: cortes com Ox; ordenada na origem: corte com Oy; sinal: acima ou abaixo de Ox.
  • Monotonia lê-se da esquerda para a direita; o máximo e o mínimo são valores de y.
  • f(a) lê-se na vertical; f(x) = k, na horizontal; o teste da reta vertical decide se é função.

Onde aprofundar

  • O manual de Matemática da sua classe e o programa oficial (INIDE / Ministério da Educação de Angola) — confirme a edição em vigor.
  • O manual aberto OpenStax Algebra and Trigonometry (em inglês), capítulo sobre funções e os seus gráficos.
  • O programa GeoGebra, para traçar os gráficos descritos e conferir as leituras.

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